terça-feira, 16 de setembro de 2008

Ex-oficial alemão é julgado pela morte de 14 italianos em Munique

da Folha Online
Ocorre nesta segunda-feira, em Munique (Alemanha), o julgamento do ex-oficial alemão Josef Scheungraber, 90, acusado de ter encomendado a morte de 14 italianos, em 1944, na Segunda Guerra. Os assassinatos teriam sido uma retaliação a um ataque dos italianos que teria matado dois soldados alemães.

Na chegada ao tribunal, o ex-oficial se recusou a falar com os jornalistas. Ele nega o crime.

De acordo com o processo, militares alemães mataram a tiros uma mulher e quatro homens. Em seguida, obrigaram 11 outras pessoas a entrar no porão de uma casa e o explodiram. A ação teria sido liderada pelo ex-oficial, então com 25 anos. Um sobrevivente da explosão --na época, um adolescente de 15 anos-- deverá testemunhar.
Conforme o procurador Anton Winkler, o julgamento deverá terminar apenas em outubro próximo. "Esse julgamento não será fácil e coletar provas será trabalhoso." O procurador afirmou que Scheungraber foi condenado à revelia à prisão perpétua pelo crime em 2006, em um julgamento realizado por um tribunal militar italiano.


"O réu é muito idoso e sofre de problemas de saúde. Nós talvez tenhamos que adiar alguns procedimentos e ter intervalos para que ele se recupere", afirmou o procurador.
No início do júri, o advogado de defesa, Christian Stuenkel, reiterou que o ex-oficial nega seu envolvimento no caso. De acordo com o advogado, no momento do massacre, Scheungraber fiscalizava o conserto de uma ponte. O advogado ressaltou que a acusação não possui uma testemunha que tenha visto Scheungraber no local do crime nem uma prova documental de que ele tenha encomendado o ataque.


Desde a condenação, em 2006, Scheungraber mora na cidade de Ottobrunn, perto de Munique. Ele trabalha no conselho municipal e tem uma loja de móveis.
Com Reuters e Associated Press

recordar é viver? ENIAC

Do mainframe ao PC
Primeiro computador amplamente conhecido, o ENIAC (Eletronic Numerical Integrator and Calculator) foi construído pelo Exército norte-americano. Tinha quase 18 mil válvulas e calculava trajetórias de tiros. Pesava 27 toneladas e começou a funcionar em 1946.
Veja mais da história em


Entrevista: Lila King detalha impacto da web no jornalismo da CNN

Em 16 de abril de 2007, o sul-coreano Seung-Hui Cho adentrou o campus da Universidade Virginia Tech empunhando duas armas. Na próxima hora e meia, a ação de Cho resultou em 23 feridos, 32 mortos e no seu suicídio. O desespero dos pais e a histeria da mídia na cobertura do caso promoveu informações desencontradas logo após o início do massacre.

A primeira informação concreta sobre a quantidade de tiros dados por Cho chegou à mídia na forma de um vídeo de 1 minuto e 15 segundos feito por um estudante da universidade em seu telefone celular. Na filmagem, tremida pelo misto de nervosismo com vento forte, ouvem-se sucessivos tiros no campus da Virginia Tech.

O vídeo foi publicado pelo seu autor, Jamal Albarghouti, no iReport, serviço de jornalismo cidadão criado pela CNN em agosto de 2006 como um canal para que leitores, telespectadores e ouvintes do conglomerado de comunicação publicassem coberturas do trivial, como condições metereológicas, tragédias, como o tsunami na Ásia ou enchentes nos Estados Unidos, passando pela morte de celebridades ou tensões militares entre nações.

Mais de dois anos após ser lançado, o iReport supera 100 mil usuários ativos e acumula uma média de 150 mil conteúdos amadores, entre relatos por texto, fotos ou vídeos. Em visita ao Brasil para o MediaOn, a produtora sênior do CNN.com e criadora do iReport, Lila King, conversou com o IDG Now! sobre as contribuições de leitores e como os jornalistas integram o material no noticiário.

Como nasceu a idéia do iReport dentro da CNN?A idéia veio aos poucos, por diferentes motivos, mas ganhou força após o tsunami na Ásia (em dezembro de 2005), quando vimos que não poderíamos colocar um repórter sentado esperando que a notícia acontecesse nos lugares onde houvesse notícias.

A popularização de câmeras e filmadoras digitais nos fez entender muito rápido que as pessoas tinham a habilidade de não apenas escrever, mas também contar suas histórias com fotos e vídeos por meio de tecnologia que usamos diariamente. O iReport nasceu desta concepção e conseguimos colocar o serviço no ar em 2006.

Foi desta maneira (pelas lentes cidadãs) que vimos a tragédia (do tsunami) - não era de repórteres caminhando pela praia, mas de pessoas da região que tinham câmeras e estavam documentando os locais. Foi uma história enorme e totalmente impactante que teve como fonte principal os registros dos "leitores".

Qual foi a contribuição mais importante dentro do iReport?
É difícil dizer qual o mais importante já que são recebidos milhares de novos conteúdos por dia no iReport, mas o provável momento de maior assombro e que mostrou que o serviço é uma ferramenta muito valiosa foi logo após o tiroteio na faculdade Virginia Tech. Esta foi a primeira história em que tivemos um vídeo exclusivo que nos ajudou a mostrar o que realmente estava acontecendo no campus e rapidamente se tornou o pedaço de informação central da cobertura.
Todas as organizações cobrindo o caso estavam ainda tentando descobrir quantos e aonde tiros haviam sido dados - o vídeo do iReport, feito com um celular fora da sala de aula, nos mostrou que o massacre foi maior do que esperávamos. Este foi o momento em que a nossa indústria de notícias acordou e percebeu o potencial daquela ferramenta. A CNN licenciou clipes da filmagem e distribuiu gratuitamente entre outras emissoras cobrindo o assunto.


Quanto conteúdo amador vocês recebem por dia no iReport?
Ontem (terça-feira, 09 de setembro), vi que tínhamos recebido cerca de 1.100 histórias, entre contribuições na forma de uma foto, um conjunto de fotos, um vídeo, uma série de vídeo, um texto. Existem mil maneiras de se contar uma história e na internet você pode se aproveitar do aspecto multimídia. Mensalmente, recebemos 15 mil histórias, em média

Como vocês organizam este conteúdo?
A comunidade se organiza. O site conta com ferramentas para que haja classificação por tags ou assuntos, para que o internauta dê notas, escreva comentários ou vote na história para que ela apareça na capa do iReport.

É claro que também existem os produtores e jornalistas da CNN que trabalham com o conteúdo diariamente para checar que histórias podem ser usadas em matérias do canal. Treinamos centenas de jornalistas de todo o conglomerado (que inclui o CNN.com, os canais de TV CNN e CNN International e rádios homônimas) para que elas tivessem acesso às contribuições do iReport.
Temos um time de 9 pessoas na CNN.com responsável por gerenciar o conteúdo publicado e fazer novas perguntas à comunidade, mas fizemos um esforço para distribuir as ferramentas pela rede (da empresa) já que não havia jeito de imaginar que apenas um pequeno time conseguisse analisar as milhares de histórias mensais e as usassem como parte do noticiário.
Tornou-se também parte da nossa rotina diária dentro da redação: toda manhã, quando editores de toda a empresa se juntam para discutir o que está sendo feito, o iReport é trazido à mesa. Discutimos a apuração de notícias nacionais, internacionais e passamos por cima do que está acontecendo no iReport.

Foi difícil treinar jornalistas acostumados com o papel?
Não sei se chamaria de difícil, já que depende do perfil do jornalista. Acho que é natural (enfrentar resistências). Estamos, de uma certa maneira, "ofendendo" o jornalismo tradicional, algo que deixará muitos em uma situação desconfortável.
Mas você acaba convencendo uma pessoa por vez quando consegue demonstrar as possibilidades do iReport, mostrando diferentes perspectivas ou materiais que podemos usar a partir da contribuição no serviço. Quando fazemos estes treinamentos, a primeira coisa que citamos é o jornalismo e a importância de checar fatos e fazer as mesmas verificações no iReport que faríamos em qualquer outro conteúdo dentro do conglomerado.

