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quinta-feira, 2 de junho de 2011

Geórgia bane símbolos do comunismo e do nazismo em meio a ambiente tenso no país


Geórgia bane símbolos do comunismo e do nazismo em meio a ambiente tenso no país

1/6/2011 14:22,  Por Redação, com agências internacionais - de Tbilisi
Geórgia
Manifestante na Geórgia é preso durante revolta popular abafada pelas forças de segurança
O parlamento daGeórgia baniu o uso de símbolos nazistas e comunistas no país e aprovou, nesta quarta-feira, um pacote de restrições legais para as pessoas ligadas à ex-União Soviética, tanto às agências do serviços secretos quanto às organizações do Partido Comunista da antiga URSS. As alterações fazem parte da Carta da Liberdade, votada no Parlamento após três rodadas de votações, em meio a um ambiente de tensão no país.
Autor do documento, o deputado e chefe da facção Geórgia Forte, Giya Tortladze, comemorou:
– O público tem esperado a adoção desta lei há duas décadas, e eu estou orgulhoso de aprovação do documento. O objetivo da Carta é tomar medidas preventivas para combater a ideologia comunista ou nazista, invasões sobre os princípios da segurança do país, contra o terrorismo e os crimes contra o Estado. Ele tem de contribuir para o funcionamento eficaz das normas legais para garantir a segurança nacional e ao desenvolvimento democrático do país.
Confusão nas ruas
A Geórgia vive um momento de efervecência política, em meio a uma série de manifestações contra o presidente georgiano Mikheil Saakashvili. Os manifestantes foram dispersados, na semana passada, após uma sangrenta batalha campal que resultou em dois mortos e, no mínimo, 37 feridos. As duas vítimas fatais, segundo o diário espanhol El Mundo, são um policial e um ex-oficial do exército. Eles teriam sido atropelados por ativistas, que fugiram após o incidente. As autoridades usaram balas de borracha, gás lacrimogéneo e canhões de água para dispersar os manifestantes.
Os cerca de 5 mil manifestantes estavam reunidos há cinco dias na capital, Tbilissi, em frente ao parlamento, para pedir a demissão de Saakshvili, que acusam de ter sido reeleito através de fraude eleitoral e de ter responsabilidades na derrota georgiana na guerra pela soberania na Ossétia do Sul, que durou cinco dias, em 2008, e resultou na ocupação russa dos territórios caucasianos da Ossétia do Sul e da Abecásia.
O líder georgiano disse na véspera, que se tratou de “uma tentativa de realizar protestos de acordo com um cenário escrito fora da Geórgia, para contrariar e sabotar as celebrações do Dia da Independência e perturbar a ordem pública no país”. Saakshvili acrescentou:
– Este dia foi escolhido a dedo pelos nossos ocupantes (…) estaremos vigilantes e vamos responder adequadamente a qualquer provocação pelo nosso inimigo e ocupante.
São claras as alusões à Rússia, que continua a manter contingentes militares destacados nas regiões do Cáucaso. Moscou ainda não se pronunciou sobre as acusações.
Saakashvili tinha também culpado a Rússia pelos protestos de Novembro de 2007 em Tbilissi, que duraram também cinco dias e foram igualmente reprimidos violentamente pelas autoridades. Em pouco menos de uma semana, é a segunda vez que a Geórgia aponta armas diplomáticas ao Kremlin: no dia 20 deste mês o parlamento georgiano aprovou por unanimidade o reconhecimento do genocídio dos circassianos, levado a cabo pela Rússia dos czares em 1864. A Geórgia tornou assim a reconhecer o massacre, na véspera no Dia da Memória Circassiano e sublinhou o afastamento da Rússia por parte dos países do Cáucaso.
Bruxelas condena
A repressão aos oposicionistas desagradou à Comissão Europeia, que classificou a ação policial de “lamentável”. A porta-voz da Comissão Europeia, Natasha Butler, disse à agência francesa de notícias AFP:
– Entendemos a necessidade de manter a lei e a ordem, mas já tínhamos dito ao governo georgiano que consideramos que isso terá de ser feito de forma racional. A liberdade de reunião é um direito democrático e a Geórgia deverá assegurar esse direito.
O embaixador norte-americano na Geórgia, John Bass, foi mais brando na reação e mostrou-se de acordo com a posição de Saakashvili em relação aos protestos:
– Preocupam-me as indicações da existência de elementos dentro destes grupos de opositores que parecem estar mais interessados em forçar confrontos violentos que em protestar pacificamente – disse Bass, logo após os incidentes.

quinta-feira, 31 de março de 2011

#forabolsonaro 2 - A análise.

