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segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Alemanha recorda “Noite de Cristal” com alerta para ameaça do anti-semitismo

“A complacência é o primeiro passo para pôr em risco os valores mais essenciais da nossa democracia”, disse Merkel

Berlim assinalou este domingo os 70 anos da Kristallnacht (Noite de Cristal), prelúdio do Holocausto, com uma chamada de atenção para os riscos da “complacência” na abordagem aos fenómenos contemporâneos de anti-semitismo. São os “valores mais essenciais da democracia” as primeiras vítimas da indiferença, avisou a chanceler alemã Angela Merkel.

“Não podemos ficar indiferentes quando extremistas de direita marcham
através das portas de Brandenburgo, ou conquistam lugares nos órgãos
legislativos. Não podemos ficar em silêncio quando os rabinos são perseguidos
nas ruas, quando os cemitérios judaicos são profanados ou quando são cometidos
crimes anti-semitas”.
Foi esta a mensagem deixada pela chanceler alemã no dia em que Berlim assinalou os 70 anos da “Noite de Cristal”. A 9 de Novembro de 1938, a ira nazi abatia-se sobre centenas de sinagogas e perto de 7.500 estabelecimentos de judeus na Alemanha e na Áustria. Pelo menos 91 pessoas foram assassinadas e outras 30 mil detidas numa noite que constituiria o presságio do Holocausto e da eliminação sistemática de seis milhões de judeus. Quando Adolph Hitler chegou ao poder, em 1933, havia cerca de 160 mil judeus em Berlim.

Em 1945, no termo da II Guerra Mundial, a comunidade estava reduzida a 1.400 pessoas. A morte do diplomata alemão Ernst von Rath, atacado pelo estudante polaco e judeu Herschel Grynszpan em Paris, serviu de pretexto para o pogrom de 1938. Grynszpan pretendia vingar a sua família, que fora obrigada a deixar a Alemanha com outros 15 mil judeus polacos. Ladeada por líderes da comunidade judaica, Merkel alertou para as consequências de uma leitura “complacente” dos reflexos do passado. A “complacência”, disse a chanceler alemã, “é o primeiro passo para pôr em risco os valores mais essenciais da nossa democracia”. A cerimónia evocativa de Berlim decorreu na sinagoga de Rykestrasse, a maior da cidade.

”Sinais alarmantes”
A presidente do Conselho Central dos Judeus da Alemanha, que aos seis anos de idade viveu a “Noite de Cristal” em Munique, defendeu a necessidade de “manter a memória viva”. A memória de “seis milhões de crianças, mulheres e homens”, enfatizou Charlotte Knobloch, “não pode ser reduzida a uma simples nota de rodapé”. Até porque “há alguns sinais alarmantes”, acrescentou. “Parece haver uma falta de convicção, da parte das forças democráticas, para enfrentar os extremistas. É preciso dar passos firmes para os combater”, afirmou. Mais de 100 mil pessoas formam hoje a comunidade judaica da Alemanha. A maioria dos seus membros veio de países do antigo Bloco de Leste, após o esboroar da União Soviética. Nos últimos três anos, foram várias as sinagogas restauradas ou inauguradas em território alemão.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

terça-feira, 18 de março de 2008

NO PARLAMENTO DE ISRAEL

Merkel: Holocausto enche a Alemanha de 'vergonha'
Publicada em 18/03/2008 às 20h59mReuters

JERUSALÉM - A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, fez História nesta terça-feira ao se tornar a primeira chefe de Estado do país europeu a discursar no Parlamento de Israel. Merkel disse se curvar de vergonha diante das vítimas do Holocausto - o massacre de milhões de judeus pelo regime nazista durante a Segunda Guerra Mundial - e falou sobre o perigo que, segundo ela, representa o programa nuclear do Irã. A líder de Berlim fez a abertura e o fechamento do discurso em hebraico e foi muito aplaudida. Cinco dos 120 parlamentares do Knesset recusaram-se a assistir ao discurso.

- Falar a vocês nesta honrada assembléia é uma grande honra para mim - disse Merkel, em hebraico. - Agradeço a vocês por me permitir a falar em minha língua - continuou ela, em alemão.

" Falar a vocês nesta honrada assembléia é uma grande honra para mim. Agradeço a vocês por me permitir a falar em minha língua "

Depois de assumir a responsabilidade alemã pelo Holocausto na segunda-feira, ao visitar um museu em Jerusalém, Merkel voltou a tocar neste delicado tema.