Vocês têm problemas com plágio ou informações não corretas?
Para ser honesta, não é algo que temos muitos problemas e não é surpresa para mim a qualidade média do conteúdo publicado no iReport. Acontece muito raramente descobrir durante a seleção que determinada história tem problemas. O que mais acontece durante a verificação é percebermos que a pessoa não teve treinamento profissional e pode ter sido ingênua na redação ou na edição.
Aconteceu recentemente com um usuário na Flórida que tirou fotos de uma tempestade e aplicou mais contraste no PhotoShop, que tinha acabado de comprar. Percebemos que havia algo não real na imagem e um dos produtores ligou para ele, que admitiu que tinha colocado mais contraste na foto enquanto aprendia a mexer no programa. Ele mandou a versão original e nós explicamos que no fotojornalismo não se faz edições deste tipo, já que a imagem tem que estar o mais próximo possível da realidade. No fim, a técnica de jornalismo do leitor melhorou.
Não posso ter certeza que não vi algo do gênero no iReport, mas nossa comunidade começou a desenvolver uma paixão forte pela qualidade do que está no site. Com bastante freqüência, vemos usuários que publicam conteúdo e atraem a atenção de outros usuários que já conhecem aquela informação ou aquela foto e chama a atenção de quem "copiou".

Existe uma relação entre o número de relatos, fotos ou vídeos recebidos no iReport e os usados dentro do noticiário da CNN?
Varia sempre de mês para mês e depende também do assunto, mas, na média, usamos cerca de 10% do que recebemos tanto na TV como na CNN.com, com o aproveitamento em histórias significativas quando existe uma contribuição maior da comunidade. No caso das enchentes que atingiram os Estados Unidos há uma semana, recebemos muitas fotos, relatos e vídeos de habitantes ilhados e usamos cerca de 60% do material.

Você falou muito sobre tragédias nos exemplos de sucesso do iReport - o tsunami na Ásia, o tiroteio em Virginia Tech e as inundações nos Estados Unidos. Existe um perfil médio de notícias que inscritos no iReport costumam publicar?
Você está certo, falamos muito sobre tragédias. Mas se você olhar para duas das nossas histórias mais populares no iReport, verá que ambas não têm relação nenhuma. Nós pedimos opiniões em vídeo sobre a escolha de Sarah Palin para ser candidata a vice-presidente dos Republicanos nas eleições norte-americanas e esta história se tornou a mais comentada da história do serviço. Outro destaque foi quando pedimos que as pessoas publicassem fotos dos seus ambientes corporativos.
É difícil de comparar as duas coisas. Acho que o ponto comum entre ambas é que se tratavam de assuntos populares quando foram publicadas - na semana do segundo exemplo, tínhamos um especial sobre ambiente corporativo no CNN.com.
No setor de apuração de notícias, o mais popular diz respeito ao clima, afinal é algo que está disponível para todos, faz parte do noticiário e tem um impacto direto na vida das pessoas. Mas o que é mais importante...

Existem planos de repartir receita com usuários do iReport caso o conteúdo seja interessante o suficiente para ser vendido para terceiros?
Atualmente, não pagamos nada pela contribuição. Não temos um plano agora para o compartilhamento de receita, mas mudamos os termos de serviços do iReport há três semanas para indicar que, caso vendermos o conteúdo para uma empresa jornalística não afiliada à CNN, nós dividiremos o investimento com o "jornalista".

Jennifer Martin, diretora de relações públicas da CNN: É um "chute" meu, mas é provável que a venda de conteúdo do iReport aconteça quando for um assunto realmente relevante, como o impacto que, por exemplo, o vídeo do tiroteio em Virginia Tech teve. Imagine que alguém consiga registrar em vídeo...

O Pé-Grande...
Sim, mas de verdade. A gente vai vender o conteúdo e dividir totalmente a receita (proveniente da venda do vídeo) com o "iReporter". É o mais justo, afinal estaríamos ganhando dinheiro baseado em conteúdo alheio.

Baseado na sua experiência no iReport, você concebe um serviço que use o jornalismo cidadão como modelo de negócios, em uma espécie de agência de notícias amadora?
Da minha perspectiva, uma das razões para o sucesso do iReport é uma mistura entre o jornalismo cidadão e o jornalismo profissional. Ambas as atividades juntas fazem o noticiário ser melhor, mais interessante, mais correto e mais relevante. Existem duas metades que devem ser usadas juntas.

Não descarto a idéia de alguém descobrir um modelo comercial que se sustente apenas por jornalismo cidadão, mas acredito que o que torna o iReport único e efetivo é que ele mescla o jornalismo cidadão com o rigor e os padrões do jornalismo tradicional. Juntos, ambos contam uma história melhor.
Publicado por Guilherme Felitti, às 07h00

Nesta data:Nôach despacha a pomba (2105 AEC)




Após a tentativa frustrada de despachar um corvo da Arca, Nôach enviou uma pomba pela janela da Arca para verificar se o Dilúvio que cobria a terra tinha diminuído. “Porém a pomba não encontrou um local seco para colocar a sola de seus pés”, e voltou à Arca; Nôach esperou mais sete dias antes de fazer nova tentativa.


Gênesis 8:8 Depois, soltou uma pomba para ver se as águas teriam já minguado da superfície da terra;
Gênesis 8:9 mas a pomba, não achando onde pousar o pé, tornou a ele para a arca; porque as águas cobriam ainda a terra. Noé, estendendo a mão, tomou-a e a recolheu consigo na arca.
Gênesis 8:10 Esperou ainda outros sete dias e de novo soltou a pomba fora da arca.
Gênesis 8:11 À tarde, ela voltou a ele; trazia no bico uma folha nova de oliveira; assim entendeu Noé que as águas tinham minguado de sobre a terra.

Internet precisa ter dados mais confiáveis, diz criador da web

O criador da world wide web (a base da internet) disse que os internautas precisam ter alguma forma de diferenciar os boatos das verdades científicas.

Em entrevista à BBC, o cientista britânico Tim Berners-Lee disse que está preocupado com a forma como a internet está sendo usada para disseminar informações erradas.

Na semana passada, a Organização Européia para Pesquisa Nuclear (Cern, na sigla em francês) - onde Berners-Lee desenvolveu a world wide web nos anos 80 - lançou um gigantesco acelerador de partículas.

Na véspera, vários boatos circularam pela internet de que a entrada em funcionamento do acelerador poderia criar um buraco negro que engoliria a Terra.

Para Berners-Lee, grupos pequenos de pessoas usam a internet para disseminar

"teorias da conspiração de todos os tipos que se espalham para milhares de pessoas e podem ter efeitos devastadores".


Ele defende a criação de um sistema que categorize os sites da internet de acordo com a sua confiabilidade. Berners-Lee e outros cientistas já pensaram em formas de criar um mecanismo simples de categorização, mas não chegaram a um mecanismo ideal.
"Eu não gosto da idéia de dar a um site um simples número como uma espécie de
QI, porque como as pessoas os sites podem variar de muitas formas", disse ele.
"Eu estaria mais interessado em organizações diferentes classificando sites de formas diferentes."

O criador da world wide web lançou neste mês a Fundação Web, que se dedica a melhorar a confiabilidade da internet e aumentar a inclusão digital.
Berners-Lee criou o programa de hipertexto que revolucionou a rede enquanto trabalhava no Instituto de Partículas Físicas em Genebra.
O código de computador por ele inventado permitiu que cientistas compartilhassem pesquisas facilmente em uma rede de computador.

No início dos anos 90, essa rede foi batizada de "world wide web", cujas iniciais "www" formam a base da internet que conhecemos hoje.

Daqui

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Especialista em mundos virtuais sugere mudanças no SLO

O analista e desenvolvedor de MMORPGs, Scott Jennings, é hoje uma das maiores autoridades em mundos virtuais, tendo inclusive lançado um livro sobre o assunto, intitulado "Massive Multiplayer Games for Dummies" (Jogos de Mundos Massivos para Leigos).

Ele é um dos que acreditam que o modelo de assinatura mensal adotado por jogos como World of WarCraft está com os dias contados, e faz questão de basear suas opiniões em vivências dentro destes mundos virtuais, onde mantém um avatar e participa ativamente. Sobre o Second Life, onde seu nome é Lum Lumley, o autor já escreveu ensaios e apontou as qualidades que fazem do metaverso da Linden Lab um sucesso, principalmente entre as mulheres. Mas sem esquecer dos defeitos, ele respondeu ao blog New World Notes algumas perguntas sobre como aprimorar o Second Life. Seguem os três pontos mais importantes dessa conversa, em ordem de importância que o próprio Scott listou.

