Mostrando postagens com marcador genômica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador genômica. Mostrar todas as postagens

domingo, 25 de novembro de 2007

Deu na Folha...

O DNA do racismo
James Watson, o co-descobridor da molécula de DNA e ganhador do Nobel de 1953, pisou na bola. Em Londres para a divulgação de seu novo livro "Avoid Boring People" (evite pessoas chatas ou evite chatear as pessoas), ele deu declarações escandalosamente racistas. Acho que nem o Borat ou qualquer outro comediante querendo troçar do politicamente correto teria ido tão longe.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

deu no UOL: Nobel da Medicina é atacado por comentários tachados de racistas

Um Nobel ...
Que absurdo! Watson, elementar,
Somos TODOS humanos!

17/10/2007 - 13h51
Nobel da Medicina é atacado por comentários tachados de racistas
Da EfeEm Londres

O prêmio Nobel de Medicina James Watson, pioneiro no trabalho de deciframento do genoma humano, chega hoje ao Reino Unido em meio a uma polêmica surgida após ter algumas de suas declarações tachadas de "racistas".

O pesquisador americano, de 79 anos, declarou ao jornal "The Sunday Times" ser pessimista sobre a África, pois as políticas ocidentais se baseiam na crença de que "a inteligência dos africanos é como a nossa, algo que é contradito por todos os testes efetuados".Essas opiniões também constam em um livro que será publicado na semana que vem, e no qual Watson escreve que não há motivo algum para crer que "as capacidades intelectuais de povos separados em sua evolução tiveram que evoluir de modo idêntico"."

Querer considerar um poder igual da razão como uma herança comum da humanidade não é suficiente para que seja assim", escreve o pesquisador.A polêmica em torno dessas declarações lembra a criada em 1990 pelo livro "The Bell Curve", do analista político americano Charles Murrey, quem sugeriu que as diferença intelectuais poderiam ter origem genética.Watson participará de uma conferência no Museu da Ciência de Londres, e seus críticos exigem uma resposta firme a seus controversos pontos de vista."

É triste que um cientista que alcançou tanto em seu campo se rebaixe a fazer esse tipo de comentário, sem nenhuma fundamentação científica", disse o deputado trabalhista Keith Vaz, presidente da comissão para assuntos internos da Câmara dos Comuns.

"Tenho certeza de que a comunidade científica repudiará o que parece não ser mais que um preconceito pessoal", acrescentou.O cientista americano alcançou fama internacional quando, trabalhando na Universidade de Cambridge (Inglaterra), fez parte da equipe que descobriu a estrutura do DNA.Por seu trabalho, Watson foi premiado em 1962 com o Nobel de Medicina junto a seu colega britânico Francis Crick e ao neozelandês Maurice Wilkins.Esta não é a primeira polêmica em que Watson se vê envolvido.

Em 1997, o pesquisador declarou a um jornal britânico que uma mulher deveria ter o direito de abortar caso um teste pré-natal determinasse que o feto que levava em seu ventre seria homossexual, embora depois tenha dito que se tratava de uma escolha "hipotética".Watson também sugeriu a existência de uma relação entre a cor da pele e o instinto sexual, superior nos negros. Segundo o jornal "The Independent", o pesquisador seria favorável à engenharia genética por considerar que um dia será possível "curar a estupidez".

terça-feira, 5 de junho de 2007

De raças, racismo e sociobiologia

Nélio Rodrigues - Revista Galileu

Sérgio Danilo Pena - Professor titular do Departamento de Bioquímica e Imunologia da UFMG e presidente do Gene - Núcleo de Genética Médica de Minas Gerais