Bem, a campanha contra o deputado se mantém firme e forte. No meio disso tudo, acabou um BBB (o mais fraco de todos, ainda bem) e morreu o querido companheiro, guerreiro, lutador (valeu, Zé!), exemplo para os que sofrem as dores do corpo, nesta vida.

Apesar de tudo isso, e olha q bastava bem pouco antes para tirar qualquer expectativa política dos alienados TT brasileiros, o #forabolsonaro se mantém. São milhares de pessoas se organizando em dois dias: passam de 20 mil  30 mil 42mil no FACEBOOK; mais de 60 68 70 mil na Avaaz, são centenas de milhares de RT no Twitter. É o clamor popular.

Fenômeno assim, apenas a #bolinhadepapelfacts...
E ela ajudou a decidir uma eleição. E trouxe humor e frases fantásticas de volta ao cenário político. Ao mesmo tempo que a política se tornava fascista como nunca. Paradoxal, né? Estamos agora gritando pelo fim do fascismo, encarnado no Bolsonaro. Que continua achando que vai escapar dessa. Espero que não. Se ele escapar, sairemos às ruas. É preciso desobediência civil para lembrar a todos que a Constituição tem de ser respeitada?

Exigimos direito de resposta ao CQC. O povo brasileiro assim o faz. #forabolsonaro.

Cada vez temo mais o voto distrital. Pessoas como esse fascista teriam chances reais de viver politicamente de seus distritos, e isso me dá medo. E hoje é a data fúnebre. Como da ditadura sabemos tão pouco, juntemos ao #forabolsonaro, um #queremosaverdade. Vamos erradicar de vez o totalitarismo desse país, pelas entranhas?

terça-feira, 29 de março de 2011

Fora Bolsonaro.


Hannah Arendt denunciou o Estado nacional-socialista num formato de monstruosidade irrestrita exteriorizado na forma de um terrorismo legal. O Bolsonaro é isso em forma humana. MPF, racismo é crime. Não aceitaremos "desculpas". Chega de Fascismo. Chega de racismo.


Sim, ele foi eleito. Pela corja que pensa que o mundo é racialmente definido. Pelos nazi-fascistas de plantão que acham que mulheres, negros, gays devem ser eliminados pelo uso irracional, desumano, inconstitucional da força.



O fato dele ser eleito, não o torna intocável. manifestemos nosso poder fora das urnas: Pessoas de bem deste país, vamos começar. Pessoas de bem, uni-vos. Um fantasma ronda o mundo: o fantasma da igualdade, da não-segregação. Vamos assinar o maior movimento contra um eleito que esse país já viu. Não aceitaremos. Não nos calaremos.

Preta Gil, mulher, negra, maravilhosa. Todo nosso apoio.

Protocolemos documentos, vamos encher as caixas dos deputados e senadores. Não, ser eleito não torna ninguém acima das leis, acima da Constituição. Na verdade, o obriga ainda mais a respeitar e honrar nossa lei maior. nossa luta não é apenas contra a homofobia, o racismo, a incitação à violência doméstica e de Estado por este deputado encarnada. Nossa luta é pelo Estado de Direito. Por um mundo sem segregação racial. Pelo poder do povo, que no Brasil, escolheu uma constituição democrática, respeitada por sua voz pelos  Direitos Humanos. 

Ou damos uma resposta agora, ou continuaremos dizendo a esta corja que eles tem direito a voz. Não no meu país. Não no meu Brasil, colorido, diverso, humano.

Chega.