1- Investir pesado em serviços para clientes Enquanto a natureza libertária do SL é responsável por grande parte de seu crescimento, o fato é que mundos online são serviços; e serviços exigem suporte. A percepção é que o SL não dá apoio a seus usuários - retificando que para eles (usuários), precisa existir uma presença visível e reconhecível desse apoio.

2 - Limpeza da mainland Anúncios excessivos e Spam dão ao usuário uma impressão horrível do SL. Novamente, isso se opões aos impulsos libertários da Linden mas é parte do interesse comum da comunidade. Existem vários termos de uso para proprietários de ilhas e terras que a Linden pode se apoiar e, claro, reforçar essa limpeza, porém isso requer mais serviços para clientes e por isso esse ponto é o numero 2 e não o 1.

3 - Estabelecer parceria com empresas terceirizadas para fornecer diretório de serviços. Mesmo aprimorando a ferramenta de pesquisa (e desabilitando o "Lugares Populares", a melhor coisa que a Linden fez este ano) é muito difícil encontrar coisas no SL se você não sabe o que está procurando. Um "Guia Lonely Planet para O Second Life" seria ótimo. É surpreendente para mim que ninguém tenha pensado nisso ainda! Quando informado que a Linden já anunciou que proibirá as famigeradas AdFarms (terrenos entupidos de publicidade), Scott Jennings respondeu duramente: "Simplesmente anunciar uma nova apólice de uso e não reforçá-la meramente exibe um senso de má administração". Veremos se a Linden escutou o puxão de orelha de Jennings e buscará melhorar o metaverso para seus milhares de usuários. Fonte: NWN

O melhor site do mundo: City of David

A eleição ocorreu durante o “Terceiro Encontro de Webs do mundo”, realizado em Veneza. O "City of David" possui versões em hebraico, inglês, espanhol, francês e russo. Do evento, participaram especialistas de 169 países, dos quais 10 árabes.

Tribunal alemão confirma condenação de neonazista por racismo

O tribunal de Gotinga, no sul da Alemanha, confirmou hoje a pena de um ano de prisão por incitação ao ódio racial para Thorsten Heise, membro do neonazista Partido Nacional Democrático da Alemanha (NPD).Os integrantes do tribunal rejeitaram a apelação apresentada pelo neonazista, de 39 anos, contra uma sentença da Audiência Superior de Braunschweig que o condenava a essa pena, embora com o benefício da liberdade condicional.A corte de Braunschweig condenou Heise pela produção e venda entre 2001 e 2002 de seis mil CDs de um grupo musical neonazista com canções com incitações racistas e xenófobas.O presidente do tribunal de Gotinga deixou transparecer em sua sentença que teria imposto uma pena maior ainda a Heise, condenado em outros 11 processos anteriores.
Agência EFE

Notícias, infelizmente, do neonazismo

Enfrentamentos em show neonazista deixam 11 agentes feridos na Alemanha

Ao menos 11 agentes alemães ficaram feridos na noite deste sábado (23) ao serem atacados por ativistas neonazistas quando tentavam dissolver o público presente em show de grupo de extrema direita na cidade de Rostock (ao norte do país).
Um porta-voz informou que 11 policiais e três neonazistas ficaram feridos nos enfrentamentos, ocorridos em um antigo pavilhão industrial que servia de palco ao concerto, que não tinha sido autorizado pelas autoridades municipais.
Unidades antidistúrbios detiveram 38 jovens radicais de extrema direita procedentes dos Estados de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, Schleswig-Holstein e Berlim, e apreenderam materiais de propaganda.
Quando os agentes chegaram para dissolver o público que assistia ao show, foram recebidos com "uma chuva de caixas de cerveja, garrafas, bancos e até extintores", disse o porta-voz da Polícia.

Neonazistas atacam sistematicamente gays em província espanhola
Três neonazistas foram presos em flagrante pela polícia de Sevilha, Espanha, por atacar casal gay que andava de mãos dadas em uma praça na cidade.
O casal passeava na praça quando foi insultado por dois skinheads. Depois, outro agressor se juntou a eles e começaram a bater no casal.
Em um momento, segundo as testemunhas, um dos neonazistas sacou a faca e gritou "Hitler". Foi quando o casal foi salvo por transeuntes que passavam na praça e chamaram a atenção da polícia.
Com a chegada dos policiais, dois fugiram e um foi preso no local. Mais adiante, os outros agressores foram presos também.
Os rapazes foram identificados pela polícia como neonazistas devido às tatuagens, cabeças raspadas e inscrições nas camisas.
Dois deles, ambos de 22 anos, não tinham antecedentes criminais e o terceiro, de 25 anos, já foi preso quatro vezes por agressão.
As vítimas foram hospitalizadas. Um rapaz teve contusões na face e o namorado quebrou um dedo da mão e feriu os lábios.
O presidente da ONG Colega em Torremolinos disse que embora o ambiente da cidade não seja homofóbico aumentaram os ataques a gays ultimamente.

domingo, 14 de setembro de 2008

Blog de George Orwell cai na web após 70 anos

Há exatos 70 anos, no dia 8 de setembro de 1938, o escritor inglês George Orwell (”1984″) estava em Gibraltar, e de lá escreveu vários textos sobre o que vivia, via e lia na época, observando principalmente a cena natural e cultural. Esse textos, que compreendem o período de 9 de agosto de 1938 até outubro de 1942, estão sendo publicados pela Orwell Prize em associação com a Orwell Trust, Political Quarterly e Media Standards Trust, e serão sempre disponibilizados nas datas concatenadas com sua publicação original.

O autor de “A Revolução dos Bichos” escreveu com detalhes no post de hoje, há 70 anos, sobre as características das raças dos bodes que observou em Gibraltar, além de outros animais como burros, vacas, cães e gatos, e além das frutas da estação e do clima. No post de ontem (há 70 anos), fez observações sobre os jornais que encontrou e suas tendências, sempre com o seu conhecido olhar político e crítico. Um trecho:
English newspapers reach Gibraltar by P & O four days late. Local English daily Gibraltar Chronicle & Official Gazette, 8 pages of which about 21/2 pages advertisements, ld. Current number 31, 251. More or less pro-Fascist. Local Spanish papers El Annunciador and El Campanse, each four pages largely adverts, ld. Daily. No very definite standpoint politically, perhaps slightly pro-Franco. Ten or eleven Franco papers sold here, also three Government papers including Solidaridad Obrera. The latter at least six days old when obtainable here, and much less on evidence. Also two pro-Government Spanish papers published in Tangiers, El Porvenir and Democracia. Prices of these stated in Franco exchange. Impossible to discover sentiments of local Spanish population. Only signs on walls are Viva Franco and Phalangist symbol, but very few of these. Population of town about 20,000, largely Italian origin but nearly all bilingual English-Spanish. (…)

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Google e a construção do monopólio na web

ENTREVISTA / ANDRÉ FLEURY
Por IHU On-Line em 9/9/2008

Reproduzido da IHU On-Line, revista eletrônica do Instituto Humanitas Unisinos, 6/9/2008; título original "Google: nossas vidas como base para construção de um monopólio na web"
Há quem diga que a web 2.0 está criando novos tipos de paradigmas na sociedade, uma vez que disponibiliza um tipo de autonomia e interação que antes era quase impensável. Um deles é a economia da gratuidade. Serviços que antigamente eram caros e tecnicamente difíceis de serem utilizados hoje estão disponíveis na internet sem custo para usuário, e fazendo com que ele perca menos tempo e tenha mais qualidade em seu trabalho.