- O Shoah enche os alemães de vergonha - comentou a chanceler, usando o termo em hebraico para se referir ao Holocausto. - Eu me curvo às vítimas, eu me curvo a todos que ajudaram os sobreviventes - acrescentou.

Merkel encerrou nesta terça-feira uma visita de três dias por ocasião do 60º aniversário de Israel, e prometeu "o endurecimento de sanções no Conselho de Segurança" da ONU se o Irã não detiver seu programa nuclear.

- Nossa responsabilidade histórica é parte da política de meu país. A segurança de Israel não é negociável - disse. - Se o Irã obtiver armas nucleares, as conseqüências serão desastrosas.

" Nossa responsabilidade histórica é parte da política de meu país. A segurança de Israel não é negociável "

Ela disse ainda que o lançamento de foguetes da Faixa de Gaza deve terminar, mas evitou alusões à construção de colônias judias em território palestino, criticada pelos EUA e pela União Européia.

Ao falar durante a sessão, o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, declarou que Merkel é uma "amiga constante" e que os "laços de Israel com a Alemanha transcenderam os eventos obscuros e sombrios".

Nos últimos dois anos, o Knesset teve dois discursos em alemão: de Horst Koehler e o do presidente do Parlamento Europeu, Hans-Gert Poettering.

sábado, 3 de fevereiro de 2007

Memórias de um deportado

Uma resenha de “A Escrita ou a Vida[1]” de Jorge Semprun

"Não, eu não me considero um escritor de verdade. O único que eu sou
na verdade é um deportado".
Jorge Semprum[2]

Escrito em 1987, “A Escrita ou a Vida” foi revisado por sete vezes. Suas origens se confundem com o romance “A Grande viagem”, finalizado por Semprun em 1967, uma primeira tentativa de exorcizar a experiência de Buchenwald[3]. Mas a ficção não foi suficiente, e após o suicídio de Primo Levi, Semprun volta ao tema, neste livro tão belo quanto denso. A transmissão da experiência da travessia pela morte, na morte e com a morte não poderia ser mais humana. Criticado pelos que acreditam que um não judeu não pode capturar em sua totalidade a experiência do campo de concentração, Semprun revela neste livro exatamente o que todos os não judeus precisam e devem responder: “o que fazer com o cheiro de carne queimada?” A mudez de cinqüenta anos não calou a força da morte em Semprum, nem tornou a fumaça da chaminé inodora. O silêncio não é possível, a fumaça do crematório escolhe as palavras do texto, é ela que, em última análise, nos fala: não é possível esquecer, a morte já veio, e atravessou-se a morte. Um sobrevivente? Para Semprum, uma dúvida paira sobre esta questão. Alguém tinha realmente sobrevivido[4]?

Existe uma imortalidade desenvolta na assombração. E nela, escreve Semprun, ele vivia. Os fantasmas produzidos no crematório tumultuam as páginas do livro, e a barbárie da maldita fumaça, que expulsa passarinhos das florestas e a esperança das almas, nos interpela a responder que nunca mais. O pavor arregala nosso olhos, nos coloca aflitos, e podemos compreender com facilidade o pavor estampado no olhar dos três oficiais britânicos, relatado nos parágrafos iniciais de “A Escrita ou a Vida”. E também como a eles, este pavor nos intriga a mergulhar na leitura do texto, e seguindo os passos e sentimentos destes oficiais, presentes no dia da libertação do campo, assombramo-nos diante do silêncio da floresta, delatado por Semprun. Como eles, não fomos capazes de escutar este silêncio. Não estivemos lá, não percebemos nada. É Semprun que nos apavora, como a eles: acabaram os passarinhos, ele esclarece. E nós precisamos de palavras mais duras para entender: “cheiro de carne queimada, é isso!” Uma espécie de soluço atinge os oficiais britânicos. É um engulho, de horror, perplexidade e constatação. E ele nos acompanhará por cada página.