Leia:
Veja ainda:

Bolsonaro diz na TV que seus filhos não ‘correm risco’ de namorar negras ou virar gays porque foram ‘muito bem educados http://ht.ly/4oP3b


Em A Condição Humana, Arendt  se preocupa com os mecanismos que geram vínculos para ações coletivas: "o que mantém unidas as pessoas depois que passa o momento fugaz da ação (aquilo que hoje chamamos de 'organização') e o que elas, por sua vez, mantêm vivo ao permanecerem unidas é o poder" (Arendt 1981: 213). A filósofa intercomunica duas dimensões do poder nesta concepção: por um lado “há uma ação coletiva que funda o grupo”, o que designa, necessariamente, um vínculo entre o momento e a "esfera pública". A outra dimensão está na capacidade do poder em legitimar esta “ação inicial”, “fugaz”, num vínculo. Nessa tessitura o poder é fruto da ação coletiva do grupo que o sustenta. 


Vamos mostrar, que para além desse momento quase fugaz da eleição, o poder permance conosco: nossa ação pode mudar, sim, o país.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Milhares de pessoas impedem passeata neonazista em Dresden

[Alemanha] 

Date Wed, 23 Feb 2011 05:30:45 +0100



Milhares de manifestantes impediram anteontem (19 de fevereiro), em
Dresden, uma passeata de neonazistas, erguendo barricadas e envolvendo-se
em confrontos com a polícia, que não conseguiu impor o direito de
manifestação à extrema-direita, reconhecido pelos tribunais.

Centenas de neonazistas que planejavam manifestar-se na capital da Saxônia
em memória das 25 mil vítimas dos ataques aéreos dos aliados de 13 e 14 de
fevereiro de 1945, no final da Segunda Guerra Mundial, acabaram por
desistir da manifestação, e após conversações com a polícia decidiram
transferi-la para Leipzig. A mais de 110 quilômetros de distância.

Antes da chegada a Leipzig do trem que transportava os neonazistas, a
polícia teve de dispersar várias concentrações de manifestantes
antifascistas que gritavam "fora com os nazis", ?confrontaremos os jovens
e velhos nazistas?, ?no pasaran?.

No ano passado, milhares de neonazistas já tinham sido impedidos de
desfilar em Dresden em 13 de fevereiro devido aos protestos de numerosos
antifascistas.

Este ano, a manifestação convocada pelo partido de extrema-direita NPD em
Dresden atraiu apenas centenas de neonazistas, apesar de os tribunais
terem autorizado o ato e determinado proteção policial contra as
tentativas de bloqueio dos manifestantes antifascistas, igualmente
anunciadas para Dresden.

Milhares de antifascistas bloquearam durante várias horas as ruas em torno
da estação ferroviária central de Dresden, para impedir o acesso dos
neonazistas ao local da concentração.

A polícia tentou dispersar os antifascistas, utilizando cassetetes,
canhões de água e gás lacrimogêneo, mas estes romperam o cordão policial,
ergueram barricadas, danificaram automóveis, incendiaram contentores de
lixo, apedrejaram o corpo de intervenção e lançaram foguetes contra os
policiais.

Cerca de 200 manifestantes antifascistas foram detidos, sob a acusação de
ataques corporais e desobediência à autoridade.

Antes dos confrontos, mais de 20 mil pessoas participaram em vigílias e
protestos pacíficos contra a presença de neonazistas na capital da
Saxônia. As Igrejas católicas e protestantes associaram-se aos protestos
antinazistas, apelando ao combate ao ódio racial, à xenofobia, à violência
e ao racismo.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

A "Marcha" de 14 de agosto. Alertas...

Quatro páginas, na rede, se envolveram na divulgação do material nazi para a manifestação do dia 14. Um site é assinado pelo Castan.



Nestas páginas, a "Marcha" recebeu manifestações de apoio e manifestações contrárias. Os ativistas que se manifestavam contra enfatizavam a possibilidade da marcha estar sendo organizada por membros da polícia infiltrados, ou ainda que a "marcha" serviria apenas para tornar as pessoas do movimento “marcadas”, a exemplo do que acontecera na "Marcha" similar em Lisboa. Depois da marcha ser denunciada em cerca de 120 listas pela WEB (e em sites como o CMI http://prod.midiaindependente.org/pt/blue/2010/07/474762.shtml), e ser questionada por uma ilustradora no Twitter(http://twitter.com/deiaf), que conclamou o movimento anti-facista a se manifestar, e, ainda, ser alvo de resposta do movimento anarco-punk(http://atitudelibertariapunk.blogspot.com/), começou a se divulgar que a "Marcha" teria sido cancelada.