Quem está sabendo tirar partido desse novo cenário é a empresa Google. Para os mais entusiastas, os serviços parecem perfeitos, mas, quanto mais cresce o Google, maior fica também o monopólio que a empresa está construindo em torno dessas ofertas que disponibiliza. O que esperar?
Segundo o professor da USP, André Fleury, "o mercado financeiro reconhece que o monopólio que o Google está estabelecendo na web garante que, no futuro, a empresa poderá ser capaz de gerar receitas e barreiras para que novos participantes não sejam concorrentes diretos". Ele concedeu entrevista à IHU On-Line por telefone e falou sobre essa realidade que está surgindo e sobre o desenvolvimento da web 2.0 e o nascimento da web 3.0.
André Leme Fleury é graduado em Engenharia Mecânica de Produção, pela Universidade de São Paulo (USP). Realizou mestrado e doutorado em Engenharia de Produção na Universidade Federal de Santa Catarina e na USP, respectivamente. Na USP é professor e coordenador do projeto Cidade do Conhecimento. É autor de Dinâmicas organizacionais em mercados eletrônicos (São Paulo: Editora Atlas, 2001).
***
Já podemos falar em economia do gratuito em relação à internet? Como essa economia está se constituindo e que perspectivas podemos ter em relação ao seu desenvolvimento?
André Fleury – Sim, podemos falar sobre economia do gratuito, que está ainda nos seus passos embrionários. O que se quer dizer com "passos embrionários ou iniciais"? Se pegarmos o Google [Google Inc. é o nome da empresa que criou e mantém o maior site de busca da internet, o Google Search. O serviço foi criado a partir de um projeto de doutorado dos então estudantes Larry Page e Sergey Brin da Universidade de Stanford em 1996] como exemplo, veremos que ele vale 200 bilhões de dólares, mas fatura 7 bilhões exatamente por causa dessa economia da gratuidade que está surgindo agora. Em outras palavras, o Google tem uma quantidade de informações hoje em dia extremamente elevada em seu poder. Essas informações estão concentradas no YouTube, no Google Maps, no Google Earth, no Orkut (onde ele conhece muito das pessoas), entre outros serviços. Ele disponibiliza esses recursos onde obtém uma série de informações que são extremamente valiosas. No entanto, ainda não está claro como ele vai gerar modelos comerciais em relação a esse patrimônio que dispõem. Então, a economia do gratuito está ligada, num primeiro momento, à questão dos novos modelos de negócio que surgirão ao longo do tempo.
A segunda questão está relacionada ao compartilhamento do conhecimento para um bem comum e que, ao mesmo tempo que beneficia um usuário, dá retornos para a empresa também. São duas dinâmicas diferentes: a primeira se refere ao futuro das apostas na bolsa de valores que viabiliza recursos para que as empresas possam desenvolver ainda mais seus serviços, como é o caso do Google, e a segunda está relacionada aos softwares com códigos abertos. Aqui na USP, já estamos trabalhando essa questão e nos perguntamos: como compartilhar conhecimento de tal maneira que os professores possam utilizar o material um do outro e assim prestar melhores serviços, gerar conhecimento e oferecer aos repositórios o resultado disso?
A Web 2.0 é uma receita de inovação e integração para produção social realizada pelas empresas e instituições?
A.F. – A web 2.0, tecnologicamente, não representa inovação alguma, ou seja, as ferramentas que caracterizam a web 2.0, seja blog, wiki [o termo wiki é utilizado para identificar um tipo específico de coleção de documentos em hipertexto ou o software colaborativo usado para criá-lo; significa, em havaiano, "super rápido"], fóruns, são tecnologias que estão disponíveis há bastante tempo para a maioria das pessoas. O que realmente apresenta uma inovação é a forma de relacionamento. As empresas estão começando a despertar para essa coisa das interações e das redes sociais, mas existe ainda muito chão para elas construírem. Aqui na universidade, estamos trabalhando os conceitos de construção colaborativa de conhecimento, ou seja, como os alunos podem adquirir conhecimento necessário para desenvolver os seus trabalhos, analisar e resolver os problemas. A mudança de paradigma aí é bastante extensa porque muda o relacionamento professor-aluno. Antes, apenas o professor detinha o saber; hoje, os alunos buscam o conhecimento, disponibilizam e aplicam esse conhecimento, e o professor passa a ter uma postura de mediador de uma rede. Essa mudança é radical e requer muita maturidade.
O Google está criando cada vez mais plataformas para que possamos "empurrar nossa vida para dentro da web". Estamos criando uma cultura da inteligência coletiva com isso?
A.F. – Depende de como esse conhecimento será compartilhado. No momento em que transfiro uma planilha minha para o Google Docs, eu estou simplesmente mudando o meu canal de acesso. Não existe uma mudança significativa em relação ao compartilhamento de conhecimento. A inteligência coletiva só surge quando existe esse compartilhamento. Então seriam necessárias novas dinâmicas para trabalhar esses documentos de tal maneira que eles não sejam mais meus. Nesse sentido, eles passariam a incorporar e desenvolver novas possibilidades de captura, além de gerar uma nova forma de divulgação desse conhecimento.
Mas o que o Google ganha com essa totalidade de serviços gratuitos?
A.F. – Nada. O retorno só vem da bolsa de valores que investe no potencial dos serviços oferecidos. Por exemplo, a coisa mais cara é armazenar mídias, documentos etc. O Google oferece esse espaço que não temos e de forma gratuita. Existem links patrocinados, mas que não revertem o valor investido. No entanto, o mercado financeiro reconhece que o monopólio que o Google está estabelecendo na web garante que, no futuro, a empresa poderá ser capaz de gerar receitas e barreiras para que novos participantes não sejam concorrentes diretos.
A web 2.0 parece incluir cada vez mais as pessoas, isso porque seus dispositivos geralmente são fáceis de usar e permitem que se façam coisas na internet que antes só eram possíveis através de softwares caros e que exigem conhecimento técnico. Como está se constituindo o conceito de web 2.0 a partir dessa noção de excluídos e incluídos digitalmente?
A.F. – Eu separaria essa questão em duas. A primeira diz respeito aos softwares livres, que são tão bons ou melhores do que os softwares proprietários. Um exemplo é o moodle, que temos usado extensivamente em diversas iniciativas. [Moodle = Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment – Moodle é um software livre, de apoio à aprendizagem, executado num ambiente virtual. A expressão designa ainda o Learning Management System (sistema de gestão da aprendizagem) em trabalho colaborativo baseado nesse programa. Em linguagem coloquial, o verbo to moodle descreve o processo de navegar despretensiosamente por algo, enquanto fazem-se outras coisas ao mesmo tempo. O conceito foi criado em 2001 pelo educador e cientista computacional Martin Dougiamas. Voltado para programadores e acadêmicos da educação, constitui-se em um sistema de administração de atividades educacionais destinado à criação de comunidades on-line, em ambientes virtuais voltados para a aprendizagem colaborativa. Permite, de maneira simplificada, a um estudante ou a um professor integrar-se, estudando ou lecionando, num curso on-line à sua escolha.] É extremamente fácil baixá-lo, instalá-lo e configurá-lo. Esse software representa muito essa idéia da economia do gratuito, em outras palavras. Eu uso e me beneficio dele. A cada vez que ele é aprimorado, esse aperfeiçoamento é incorporado pela comunidade, caso ela ache isso apropriado. Essa cultura tende a se valorizar cada vez mais.
Em relação à exclusão e inclusão digital, a coisa é bem mais complexa. Eu não vejo uma relação direta entre a web 2.0 e a inclusão digital. Temos trabalhado muito o conceito de emancipação digital, que não é apenas a pessoa saber mexer nos recursos, mas ser capaz de gerar renda com esses recursos. Ainda há poucas iniciativas nesse sentido, pois requer uma série de outras iniciativas de educação para que essas pessoas possam usar essas ferramentas das melhores formas possíveis.
Como se configura hoje e como pode ainda ser melhor explorada a arquitetura da participação a partir do conceito de web 2.0?
A.F. – Esse é o principal desafio para quem está trabalhando com esse tipo de plataforma atualmente. O caso mais clássico que temos são os trabalhos de conclusão de curso que orientamos aqui na USP. Os alunos são conduzidos para trabalhar numa plataforma que tem wiki, tem fórum e assim por diante. E isso tem funcionado muito bem, pois as empresas estão interessadas nesse tipo de desenvolvimento e as universidades estão municiando esse aluno com todo conhecimento necessário para resolver esse problema. A participação está funcionando porque todos os lados estão trabalhando. O problema se apresenta quando só um lado está inserido nesse contexto. Essa evolução está muito relacionada ao jogo do estímulo e resposta.
A web 2.0 põe fim ao ciclo de lançamentos de softwares?
A.F. – Não. Os softwares estão relacionados à capacidade de inovação. Se se é capaz de inovar, o posicionamento no mercado estará muito bem. Os softwares que estão fadados a desaparecer são aqueles que pararam de inovar, o que dá tempo para a comunidade criar um software livre. Com o Office aconteceu isto quando o Open Office foi criado.
Como a nova geração da internet afeta a mídia?
A.F. – Estamos assistindo à convergência. Temos aí uma mudança de geração, ou seja, as pessoas precisam estar evoluindo no sentido de as novas mídias substituírem as mídias antigas, mas até agora nada muito efetivo aconteceu ainda. As grandes empresas estão sendo impactadas, mas ainda não de uma forma expressiva pela web. Mas haverá uma consolidação das novas mídias, certamente.
E o que viria ser a web 3.0?
A.F. – A web 3.0 tem dois significados. O primeiro é a web semântica, ou seja, os mecanismos de busca vão se transformar em agentes mais inteligentes capazes de trazer melhores respostas às perguntas formuladas. A segunda tendência diz respeito a capacidade de remunerar quem está gerando conteúdo e conhecimento. Quando o Google descobrir como ganhar dinheiro com o YouTube, nada mais justo do que ele passe uma parte do dinheiro que ganhou para quem postou o conteúdo. Mas é preciso ainda fazer uma grande reflexão acerca da web semântica e dos modelos de negócio.
Esse é o momento de as novas redes sociais ditarem as regras do mercado, da sociedade, das políticas etc.?
A.F. – Sem dúvida alguma. Tanto isso incomoda que a campanha política foi proibida para além dos sites oficiais dos candidatos. Isso porque as pessoas ainda não compreendem como a web 2.0 pode ser utilizada para a questão da política e, por isso, se proíbe. Tal movimento prova exatamente a capacidade dessa nova forma de comunicação entre novos mecanismos de percepção e avaliação dos usuários. No caso da política, essa questão assusta e daí ser mais fácil proibir do que tentar gerenciar o novo movimento.
E como o senhor vê a questão da discussão acerca do controle em relação à internet?
A.F. – Eu acho que ela é incontrolável. Ela nasceu na sua essência livre justamente para garantir a multiplicidade de fontes de informação. Proibições e ações judiciais atestam o quanto elas podem incomodar e o quanto ela é incontrolável. As corporações têm de se adaptar a elas e passar a jogar a partir dessa sociedade gerada a partir do novo conceito de web.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Quebra de sigilo no Orkut: criação de jurisprudência ante a dificuldade de identificação exata do criminoso