Em cada página, junto com este soluço, este engulho, um estranho cheiro se faz onipresente. Obsessivo, repugnante, insólito. Semprun afirma que bastaria fechar os olhos para as felicidades, diante dele todas tornadas insignificantes, para que ele reaparecesse. O cheiro reapareceria na memória, e a morte, neste odor fétido e adocicado, reviveria. É sobre este cheiro, é sobre esta fumaça que este livro se firma: e é como fumaça que o texto de Semprun invade a nossa alma, e nos impede de esquecer. É este cheiro que torna as felicidades, os pequenos relatos de prazer, de dança, de poesia, fragmentos, apenas fragmentos. “Basta se entregar. A realidade está ali, disponível. A palavra também[5].” A palavra deixa uma única dúvida: é possível realmente descrever? Não porque o campo de concentração seja indizível, nos explica Semprun, mas porque ele foi invivível. E o olhar dos oficiais britânicos traz a mesma invulnerável interrogação: como foi possível atravessar a morte, convivendo com a fumaça do crematório? Morrendo, afirma Semprun, morrendo, a cada dia, a cada hora, cada segundo. A morte está tão presente que o dia da libertação é visto como um sonho último, um devaneio que a antecede. Mas, não era um sonho. E o crematório seria fechado. Não haveria mais fumaça, podia-se pensar. Os prisioneiros estavam livres, podia-se deduzir. Não, não nos iludamos. Nunca a fumaça deixará de existir. Nunca estaremos livres. O presente estará sempre numa situação crítica, "o pior já aconteceu", como intitula Santiago Kovadloff[6] um ensaio sobre este tema.

A capilaridade do testemunho de Semprun é tão gigantesca que, muitas vezes, é preciso, interromper sua leitura para velar o horror que não nos dá trégua. Uma radiografia da morte se revela, num texto tão doloroso quanto belo, e nossa insignificante existência se retira para que nossa mente se pergunte: o que fazer? O que fazer “com o cheiro de carne queimada?” A tecnologia da morte, sua maquinaria é obra humana. E nos horroriza, ao mesmo tempo que nos desarticula. E o cheiro da fumaça arranca de nós um gemido. Semelhante ao gemido do judeu de Budapeste, que recita a oração dos mortos, o kaddish, no segundo capítulo do livro.

Apenas um lamento, desumano, gutural, irreal. Um quase cadáver canta, e seu canto, no meio de um amontoado de cadáveres é ouvido por Semprun e por Albert. O forno fora desligado há três dias, mas nem por isso a morte havia desligado-se de Buchenwald. Ela não estava mais pairando sobre o campo, na fumaça que, de forma diáfana, a materializava. Era a oração dos mortos, que surgia nos lábios de um sobrevivente, em ídiche. A morte falava ídiche, agora que já não cheirava fumaça. Deixando-se guiar pelo canto, rouco e murmurado, Semprun e Albert extraem, de uma montanha de cadáveres, um judeu ainda vivo. Ao lado dele, Semprun revisita memórias da guerra, ele foi soldado da resistência, enquanto Albert busca uma maca. Ajoelhado ao lado do sobrevivente judeu, sem saber o que fazer para mantê-lo vivo, Senprum o toma delicadamente em seus braços, e em seu ouvido, baixinho, conta a história de que se recordara, segundos antes, o assassinato de um soldado alemão. Mas permuta Julien, o soldado francês que está ao seu lado no episódio real, por Hans, um judeu imaginário, combatente, para fazer companhia ao judeu que agoniza em seus braços. Mais tarde, da enfermaria onde o judeu, salvo por eles, começa a recuperar-se, ele e Albert observam as aldeias da planície. Outras fumaças sobem em direção ao céu. Fumaças domésticas, diferentes das fumaças do crematório. Neste capítulo, a esperança retoma nossas almas, e os pássaros as florestas ao lado do campo.

É este binômio, pavor e esperança, que se faz presente em todo o texto de Semprun. Dele se deduzem outras polaridades, dilemas nascem aos milhares, ao interpelarmos a questão judaica. Ao mesmo tempo em que esta nos interpela a responder acerca do que é preciso fazer para que esta experiência cesse de se repetir. Como escreve Hannah Arendt[7]: "Antes disto diziamos, pois é, temos inimigos. É perfeitamente natural. -Por que não haveríamos de tê-los? Isto de agora era diferente. Era de fato como si se houvesse aberto um abismo... Isto não deveria ter acontecido. E não estou me referindo apenas ao número das vitimas. Refiro-me ao método, à fabricação de cadáveres e tudo o resto. Isto não deveria ter acontecido".