No entanto, como o movimento se articula em células, é muito comum iniciativas de outras células serem atribuídas a infiltrados, como aconteceu ao próprio jornal “O Martelo”, coordenado pelo ativista Bernardo, que foi assassinado em abril de 2009.

É possível, ainda, que o foco de atenção no MASP sirva apenas para desviar outras manifestações e ataques.

O que imporá é que esta "Marcha" foi considerada possível por muitos ativistas e células. Isto é suficiente para nos manter em alerta e bastante preocupados.

segunda-feira, 15 de março de 2010

O IFCH ESTÁ AGONIZANDO DIZEM OS 80 PROFESSORES

CARTA ABERTA DOS DOCENTES DO IFCH AO REITOR DA UNICAMP
O IFCH EM ESTADO DE EMERGÊNCIA

Ao Magnífico Reitor da Unicamp
Professor Dr. Fernando Costa

O IFCH está agonizando. O trabalho de pelo menos duas décadas, que resultou na excelência desse Instituto, está em sério risco de extinguir-se.

Nos últimos anos, temos encaminhado à Reitoria diversos ofícios justificando pormenorizadamente a necessidade urgente de novas contratações de docentes e nossas demandas não têm sido atendidas. No contexto da limitada política de contratações vigente, é preciso sublinhar que as quatro vagas destinadas ao IFCH no ano de 2009 são absolutamente insuficientes para recompor o quadro docente no patamar em que esse se encontrava há 15 anos.

Atendendo a necessidades acadêmicas ou a exigências da LDB, a Graduação e a Pós-Graduação do IFCH experimentaram nos últimos quinze anos uma expansão de cursos, de cargas horárias e de vagas discentes sem precedentes. Desde 1994, o número de vagas oferecidas no vestibular pelos cinco cursos de graduação aumentou 28% (de 140 para 180 em 2008) – sem contar as vagas do curso de Arquitetura, criado em 1998 e do qual participam professores do IFCH – e o total de alunos matriculados na graduação passou de 707 em 1998 para 1048 em 2008 (um aumento de 48%). Chegamos assim ao índice de 11,6 alunos por professor, superior à média da Unicamp que é de 8,3, conforme pode ser constatado no Anuário Estatístico da Unicamp (2009). No mesmo período, os cursos na pós-graduação passaram de 5 mestrados e 4 doutorados para 7 mestrados e 11 doutorados – e o total de alunos matriculados aumentou de 741 em 1998 para 885 em 2008. Se contarmos os alunos de graduação e pós-graduação, num total de 1933 em 2008, a relação número de alunos por professor sobe para 21,5. Nesse ano, também segundo o Anuário Estatístico da Unicamp, o IFCH era a terceira unidade em número de alunos na graduação e a segunda em número de programas e alunos de mestrado e doutorado, ficando atrás apenas da FCM. No mesmo período, entretanto, o número de docentes diminuiu drasticamente. Éramos 128 docentes em 1994, 101 em 1998, 90 em 2008 – e somos hoje apenas 89: uma diminuição de 30% do corpo docente.

Isso não significa apenas sobrecarga de trabalho. Certamente há mais cursos a serem dados e mais alunos a serem orientados, mais bancas para participar, mais coordenações de programas para serem exercidas. Ao mesmo tempo, as demandas por projetos e pareceres cresceram, assim como aumentou muito a pressão para ocupar cargos administrativos e acadêmicos. O crescimento de nossa produção e dos indicadores numéricos que contabilizam nossas atividades cotidianas básicas esconde, entretanto, uma crise acadêmica substantiva.

É lamentável constatar, por exemplo, que nossos alunos podem concluir a Graduação ou a Pós-Graduação sem a chance de cursar disciplinas eletivas importantes, simplesmente por falta de professores especialistas para ministrá-las. O vínculo entre as aulas e a experiência de pesquisa, que sempre caracterizou os cursos do IFCH está se perdendo: diante da necessidade de cobrir a oferta de disciplinas obrigatórias, muitos de nossos professores não têm mais a oportunidade de oferecer disciplinas nas áreas em que atuam e publicam – e nas quais são nacional e internacionalmente reconhecidos. Nesse quadro é praticamente impossível pensar em criar novas disciplinas na graduação, mesmo as que têm sido demandadas pelos alunos nas avaliações de curso feitas a cada semestre.