Do DireitoNet


Trata sobre os crimes de calúnia, difamação e injúria cometidos no universo virtual, principalmente em sites de relacionamento como o Orkut, a fragilidade de identificação dos criminosos e a dificuldade ainda em puní-los.

Fabiana Cristina da Silveira Pereira 06/09/2008


1. INTRODUÇÃO
O presente trabalho tem como objeto os crimes de calúnia, difamação e injúria ocorridos no meio virtual, suas penalidades e evoluções. Para tanto foram pesquisadas artigos na internet, jurisprudências e doutrina. Por serem crimes julgados por analogia, ainda não existem tipificações específicas, nem vasta jurisprudência. As jurisprudências apresentadas foram todas do Tribunal de Justiça de São Paulo.

2. A QUEBRA DE SIGILO EM SITES DE RELACIONAMENTOS
A Justiça Federal de São Paulo em abril de 2006 quebrou o sigilo de algumas comunidades do site orkut, site comandado mundialmente pela empresa americana Google e suas afiliadas nos respectivos países. Esta quebra trouxe a possibilidade de identificação dos criminosos que utilizam o referido site, cometendo os mais diversos crimes: pedofilia, racismo, nazismo e o objeto deste estudo, calúnia, difamação e injúria.
Apesar dos crimes de calúnia, difamação e injúria, mesmo ocorridos em ambiente virtual, serem facilmente tipificados, a dificuldade ocorre com a identificação do autor, pois o perfil criado pelo dono da comunidade, nem sempre é verdadeiro e mesmo que verdadeiro, outra pessoa de posse de sua senha, poderia cometê-lo em seu nome.
Desta forma, a quebra de sigilo resolve parte do questionamento. Porém, traz a tona uma nova problemática: Estariam os nossos tribunais aptos a julgar tais ações, com base simplesmente nas analogias?

3. CONCEITO DE HONRA
Segundo Guilherme Nucci, em seu Código Penal Comentado, Honra “ é a faculdade de apreciação ou o senso que se faz acerca da autoridade moral de uma pessoa, consistente na sua honestidade, no seu bom comportamento, na sua respeitabilidade no seio social, na sua correção moral; enfim, na sua postura calcada nos bons costumes ( Código Penal Comentado, Guilherme de Souza Nucci, 7ª edição revista, atualizada e ampliada. 2. tir. – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2007, pág. 608). Desta forma, honra está diretamente ligada a maneira como o indivíduo é visto e respeitado no ambiente em que vive. Sendo honra protegida pela CF 88, em seu Art. 5°, X, que menciona, serem invioláveis a honra e a imagem das pessoas.
A Honra pode ser classificada, segundo vasta doutrina, em honra objetiva e subjetiva.
Sendo a honra objetiva, a forma como a pessoa é vista pela sociedade e a honra subjetiva a maneira como o próprio indivíduo se enxerga, é o conceito que faz de si mesmo. Sendo a honra objetiva afetada nos crimes de calúnia e difamação e a honra subjetiva afetada nos crimes de injúria.

4. A CALÚNIA, DIFAMAÇÃO E A INJÚRIA NO UNIVERSO VIRTUAL
Os referidos crimes estão tipificados de maneira geral, e não especificamente no meio virtual, no capítulo V do nosso Código Penal. Sendo, calúnia, imputar falsamente fato criminoso a alguém, Art. 138, onde a pena vai de 6 meses a 2 anos e multa. Difamação, imputar a alguém, fato ofensivo a sua reputação, Art. 139, pena de 3 meses a um ano e multa, e injúria, ofender a dignidade ou o decoro de alguém, Art. 140, com pena de 1 a 6 meses, ou multa.
Todos estes crimes, encontram facilidade de execução e propagação na internet. Sendo a divulgação, ação imprescindível para a ocorrência dos mesmos, não poderia o criminoso, encontrar terreno mais fértil do que o orkut. Site este acessado somente no Brasil por mais de 11 milhões de internautas, e onde as informações ficam totalmente expostas, são públicas, principalmente em se tratando de comunidades, que são criadas por uma pessoa, que deverá colocar seu perfil, podendo ser este verdadeiro ou não. Sendo estas informações, como já citado, podendo ser acessadas por qualquer pessoa que tenha senha de acesso no orkut.
Qualquer pessoa que tenha a intenção de cometer um destes crimes, pode criar no referido site de relacionamentos, uma comunidade denegrindo a imagem de pessoas, ou empresas, e estas informações para serem acessadas não necessitam de senha, são públicas, e são divulgadas com uma velocidade que nenhum outro meio senão a internet proporcionariam.
Os tribunais têm condenado os responsáveis pela site orkut, a retirada de perfis e comunidades, quando suas vítimas recorrem à justiça. Num primeiro momento é esta a posição, cabendo caso não cumpra a determinação, todas as penalidades dos crimes cometidos, assim como o dano moral na esfera cível. Como exemplo, podemos citar jurisprudência do Colégio Recursal dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais do Estado de São Paulo, no recurso 30.453, onde a empresa Google defendou-se alegando que no site, há um ícone com o título denunciar abusos e que isto a isentaria da responsabilidade. Porém, o tribunal reconheceu como responsáveis a empresa representante no Brasil, por força de parceria para exploração da atividade. Teve o referido tribunal a opinião também que o princípio constitucional que protege a honra deve ser respeitado e não é menos importante que a liberdade de expressão. Alegou ainda que o anonimato somente pode ser garantido, quando não há desvios de objetivos e não é utilizados como escudo para o cometimento de ilícitos.
Da mesma forma entendeu o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, em seu acórdão 01714774, alegando como responsáveis pela exclusão da comunidade que denegria a imagem da empresa em questão a empresa Google Brasil Internet Ltda, afiliada da empresa de mesmo nome americana. Entendendo também que o direito de expressão, protegido constitucionalmente, não pode se sobrepor à outra garantia constitucional, que é a honra e a dignidade.