A tecnologia da morte, a indústria de cadáveres anuncia: o pior entrou no terreno do possível. E nos interpela à questão da sua repetição. O repetível do nazismo é a sua "ciência", os seus "métodos": campos de concentração repetiram-se pelo mundo, pessoas consideradas apátridas são retidas, sem direito a julgamento ou defesa. Um exemplo recente, para não citar milhares de outros, são os soldados talebãs prisioneiros do governo estadunidense. O princípio permanece. A maldita fumaça toma outras formas, outros estados, mas se faz presente. Sofrimentos, humilhações, golpes, passos de raça na lama, cachorros, a morte de amigos, todos os elementos das recordações de Semprun se fazem presentes a cada campo de concentração construído pela Terra. Em cada um deles, a política toma uma forma tanatológica, a limpeza étnica, ou moral, ou religiosa, perpetua o Shoa,[8] na medida em que aceita que parte da humanidade pode ser descartável: “pois é perfeitamente concebível e mesmo dentro das possibilidades políticas práticas, que, um belo dia, uma humanidade altamente organizada e mecanizada chegue, de maneira democrática – isto é, por decisão da maioria –, à conclusão de que para a humanidade como um todo, convém liquidar certas partes de si mesma[9].”

Assim nasce o genocídio, um fato que não pode ser improvisado. Exige técnica, planejamento, burocracia, é preciso produzir em escala industrial a indiferença da opinião pública; como o nazismo fez com o judeu, criando um judeu conceitual que poderia e deveria ser odiado publicamente[10]. Depois é preciso criar fronteiras, neo-guetos, separar, aprisionar os que não foram sepultados pelos escombros de suas casas destruídas, ou de suas almas dilaceradas. É preciso então conduzi-los, como ovelhas, aos campos de refugiados, e transformar estes últimos, enfim, em campos de extermínio. Matadouros humanos. Como Buchenwald, estes matadouros existiram e existem. Não é uma vertigem, é uma solidão que traz “neve a todos os sóis e fumaça a todas as primaveras”, como escreveu Semprun, para terminar a primeira parte de seu relato.

Em 8 de março de 1992, Jorge Semprun retorna a Buchenwald, pela primeira vez, quarenta e dois anos depois. Ele lembra do tenente Rosenfeld, mais uma das histórias da primeira parte do livro, lembra dos pássaros expulsos pelos odores do forno crematório, e recita, na praça central do campo um poema, onde um verso afirma que “nunca mais a doçura será natural”. Recordações diversas, visita ao cemitério, encontros que terminam ou iniciam com uma exclamação: você voltou! Semprun se indaga: terá realmente voltado? É possível que um sobrevivente volte? É possível sequer que ele parta?

Os campos de concentração são um lugar de onde não se parte. Jamais se deixa um campo, este é o testemunho dos sobreviventes: Semprun, Levi, Frankel. Não se parte dele, parte-se nele, e parte se deixa nele, para sempre. Sem pátria, errante, nômade, diaspórico, deicida, o povo judeu foi levado pelo nazismo, e pela Europa, salvo pequenas exceções, aos capôs de concentração. No nazismo, a biopolítica gerara a tanatopolítica. O ideal de raça ária germânica pura criou a diabólica espiral ascendente: segregação, assimilação, eliminação. Sua exclusão social pela filosofia nazista, apontava a conservação da autonomia cultural, administrativa, jurídica, política e religiosa da comunidade judaica, como um sinal de inferioridade, e os nazistas deles fizeram piolhos e baratas, os insetos a serem eliminados. A emancipação, a assimilação e a incorporação mostravam-se promessas falsas. O nazismo revela-se então, não como um discurso de morte, mas como a morte de todo e qualquer discurso: havia espaço apenas para o ódio, e o ódio inspirava vidas humanas, aos milhares, e expirava fumaça nos crematórios.

As lembranças do campo dão lugar ao esquecimento, ou a uma tentativa de esquecer para continuar vivo. Disto trata a segunda parte de “A Escrita ou a Vida”. Há um filme com imagens de Buchenwald, evitadas ate então, numa defesa que tenta exorcizar a dor, perturbadora e desestruturante: era preciso recuperar um fôlego da vida, estivesse ela na “fraternidade, na leitura ou na beleza das mulheres” escreve Semprun. Uma delas, Lorène, é uma inesquecível amante do esquecimento, é deixada, junto com a Suíça, e a busca de memória e de esquecer a memória recomeçava.