Lamentavelmente o professor José Alexandre Felizola Diniz Filho entendeu de maneira equivocada as minhas declarações publicadas em GALILEU em fevereiro de 2003. A fonte da sua confusão parece ter sido o fato da palavra "raça" poder assumir diferentes significados.
Biologicamente, a raça é usada como um sinônimo de subespécie e caracterizada pela existência de linhagens evolutivas distintas dentro das espécies (Templeton, A.R. Am. Anthropol. 100: 632, 1999). Assim, a presença de diferenciação genética é uma condição necessária, embora não suficiente, para a definição de subespécies ou raças. Na prática, a diferenciação genética é mensurada comparando a variabilidade entre indivíduos dentro das raças com a variabilidade entre as raças. Como no Homo sapiens a variabilidade dentro das chamadas "raças" (grupos continentais) representa 93% a 95% da variabilidade genética total, caracteriza-se assim a ausência de diferenciação genética e, conseqüententemente, a inexistência de raças humanas.
Entretanto, a palavra "raça" também serve para denotar categorias socialmente definidas.
Em seu livro "Classes, Raças e Democracia", Antônio Sérgio Guimarães distingue a crença de que raças existam cientificamente ("racialismo") da prática odiosa de discriminação com base em "diferenças raciais" (racismo): indivíduos podem ser racialistas ou não-racialistas e, separadamente, racistas ou anti-racistas. Fica claro que a inexistência de raças do ponto de vista biológico não impede a ocorrência do racismo, já que este depende somente da existência de "raças" como construções sociais. Esta diferença entre os dois sentidos da palavra "raça" é sutil e parece ter escapado a Diniz Filho. Mas ela é importantíssima, como demonstra a polêmica sobre o pedido de habeas-corpus de Siegfried Ellwanger, atualmente sendo apreciado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ellwanger foi condenado por crime de racismo no Rio Grande do Sul, por ter editado obras de conteúdo anti-semita. A argumentação do seu recurso perante o STF, surpreendentemente acolhida pelo ministro relator, foi de que ele não poderia ter cometido o crime de racismo previsto na Constituição, porque os judeus não compõem uma raça. Em brilhante opinião contrária, o ministro Maurício Corrêa defendeu uma interpretação "teleológica e sistêmica" da Constituição Federal, afirmando que a genética baniu de vez o conceito tradicional de raça e que a divisão dos seres humanos em raças decorre de um processo político-social originado da intolerância dos homens. O julgamento final estava previsto para o fim de abril.

Sobre o tema da sociobiologia, abordado por César Ades em carta na edição de abril, reafirmo que o paradigma de organização social humana apresentado em 1975 por Edward Wilson no livro "Sociobiology: The New Synthesis" é inaceitável, por ser reducionista e biologicamente determinista. Como Lewontin, Rose e Kamin afirmam em "Not in Our Genes": "A Sociobiologia é uma tentativa de fornecer um alicerce científico a Adam Smith [1723-1790]. Ela mistura mendelismo vulgar, darwinismo vulgar e reducionismo vulgar, a serviço do status quo". Assim, não é surpresa nenhuma que a sociobiologia tenha sido acolhida de braços abertos pela direita americana, que passou a usá-la para justificar "cientificamente" suas posições reacionárias.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

NA GENÔMICA E NO MITO: AS ORIGENS DISCURSIVAS QUE TENTAM DEFINIR O LUGAR DA RAÇA

Nos sites pesquisados aparecem dois tipos de relações discursivas: ora se articulam a referências que se pretendem científicas, por se valerem de uma gramática biologista, ora se associam a "verdades absolutas" (ELIADE:1992:108) cifradas em códigos simbólicos demarcados numa atmosfera profundamente mítica, estabelecem condições para que seu léxico se pretenda irrefutável. O discurso racista regula, seleciona, organiza, redistribui e articula poderes e perigos: a supremacia racial branca está no epicentro das discussões acerca dos poderes e a ameaça de sua extinção, em particular pela possibilidade de casamentos inter-raciais ou por adoção de crianças negras, emoldura as discussões a respeito dos perigos. Impera um direito de falar privilegiado ou exclusivo, exercido apenas pelos responsáveis dos sites, geralmente líderes de movimentos "que lutam pelos ideais da supremacia ariana" (EM, NA, V88), ou por militantes destes movimentos, freqüentemente para narrar como se descobriram portadores do "precioso sangue" (3W), e como esta descoberta transformou sua vida, afastando-os dos perigos que envolvimentos afetivos com judeus ou negros apresentariam. Os sites delimitam tabus: qualquer tentativa de se tecer um mínimo elogio a negros e judeus, em fóruns ou listas de discussão, provoca reações fortíssimas, muitas vezes expulsões