5. A IDENTIFICAÇÃO DOS ACUSADOS
Sem dúvida, a identificação do acusado é a maior dificuldade encontrada pelo ofendido a fim de defender-se, uma vez que a quebra de sigilo dos criadores das comunidades e perfis, comprova o terminal, local físico de onde as informações foram incluídas, porém de longe pode ser considerado método seguro, para identificação do autor e posterior punição dos crimes.
O Tribunal de Justiça de São Paulo, em seu acórdão 01669492, da comarca de Santo André, já considerou ser possível a identificação do autor no caso de crimes contra a honra, sendo possível através da quebra de sigilo identificar o terminal onde foi criada a comunidade, ou qualquer outro meio de delito virtual, não sendo possível precisar quem o criou. No referido acórdão o próprio autor, antes mesmo de ter periciada sua máquina confessou o crime, alegando a raiva que sentia da vítima que era responsável pelo RH da empresa em que trabalhavam como motivo do crime. Caso isto não ocorresse, a justiça teria sem dúvida um grave problema, pois há o princípio In dúbio pró réu que deve ser respeitado.
Para isentar-se de responsabilidades, as Lan Houses ( empresas que disponibilizam internet aos usuários, cobrando normalmente por hora), no Estado de São Paulo, contam com a Lei 12.228/06, a qual obriga os estabelecimentos a efetuarem cadastro de seus usuários, sendo sem dúvida este um enorme passo para a identificação dos usuários que utilizavam estes estabelecimentos com a finalidade de cometer crimes.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Jurisprudências puderam ser criadas desde que houve a possibilidade da quebra de sigilo na internet por parte dos provedores e, como citado, os crimes podem perfeitamente ser tipificados sejam cometidos, na internet, jornal, televisão, ou qualquer outro meio, não sendo esta a questão principal. Uma vez que calúnia é calunia em qualquer lugar, pedofilia também e todos os demais crimes. A grande discussão está na identificação segura dos criminosos. Pois, jamais o judiciário poderá condenar uma pessoa, sem ter a certeza de que realmente é ela a autora do delito. Pois contrariaria desta forma, princípios constitucionais.
O ministério público, os órgãos do Judiciário e a sociedade em geral clamam por solução, para a questão da identificação dos criminosos na internet. Pois como, citado são cometidos os mais variados crimes no universo virtual. Todos sabem que já passou da hora disto ocorrer, e o nosso direito positivado que é, infelizmente não acompanha as mudanças tecnológicas ocorridas nos últimos tempos. e onde todos visualizam as informaçpor mais de 11 milha. pr serem inviolnte na sua honestidade, no seu bom comportamento, na Sendo necessário, primeiro ocorrer a situação, para após longos estudos e discussões, que sem dúvida são importantíssimos serem criadas leis e mecanismos de proteção das mesmas. Enquanto isso, a internet permanece sendo terra de ninguém.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Nucci, Guilherme de Souza, Código Penal Comentado, 7ª edição revista, atualizada a ampliada. 2. tir. – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2007.
Costa Júnior, Paulo José da, Direito Penal: Curso Completo. 6ª ed. – São Paulo: Saraiva, 1999.
IBDI Instituto Brasileiro de Direito da Informática http://www.ibdi.org.br
DireitoNet Artigo http://www.direitonet.com.br/artigos/x/26/08/2608 de Marlon Nogueira Flick, publicado em 08/05/2006.
Opice Blum Advogados Associados http://www.opiceblum.com.br/a33.htm

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Tribunal alemão confirma condenação de neonazista por racismo

O tribunal de Gotinga, no sul da Alemanha, confirmou hoje a pena de um ano de prisão por incitação ao ódio racial para Thorsten Heise, membro do neonazista Partido Nacional Democrático da Alemanha (NPD).Os integrantes do tribunal rejeitaram a apelação apresentada pelo neonazista, de 39 anos, contra uma sentença da Audiência Superior de Braunschweig que o condenava a essa pena, embora com o benefício da liberdade condicional.A corte de Braunschweig condenou Heise pela produção e venda entre 2001 e 2002 de seis mil CDs de um grupo musical neonazista com canções com incitações racistas e xenófobas.O presidente do tribunal de Gotinga deixou transparecer em sua sentença que teria imposto uma pena maior ainda a Heise, condenado em outros 11 processos anteriores.
Agência EFE

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

a perene, insuspeitada alegria de con-viver



"O homem, bicho da Terra tão pequeno
chateia-se na Terra
lugar de muita miséria e pouca diversão,
faz um foguete, uma cápsula, um módulo
toca para a Lua
desce cauteloso na Lua
pisa na Lua
planta bandeirola na Lua
experimenta a Lua
coloniza a Lua
civiliza a Lua
humaniza a Lua.

Lua humanizada: tão igual à Terra.
O homem chateia-se na Lua.
Vamos para Marte – ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em Marte
pisa em Marte
experimenta
coloniza
civiliza Marte com engenho e arte.

Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro – diz o engenho
sofisticado e dócil.
Vamos a Vênus.
O homem põe o pé em Vênus,
vê o visto – é isto?
idem
idem
idem.

O homem funde a cuca se não for a Júpiter
proclamar justiça junto com injustiça
repetir a fossa
repetir o inquieto
repetitório.

Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira Terra-a-terra.
O homem chega ao Sol ou dá uma volta
só para tever?
Não vê que ele inventa
roupa insiderável de viver no Sol, falso touro
espanhol domado.

Restam outros sistemas fora
do solar a col-
onizar.
Ao acabarem todos
só resta ao homem
(estará equipado?)
a dificílima dangerosíssima viagem
de si a si mesmo:
pôr o pé no chão
do seu coração
experimentar
colonizar
civilizar
humanizar
o homem
descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
a perene, insuspeitada alegria
de con-viver. "

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

Os anacronautas do teutonismo virtual : uma etnografia do neonazismo na internet

Para baixar a pesquisa, clique aqui.

Resumo: Esta pesquisa busca apreender o universo simbólico das URLs racistas, revisionistas e neonazistas na Internet. O propósito da investigação é, por meio da observação etnográfica das práticas e representações discursivas expostas em sites, portais, comunidades, fóruns, chats e listas de discussão, que abordam este tema, compreender que tipo de relação se constrói entre o espaço digital e a defesa da idéia de "raça ariana", realizada por meus "nativos". Como foco privilegiei os aspectos simbólicos que melhor evidenciam a interface entre estas duas dimensões, por meio da pesquisa empírica e do exercício teórico. A partir deste recorte, emergiram algumas perspectivas relevantes na construção identitária que o racista desenvolve para si e para o outro, tais como as marcas genômicas e mitológicas evidentes em seu discurso, as redefinições da fronteira entre digitalidade e realidade e a luta política "dos arianos", na WEB. O argumento central resultante da pesquisa é de que o neonazismo interpreta simbolicamente o mundo contemporâneo, nos sites analisados, articulando mitos, narrativas e rituais. Neste processo, evidencia-se a elaboração de uma forma específica de identidade: o "teutonismo"

Audiência em queda

Globo admite ter medo da internet
Fonte: blog de Jamildo

A TV Globo deixou clara a preocupação com novas mídias no 5º Fórum Internacional de TV Digital, realizado na sexta-feira, no Rio de Janeiro.
Representada pelo diretor de engenharia, Fernando Bittencourt, a emissora se posicionou em combate à multiprogramação na TV digital e ignorou a queda da audiência na TV aberta, fato já consumado segundo o Ibope.
Bittencourt mostrou tensão com o avanço da internet no país, em movimento que ameaça um modelo de negócios já estabelecido há décadas. "
No cenário de mídia, falando do passado, nós éramos felizes e não sabíamos. Isso
há dez, 15 anos. A única forma de ver televisão era pelo ar",
disse, lembrando o avanço da web, em declaração publicada pelo jornal Folha de S.Paulo.
TV digital
O executivo rechaçou também qualquer possibilidade de a emissora aderir à transmissão de vários canais em um mesmo espectro na TV digital. Alegou que a medida não trará mais anunciantes e , por isso, não há motivos para investimentos.
"A TV aberta sobrevive de publicidade - essa não sabe se é analógica ou digital,
quem sabe é a gente. Nós não temos dinheiro novo na TV digital. Então, se você
assumir a multiprogramação, significa que o dinheiro que a gente tem é o mesmo
para produzir mais de um, dois programas"
disse à Folha. O representante da Globo até tentou argumentar sobre a queda de audiência na TV aberta frente à internet e DVDs. Viu o lado positivo da coisa. Baseado em dados do mercado norte-americano, disse que ao mesmo tempo em que a audiência diminui, cresce a participação da TV nos investimentos em mídia.
Também participaram do painel "Grandes Redes no Ambiente Digital" Frederico Nogueira, vice-presidente da Band, José Marcelo do Amaral, diretor de tecnologia da Record e Alexandre Sano, executivo de tecnologia do SBT.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

ONU cobra empenho da Rússia contra racismo e neonazismo

Reuters/Brasil Online
Por Robert Evans

GENEBRA (Reuters) - Uma importante comissão da Organização das Nações Unidas manifestou na segunda-feira alarme contra a crescente violência racial na Rússia, e pediu ao país mais empenho contra grupos ultranacionalistas e neonazistas e contra a retórica do ódio na imprensa.
O Comitê para a Eliminação da Discriminação Racial também pediu ao governo que investigue a repressão contra georgianos registrada em 2006 na Rússia.