Áreas importantes de conhecimento na Antropologia, na Ciência Política, na Demografia, na Filosofia, na História e na Sociologia estão desguarnecidas, por falta de docentes especialistas para ministrar aulas, coordenar pesquisas e orientar novos pesquisadores. Há linhas de pesquisa na pós-graduação e nos centros de pesquisa que tiveram uma produção acadêmica densa e expressiva que praticamente desapareceram por falta de professores plenos. Há cursos de pós-graduação que estão na iminência de fechar áreas e linhas de pesquisa, pois contam com apenas um professor. Não temos condições, portanto, de criar novas áreas de pesquisa que seriam necessárias para continuar a oferecer um ensino de ponta e acompanhar os avanços científicos e as novas demandas da sociedade.

A projeção internacional de nossos docentes é notória e facilmente verificável em uma consulta aos currículos e grupos de pesquisa da Plataforma Lattes. Os Anuários Estatísticos da UNICAMP também reconhecem essa liderança intelectual e acadêmica: desde 2006, pelo menos, temos sido a primeira Unidade em produtividade intelectual em termos proporcionais (em relação à quantidade de docentes), e a segunda em termos numéricos absolutos. A CAPES também reconhece essa liderança, já que nossos programas de pós-graduação vêm conseguindo manter notas altas: um programa com nota 7, dois com nota 6 e quatro com nota 5; nos últimos anos, várias das teses defendidas no IFCH obtiveram prêmios da CAPES, do Arquivo Nacional e da ANPOCS. Esta liderança está sendo ameaçada pela estagnação de contratações e a conseqüente sobrecarga de trabalho; não é sem sacrifícios que vimos conseguindo manter a qualidade e a excelência do nosso desempenho acadêmico e científico.

O futuro é alarmante: em 2010 teremos 42 aposentáveis, 6 dos quais pela compulsória. Ou seja: em um ano podemos perder 47% do atual quadro docente do Instituto, perfazendo uma possível diminuição total de 63% do corpo docente do IFCH entre 1994 e 2010 (queda de 128 professores para 47). Com tantas perdas acumuladas, está em risco também a larga experiência do trabalho que conseguimos acumular até aqui. É eloqüente o que esses dados apontam: o corpo docente está envelhecendo. A formação de grupos de pesquisa demanda a construção de patamares comuns de trabalho conjunto, o amadurecimento de discussões e a consolidação de eixos de investigação. Essa não é uma tarefa que possa ser simplesmente transmitida por escrito: demanda convivência, laços institucionais e trocas intelectuais que não podem ser empreendidas da noite para o dia. Novos docentes necessariamente devem conviver com seus colegas mais experientes. A convivência é um modo de formar novos quadros e manter a continuidade na excelência da pesquisa e da docência que tem nos caracterizado. Há, portanto, prejuízos evidentes se continuarmos a contar com uma reposição das vagas em futuro indefinido ou depois que departamentos e linhas de pesquisa estiverem extintos.

Também é preocupante nossa posição no cenário científico nacional. Nos últimos anos, temos assistido a uma incorporação crescente de novos docentes (muitos dos quais formados por nós) em outras universidades, por meio de concursos públicos. O quadro é particularmente alarmante quando comparado ao das universidades federais, que hoje oferecem salários mais altos do que os nossos. Ou quando comparado à própria USP que, na última reunião com o Fórum das Seis, anunciou a contratação de 1285 docentes na atual gestão – um número surpreendente diante das melancólicas 55 contratações previstas para este ano pela Unicamp. Em breve os Programas de Pós-Graduação do IFCH poderão perder pontos nas avaliações da CAPES, deixando de ser competitivos na disputa por recursos e na procura dos estudantes por uma formação de excelência.