A terceira parte do livro de Jorge Semprun inicia-se com o relato da morte de Primo Levi. Primo Levi começou a oferecer e escrever testemunhos radiográficos, quase que compulsivamente logo que saiu do campo. Estes foram os elementos que a maquinaria da morte nazista não supunha, e nela repousa nossa frágil esperança: há os sobreviventes, há os testemunhos. Primo Levi, tendo sobrevivido a Auschwitz, iria, muitos anos mais tarde, mergulhar no poço do elevador de seu edifício em Turim. A morte de Primo Levi confronta Semprun com a morte, novamente. Mas, agora não está ela no seu passado, na lembrança da fumaça do crematório, mas em seu futuro. A morte apanhava Primo Levi, suas recordações assumiram um caráter definitivamente atroz? Porque um sobrevivente escolhia o suicídio quarenta anos depois? A angústia se impusera, sem recurso e sem remédio, definitivamente. Nada era verdadeiro fora do campo, afirma Jorge Semprun. E no entanto, há o receio de que o campo se torne um sonho, dentro de um outro sonho, escreve Semprum, citando Levi. E há o receio de que neste sonho a fumaça do crematório se torne inodora. Levi não suportou esta hipótese. Como Cesare Pavese, também em Turim, encontrou uma “razão para se matar”.

Não é possível discutir as razões do suicídio de Primo Levi. Mas é possível perseguir a memória, é possível reler “A Escrita e a Vida”, e deixa que suas palavras encontrem nossa alma.
[1] Cf. Semprun, Jorge. A Escrita ou a Vida. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. Todas as referências, exceto as que nomearem as fontes, pertecem a esta obra.
[2] Disponível em http://www.vespito.net/historia/semprun.html Entrevista par ao jornal El País, em 5 de junho de 1994.
[3] O campo de concentração de Buchenwald, construído en julho de 1937, sobre a colina de Ettersberg, nas proximidades de Weimar. Foi destinado primeiramente a prisioneiros de carácter político, opositores ao regime nazista, assim como também a judeus, Testemunhas de Jeová, homossexuais, ciganos, entre outros. No dia da libertação 95% dos prisioneiros eram estrangeiros.
[4] “Aliás, tínhamos realemnte sobrevivido?”(pág. 240)
[5] Pág. 22
[6] O poeta e filosófo argentino afirma: “somos o que fazemos com as perguntas que não têm respostas e, no entanto, têm sentido.”
[7] Nascida em Hannover, Alemanha, em 14 de outubro de 1906, Hannah Arendt doutorou-se em filosofia em 1928, na Universidade de Heidelberg. Com a chegada dos nazistas ao poder, em 1933, fugiu para Paris, onde trabalhou como assistente social atendendo a refugiados judeus. Estudou com Karl Jaspers e Martin Heidegger e, em 1940, casou-se com o professor de história da arte Heinrich Bluecher. A ocupação da França pelos nazistas obrigou-a a novo exílio, e em 1941 partiu para os Estados Unidos.
[8]
[9] Arendt, Hannah: As Origens do Totalitarismo, Companhia das Letras 1989, S. Paulo, pág. 332.
[10] Cf. Sartre, Jean Paul. A Questão Judaica.

Com o Shema nos Lábios


Uma resenha de “Argônio” de Primo Levi*


"Eu escrevo porque eu sou um químico. Meu trabalho proveu minha matéria-prima, o núcleo para o qual coisas unem... Química é uma luta com assunto, uma obra-prima
de racionalidade, uma parábola existencial... Química ensina vigilância
combinada com razão".

A atmosfera “construída” pelos esclarecidos e iluminados homens do Aufklãrung[1], pretendia oferecer ao homem, amputado de sua condição de sujeito por anos de obscurantismo e medo, uma maioridade[2], uma liberdade, até então, desconhecida. Nascia a uma nova idade, pretendia-se, e se em sua faceta mais exposta, permitia a vitória da razão, da ciência, da liberdade de expressão, em seu subterrâneo simbólico, nem tudo eram luzes: um processo desumano de contínua disciplinarização, confinava o homem num conceito preestabelecido de “normalidade”. Neste não havia espaço para a subjetividade, e a modernidade, inaugurada sobre o monopólio científico da verdade, julgou-lhe ré de pena capital. Neste contexto, teciam-se batalhas diversas: dualidades e dilemas proliferavam. Um dos mais importantes, sobre o qual grandes teóricos se debruçaram, estava o da questão judaica.