O comitê se disse "gravemente preocupado com o aumento alarmante na incidência e gravidade da violência racialmente motivada, especialmente por parte de jovens pertencentes a grupos extremistas."
Os alvos do discurso e dos atos de violência são principalmente chechenos, mas também outros povos do Cáucaso e Ásia Central, ciganos, turcos, judeus, muçulmanos e africanos.
O relatório é resultado de discussões dos 18 integrantes da comissão com uma delegação russa e com grupos de direitos humanos do país, ocorrida neste mês.
Ativistas de direitos humanos disseram durante as audiências que a polícia costumava se omitir quando grupos de "skinheads" e neonazistas realizavam manifestações contra judeus, minorias étnicas e estrangeiros.

O comitê pediu uma "profunda investigação" sobre fatos que em 2006 a Geórgia disse refletir o racismo contra seus cidadãos. De acordo com relatos citados pela comissão, a polícia russa teria detido centenas de georgianos, inclusive alguns com cidadania russa, para em seguida mantê-los em prisões lotadas ou deportá-los com pouca ou nenhuma garantia jurídica.
A análise do caso ocorreu antes do início do atual conflito armado entre Geórgia e Rússia neste mês, por causa do controle da Ossétia do Sul.
O texto diz também que tribunais de toda a Rússia vêm determinando a destruição de tradicionais assentamentos ciganos e ordenando que crianças desse grupo sejam colocadas em classes especiais.

A comissão pede que a Rússia aja contra policiais e outras autoridades envolvidas em "prisões racialmente seletivas, revistas e outros atos injustificados" com base na aparência das pessoas.
O comitê afirma que o governo tenta combater a incitação ao ódio racial e religioso na imprensa e, em menor medida, por parte de partidos e políticos. Mas afirma que nos últimos tempos esse tipo de manifestação - tanto na mídia quanto na política - ganhou espaço.

sábado, 16 de agosto de 2008

RENÉ ARMAND DREIFUSS

RENÉ ARMAND DREIFUSS
TRANSFORMAÇÕES: MATRIZES DO SÉCULO XXI
Resenha
Estrella Bohadana*
Transformações: matrizes do século XXI é o legado com que René Armand Dreifuss, um dos mais brilhantes cientistas políticos da atualidade, falecido em maio de 2003, brinda o leitor. Com essa obra póstuma de quase 700 páginas, o autor do clássico 1964: A Conquista do Estado, publicado pela Editora Vozes em 1980, aumenta o acervo de suas fascinantes pesquisas, apresentando mais uma vez um pensamento de fina prospecção, agudeza e ousadia, pronto a analisar e a denunciar os diferentes liames que tecem os fios do poder.
Mergulhando nas várias articulações das corporações que constituem o sistema de produção global, em Transformações: matrizes do século XXI Dreifuss desvenda os vínculos entre as diferentes corporações e o modo pelo qual estas alimentam as tecnognoseonomias e os pólos motores de desenvolvimento tecnológico e de produção, e por eles são alimentadas.
Dreifuss apresenta uma investigação rica e minuciosa das mutações tecnológicas, aprofundando dois conceitos importantes, elaborados em seu livro A época das perplexidades, de 1996, publicado pela Editora Vozes, hoje na 4a edição: o capacitador teleinfocomputrônico satelital e os tecnobergs.
No que se refere ao capacitador teleinfocomputrônico satelital, esse aprofundamento conceitual revela-se quando o autor demonstra que, como potência, o capacitador retroalimenta as mais diversas descobertas científicas, além de se constituir em potente suporte viabilizador de um novo modo de produção e de novas organizações sociais da produção, ambos sinergeticamente transnacionalizados e realizando-se de maneira global.
A partir dessa formulação, o autor afirma que, com o auxílio dos sistemas de comunicação digitalizada, o planeta ingressa em uma forma de existência que supera distâncias, propiciando inovações na mobilidade e na agregação social, e facilitando, para alguns grupos sociais, a vinculação sistemática, constante, ampla e profunda dos “muito distantes” (em termos de personalidade, cultura e geografia). Ao mesmo tempo, porém, promove a segregação de outros grupos – basta verificar a diminuta participação dos países que constituem o eixo Sul-Sul.
Esses sistemas, por sua vez, ao provocarem seqüências de interação pontual, serial e circunstancial, tornam-se manifestações que se processam tanto dentro de perímetros nacionais, estando espacialmente localizadas, quanto em espaços transfronteiriços, como eventos desterritorializados. Dessa maneira, tais sistemas desempenham papéis essenciais como insumo e como produto final, constituindo-se simultaneamente em instrumento de produção e de serviço, e operador em tempo real. Tendo como traço marcante sua difusão mundial em curtíssimo intervalo de tempo, trata-se de tecnologias aplicadas em todas as atividades do planeta, vinculadas ao existir humano e capazes de afetar todas as funções societárias. Assim, estando a comunicação no comando do cotidiano, o complexo capacitador teleinfocomputrônico satelital delineia também outro paradigma cognitivo.
Aprofundado o conceito do capacitador, Dreifuss, de forma engenhosa, demarca um estádio diferente para designar os tecnobergs, que passariam a determinar os processos substanciais de modificação nos horizontes e no sentido da vida, reformulando as relações entre os Estados e delineando não só uma nova heterotopia econômica transnacional, como também uma nova ordem internacional e transfronteiriça do conhecimento, ambas acopladas a uma heterarquia político-estratégica. Esboçam-se, portanto, os elementos constituintes de outro modo de organização social da produção globalizada, que demanda uma profunda reorganização empresarial. As conseqüências de tal reorganização para o comércio entre as nações contribuem para o desemprego estrutural, em seu formato atual, e para o lazer ampliado de grupos seletos. Ademais, são estimuladas distintas dimensões da pesquisa e da utilização da ciência e da tecnologia, direcionando o processo de produção de conhecimento e de desenvolvimento de saberes e destrezas, bem como de sua aplicação, fortalecendo, como gnoseonomia, os entornos da oikonomia.
No cerne dos tecnobergs, as corporações, que se configuravam em função de uma racionalidade bipolar de instalação das indústrias e dos serviços (doméstico-multidoméstico, local-multinacional), passam a ser globalizadas. Esses tecnobergs alavancam três fenômenos multifacetados, simultâneos, diferenciados e que se reforçam mutuamente: a mundialização de estilos, usos e costumes (metanacional); a globalização tecnológica, produtiva e comercial (transnacional); e a planetarização da gestão (supranacional). Esses fenômenos (também apresentados em A época das perplexidades) são discutidos agora a partir do amplo acoplamento do processo de concentração de controle de propriedade dos meios de produção e comercialização, que se dá em cada segmento dos produtos de consumo de massa. Esse processo de concentração é visto no livro por meio das fusões, alianças e aquisições, em movimentos transnacionais (intra, inter e multissetoriais) e apoiado na interação potencializadora dos variados conhecimentos, interligando ainda mais os processos de mundialização e de globalização.
Nessa dinâmica atual, ao concentrar a propriedade e o controle dos agentes, e oligopolizar os meios de pesquisa e a produção por meio de fusões e incorporações, a nova fase do processo de mundialização e de globalização assegura a produção transnacional, realizada e centrada no que será definido pelo autor como corporações estratégicas.
De maneira inusitada, Dreifuss demonstra como as corporações estratégicas, interagindo por meio de matrizes, definem suas core competences, num processo concentracionista que desmonta a lógica anteriormente prevalente de grandes conglomerados de capital com investimentos diversificados, estipulando agora uma diferente relação entre ciência e tecnologia como eixo de refocalização das cadeias produtivas.
Ao mesmo tempo, o autor mostra como se dá a transição-em-rede das redes para um tecido de pesquisa e produção transnacional, muito mais complexo em seu desenho produtivo e de comercialização, sustentado por conhecimentos e agindo como concentrador de capacidades. Para Dreifuss, neste cenário configura-se uma sucessão infindável de compras, vendas, desmantelamentos e integrações complementares.
Como desdobramento, forma-se também uma heterotopia tecnoprodutiva multinacional, transitória em tempo e em referências, configurando rapidamente uma equivalência gnoseogeonômica, ambas determinadas pelo entrelaçamento de focos indutores de ciência e tecnologia, com a correspondente concentração de conhecimento e disponibilidade para realizações de ponta, através de pólos motores tecnoprodutivos e de plataformas terceirizantes e quarteirizantes de produção e comercialização.
A integração global de operações empresariais e atividades tecnoprodutivas, afirma o autor, compreende não só a luta por mercados e sua partilha, mas também o desenvolvimento de estratégias corporativas de participação nos mercados, buscando formas de compartilhá-los.
A lógica da infonomia ou da gnoseonomia dos tecnobergs e da formação de sociedades de informação é a da primazia das core competences e da determinação de padrões a partir delas, com base na dinâmica de integração de meio, mensagem e conteúdo. Partindo de cada segmento, procura-se expertise nos outros, assim como complementação.
De maneira brilhante, encontramos em Transformações: Matrizes do Século XXI o modo pelo qual as corporações estratégicas do complexo capacitador de conteúdo buscam a fusão ou a absorção de corporações que possam viabilizar suas opções de comando e indução científico-tecnológica (ou seja, que lhes permitam dominar os vários segmentos de conhecimento que o compõem) e de predominância tecnonômica no espaço multimidiático e multifuncional do emergente sistema teleinfocomputrônico satelital de produção e de serviços. As empresas procuram controlar o formato, os meios e o conteúdo.
Finalmente, o autor, retomando os conceitos de mundialização, globalização e planetarização, revela a maneira pela qual a nova dinâmica, galgada por esses fenômenos, bem como as tendências à configuração de hierarquias de conhecimento mutáveis, heterotopias-em-recomposição de pesquisa e produção, poliarquias supranacionais em gestação e heterarquias político-estratégicas convergentes implicam uma multiforme e complexa emergência e constituição de outra realidade.
Realidade paradoxal, posto que, concomitantemente a esse processo, uma significativa parcela da população mundial se encontra alijada dos benefícios de tamanha concentração de conhecimento gerado pelos tecnobergs. Portanto, é imperativo que se repensem outros caminhos que permitam um novo caminhar, a fim de devolver à humanidade a crença de que é possível fazer do planeta Terra um habitat digno de nossa existência.
E, em memória de René Armand Dreifuss, que acreditou na possibilidade de o homem transformar a realidade, vale lembrar a frase com que encerra seu Transformações: Matrizes do Século XXI: “E o jogo continua...”
* Filósofa, doutora em História dos Sistemas de Pensamento – Escola de Comunicação da UFRJ –, autora de vários livros e periódicos e integrante do corpo docente do Mestrado em Educação e Cultura Contemporânea da UNESA – Rio de Janeiro. Esposa de René Dreifuss e responsável pela editoração da obra póstuma, incluindo Transformações: Matrizes do Século XXI, Petrópolis, Editora Vozes, 2004, objeto desta resenha.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Sabíamos que a Web era grande!