Diante deste quadro crítico, não basta simplesmente repor a perda de 39 docentes que sofremos nos últimos 15 anos. É preciso mais que isso. Queremos redimensionar o quadro docente de acordo com as necessidades acadêmicas de nossos cursos, considerando a expansão dos últimos anos, e assegurar a dinâmica criativa das linhas de pesquisa para continuar a desenvolver um trabalho de excelência. Queremos também ter o direito de realizar uma expansão de nossas atividades assentada nos desdobramentos de nossas pesquisas e na combinação entre elas e o exercício da docência.

É preciso, portanto, que a Reitoria da Unicamp reflita sobre o seu próprio projeto para o futuro do IFCH e reavalie o tratamento que tem dispensado às nossas necessidades ao longo dos últimos anos, sob pena de que o patrimônio que duramente construímos ao longo dos anos soçobre em meio ao descaso e à indiferença. Não podemos aceitar que seja esse o projeto para o futuro do IFCH. O IFCH e a UNICAMP não podem sobreviver por muito mais tempo apenas com base na reputação construída ao longo da sua história. Restaurar e ampliar esse patrimônio é uma responsabilidade inescapável da atual Reitoria.

Convidamos, pois, o Reitor de nossa Universidade a vir ao IFCH o quanto antes. Esperamos que essa visita possa ser agendada rapidamente, pois precisamos ter a garantia de uma política de contratações que atenda de fato a essas demandas: reivindicamos medidas urgentes para que possamos continuar a trabalhar. Estamos em ESTADO DE EMERGÊNCIA!



Campinas, 30 de junho de 2009

Os Docentes do IFCH:

Álvaro Gabriel Bianchi Mendez – matrícula 286817
Amnéris A. Maroni – matrícula 075663
Andrei Koerner – matrícula 285394
Ângela Maria Carneiro Araújo – matrícula 103872
Arley Ramos Moreno – matrícula 087467
Armando Boito – matrícula 075701
Bela Feldman Bianco – matrícula 054810
Bruno Speck – matrícula 256021
Cláudio Henrique de Moraes Batalha – matrícula 165115
Cristina Meneguello – matrícula 278611
Daniel Joseph Hogan – matrícula 038229
Emília Pietrafesa de Godoi – matrícula 252531
Enéias Forlin – matrícula 288083
Evelina Dagnino – matrícula 039098
Fátima Rodrigues Évora – matrícula 174947
Fernando Antonio Lourenço – matrícula 106844
Fernando Teixeira da Silva – matrícula 286457
Gilda Figueiredo Portugal Gouvea – matrícula 039802
Guita G. Debert – matrícula 106330
Heloisa André Pontes – matrícula 118559
Itala M. L. D’Ottaviano – matrícula 040436
Jesus José Ranieri – matrícula 287264
John Manuel Monteiro – matrícula 252557
Jorge Sidney Coli Junior – matrícula 116335
José Alves de Freitas Neto – matrícula 287069
José Carlos Pinto de Oliveira – matrícula 237108
José Marcos Pinto da Cunha – matrícula 268593
José Oscar de Almeida Marques – matrícula087467
Josué Pereira da Silva – matrícula 272787
Laymert Garcia dos Santos – matrícula 057614
Leandro Karnal – matrícula 273597
Leila da Costa Ferreira – matrícula: 220884
Leila Mezan Algranti – matrícula 165263
Luciana Ferreira Tatagiba – matrícula 286986
Luiz César Marques Filho – matrícula 198935
Luzia Margareth Rago – matrícula 117021
Marcelo Siqueira Ridenti – matrícula 274941
Marcio Bilharinho Naves – matrícula 053554
Marcos Lutz-Müller – matrícula 288083
Marcos Nobre – matrícula 237574
Maria Coleta Ferreira Albino de Oliveira – matrícula 073466
Maria Filomena Gregori – matrícula 222861
Maria Helena Guimarães de Castro – matrícula 088595
Maria Lygia Quartim de Moraes – matrícula 249068
Maria Stella Bresciani – matrícula 043842
Mauro W. B. de Almeida – matrícula 048071
Michael McDonald Hall – matrícula 043222
Nelson Alfredo Aguilar – matrícula 214141
Néri de Barros Almeida – matrícula 286112
Omar Ribeiro Thomaz – matrícula 28293
Oswaldo Giacoia Junior – matrícula 251470
Paulo Celso Miceli – matrícula 117030
Rachel Meneguello – matrícula 152790
Renato Ortiz – matrícula 206547
Ricardo Antunes – matrícula 144061
Rita de Cássia Lahoz Morelli – matrícula 220752
Robert Wayne Andrew Slenes – matrícula 087092
Roberto Luiz do Carmo – matrícula 290280
Roberto Romano – matrícula 069311
Ronaldo de Almeida – matrícula 286526
Rosana Baeninger – matrícula 273996
Rubem Murilo Leão Rêgo – matrícula 045721
Sebastião Velasco e Cruz – matrícula 129062
Shiguenoli Miyamoto – matrícula 20.4722
Silvana Barbosa Rubino – matrícula 285534
Silvia Hunold Lara – matrícula 14634-9
Suely Kofes – matrícula 043851
Thomas Patrick Dwyer – matrícula 100455
Tirza Aidar – matrícula 292552
Valeriano Mendes Ferreira Costa – matrícula 274887
Vanessa R. Lea – matrícula 079154
Walquiria Domingues Leão Rego – matricula 224812
Yara Adário Frateschi – matrícula 287070