Do blog do Google
Publicado por: Jesse Alpert & Nissan Hajaj, Engenheiros de Software,
Equipe de Infra-estrutura de Busca na Web

Há muito tempo que sabemos que a Web é grande! O primeiro índice do Google em 1998 já tinha 26 milhões de páginas, em 2002 o índice do Google atingiu a marca de um bilhão.

Nos últimos oito anos temos visto números bastante grandes em relação ao conteúdo real por aí afora. Recentemente, até mesmo os nossos engenheiros de busca se espantaram ao ver o quão grande é a Web hoje em dia - quando os nossos sistemas, encarregados de processar os vínculos na Web para descobrir qualquer novo conteúdo, chegaram à surpreendente marca de: 1 trilhão (1.000.000.000.000) de URLs na Web ao mesmo tempo!

Então, quantas páginas tem a web realmente? Nós não sabemos; não temos tempo para ver todas elas! Falando estritamente, o número de páginas lá fora é infinito - por exemplo, os calendários web podem ter um link "dia seguinte", e nós poderíamos seguir esse link eternamente, encontrando uma nova página a cada vez que o fizermos. Não estamos fazendo isso, obviamente, pois não haveria nenhum benefício para os usuários nisso. Mas este exemplo demonstra que o tamanho da web depende realmente da sua definição do que é uma página útil, e para isso não existe uma resposta exata.Nós não indexamos cada uma desse trilhão de páginas – muitas delas são similares umas às outras, ou representam um conteúdo similar ao do exemplo do calendário, que não trazem muitos benefícios para os usuários de busca. Mas nós estamos orgulhosos de ter o índice mais completo de todos as ferramentas de busca, e nosso objetivo sempre foi relacionar toda a informação do mundo.Para estar em dia com este volume de informação nossos sistemas passaram por um longo progresso desde o primeiro conjunto de dados da web que a Google processou para dar resultaods às buscas. Naquela época fazíamos tudo rodadas: uma estação de trabalho podia computar o diagrama de 26 milhões de páginas em um espaço de poucas horas, e aquele conjunto de páginas seria utilizado como o índice da Google por um determinado periodo de tempo.

Hoje em dia, Google download da web constantemente, colhendo informação atualizada das páginas e processando novamente um diagrama inteiro de links da Web várias vezes por dia. Esse diagrama de um trilhão de URLs é semelhante a um mapa composto por um trilhão de cruzamentos. Assim, fazemos múltiplas vezes por dia o equivalente computacional de explorar totalmente cada cruzamento de cada estrada nos Estados Unidos. Com a diferença de que esse mapa seria mais ou menos 50.000 vezes maior que o dos Estados Unidos, com 50.000 vezes mais estradas e cruzamentos.Como você pode ver, a nossa infra-estrutura distribuída permite que as aplicações atravessem eficientemente um diagrama de links com vários trilhões de conexões, ou rapidamente classifica petabytes de dados, simplesmente para nos preparar para responder a pergunta mais importante: sua próxima busca no Google.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Orkut será administrado por escitório da Google em Belo Horizonte

O Google anunciou, nesta quinta-feira, que vai transferir o controle do Orkut para o Brasil. Até agora, o site de relacionamentos era administrado por uma equipe na Califórnia, Estados Unidos. Com a nova administração, que começou a ser implantada em julho, o escritório da empresa em Belo Horizonte vai gerenciar a rede. Para entidades de controle e combate a crimes na internet, a mudança pode ajudar a agilizar a retirada do ar de páginas com material ilegal como pedofilia, tráfico de drogas, racismo e apologia ao crime.

De acordo com a Google Inc., a unidade brasileira se mostrou madura o suficiente para assumir a responsabilidade. Os brasileiros serão responsáveis pelo desenvolvimento, estratégia e pelas melhorias no Orkut, mas irão dividir a parte de engenharia do site com os indianos, segunda maior nação que utiliza a rede de relacionamentos. O Brasil é o primeiro colocado.

Segundo dados recentes do Ibope/NetRatings, o Orkut teve, em maio, 16,1 milhões de usuários únicos em ambiente residencial no Brasil. O país é o que tem mais pessoas cadastradas no portal (54%), seguida pela Índia (17%) e Estados Unidos (15%).

Para o presidente da SaferNet Brasil, principal entidade de combate aos crimes na internet, Thiago Tavares, a mudança do Orkut para o país pode agilizar ainda mais a retirada de páginas ilegais do ar, facilitar a identificação de usuários que cometerem crimes e acelerar o desenvolvimento de ferramentas para impedir a publicação de material proibido pelas leis brasileiras.

A criação desses filtros é uma das medidas que constam em acordo assinado entre o Google e o Ministério Público Federal para coibir crimes na rede. "Antes, páginas de pedofilia ficavam de três a quatro semanas no ar, mesmo depois que eram denunciadas. De 2006 até o ano passado, esse prazo ainda supeprior a 15 dias. Agora, as denúncias são apuradas e as páginas retiradas do ar em até 24 horas. Mas isso ainda pode diminuir", avalia Tavares.