Professores Colaboradores:

Arlete Moysés Rodrigues – matrícula 283825
Caio Toledo – matrícula 28374-0
Elide Rugai Bastos – matrícula 292167
Izabel Andrade Marson – matrícula 220426
Luis Orlandi – matrícula 292557
Maria Clementina Pereira Cunha – matrícula 053309
Mariza Correa – matrícula 290598
Vera H. F. P. Borges Itala M. L. D’Ottaviano197980

domingo, 7 de março de 2010

Carta de Repúdio


Nós, Conselheiras e Conselheiros do Conselho Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial - CNPIR vimos através desta, repudiar a opinião expressada pelo excelentíssimo senador da república sr. Demóstenes Torres, Presidente da Comissão de Constituição Justiça e Cidadania do Senado Federal, no seu pronunciamento durante a Audiência Pública no Supremo Tribunal Federal do Brasil (STF), no dia 03 de Março de 2010, que analisava o recurso instituído pelo Partido Democratas contra as Cotas para Negros na Universidade de Brasília.

Na oportunidade o mesmo afirmou que: as mulheres negras não foram vítimas dos abusos sexuais, dos estupros cometidos pelos Senhores de Escravos e, que houve sim consentimento por parte destas mulheres. Na sua opinião: Tudo era consensual!. O excelentíssimo senador da república Demóstenes Torres, continua sua fala descartando a possibilidade da violência física e sexual vivida por negras africanas neste período supracitado. Relembra-nos a frase: Estupra, mas não mata!!!.

O excelentíssimo senador Demóstenes aprofunda mais ainda seu discurso machista e racista, quando afirma que as mulheres negras usam de um discurso vitimizado ao afirmarem que são as vítimas diretas dos maus tratos e discriminações no que se refere ao atendimento destas na saúde pública. Que as pesquisas apresentadas para justificar a necessidade de políticas públicas específicas, são duvidosas e que nem sempre são confiáveis, pois podem ser burladas e conter números falsos.
Enquanto o estado brasileiro reconhece a situação de violência física e sexual sofrida pelas mulheres brasileiras, criando mecanismos de proteção como a Lei Maria da Penha, quando neste ano comemoramos 100 anos do Dia Internacional da Mulher, o excelentíssimo senador, vem na contramão da história e dos fatos expressando o mais refinado preconceito, machismo e racismo incrustado na sociedade brasileira.
Por isso, vimos através desta carta ao Povo Brasileiro repudiar a atitude do excelentíssimo senador Demóstenes Torres.

Ao tempo em que resgatamos a dignidade das mulheres negras e indígenas, que durante a formação desta grande nação, foram SIM abusadas, foram SIM estupradas, foram SIM torturadas, foram SIM violentadas em seu físico e sua dignidade. Aos filhos dos seus algozes, o leite do seu peito, aos seus filhos, o chicote. Não nos curvaremos ao discurso machista e racista do Senador! É inaceitável, que o pensamento dos Senhores de Engenho se expresse em atitudes no Parlamento Brasileiro.