Dialogar com esta nova era, eis o desafio imposto ao judeu na Europa, principalmente desde a Revolução Francesa. Neste diálogo, se é que em algum momento houve de fato algum, o judeu era o Outro. Sem pátria, errante, nômade, diaspórico, deicida. Sob o olhar desconfiado dos que permitem sua presença “desconfortável”, eles estavam por toda a Europa, transversalmente inseridos em todos os povos, classes, falando todas as línguas, permanecendo, no entanto, judeus. Eternamente estrangeiros em locais onde habitavam a gerações.

São estes judeus, o tema de “Argônio”, um dos 21 textos de “A Tabela Periódica”, um livro de memórias e composições do escritor italiano Primo Levi. Cada texto recebe o nome de um elemento químico, uma referência à sua formação acadêmica. Em “Argônio”, Levi escreve sobre seus antepassados, avós e tios (esclarecendo que este último termo é atribuído a várias gerações de parentes), e sua sensibilidade imensurável mistura terna reverência, humor e reflexão, numa narrativa que toca com precisão, beleza e lucidez temas essenciais da tentativa de diálogo do judaísmo com a modernidade, silenciada em seu máximo momento, pelo campo de concentração. Primo Levi apresenta-se simplesmente como um observador, e as situações por eles descritas nos auxiliam na tentativa de compreender os dilemas que se perpetuaram, na medida em que também nos presenteiam com sua supremacia literária.

Utilizando as origens gregas que deram origem aos nomes dos gases nobres, “o Novo”, “o Oculto”, “o Inativo”, “o Estrangeiro”, para comparar estes elementos químicos, “inertes, tão satisfeitos em sua condição, que não interferem em nenhuma reação química, não se combinam com nenhum outro elemento”, aproxima-os de seus antepassados. É impossível não pensar na renovação constante da identidade judaica, uma identidade “armazenada”, circunscrita ao contorno talmúdico, paralela a sua exclusão social, e conservando desde a Diáspora a “consciência de sua identidade primitiva, reforçada graças a pontos de referência religiosa e culturais comuns e graças a redes de intercâmbio ativos”, como escreveu Victor Karady[3]. A conservação da autonomia cultural, administrativa, jurídica, política e religiosa da comunidade judaica, aponta para a esta atitude de abstenção, digna, voluntária ou aceita, à margem do grande rio da vida, observada por Primo Levi em seus antepassados, numa rejeição recíproca, uma barreira simétrica construída entre o judeu e a cristandade, numa clara expressão da vulnerabilidade gerada por ela.

Um das memoráveis histórias narradas por Primo Levi em “Argônio”, faz alusão às injúrias sofridas por seu pai, na saída da escola, quando as crianças zombavam de “suas orelhas de porco e burro”, uma referência arbitrária ao manto de oração, cujas dobras, seguiam preceitos da lei judaica, ignorados pelos zombadores, numa atitude ilustrativa do desprezo imposto ao desconhecido, ignorado, diferente. Mais tarde estes mantos foram utilizados pelos nazistas para confeccionar as roupas de baixo dos prisioneiros do campo, informa ele a seguir. A vulnerabilidade chegava ao máximo.

Num outro momento, a “tensão entre a vocação divina e a miséria cotidiana do exílio”, como pontua Primo Levi nos oferece reflexão sobre a dualidade deste povo, “escolhido”, e massacrado. À margem, numa Europa tencionada, onde o Estado-Nação tinha como premissa a territoriedade, vivia o judeu, sem pátria, sem estado, aludindo como “terra prometida”, o solo onde seus antepassados, “Abraão, Isaque e Jacó”, repousaram em algum momento há alguns milhares de anos. Surgiram a emancipação, a assimilação e a incorporação, promessas de cidadania da modernidade, ao judeu que abrisse mão de ser judeu. Herdeiro do judeu da corte, que negociava com o monarca privilégios e segurança para os judeus do reino, em troca de empréstimos que colhia nesta mesma massa judaica, o judeu emancipado possuía direitos civis, e via na assimilação garantias de ascensão social e sobrevivência. Mas, o que era um judeu emancipado? Um judeu que se convertera ao cristianismo, que ocupava cargos públicos, mas que permanecia judeu, embora, na própria comunidade judaica, já não encontrasse referência disto. Quem o “acusava” de ser judeu? O outro. Que atemorizado, diante do diferente, não via no judeu o centauro, mas o minotauro, seu inverso simbólico. A modernidade era um labirinto, e o caminho “teimosamente se bifurca em outro, e ainda teimosamente se bifurca em outro” como escreve e repete Borges[4]. O judeu era o banqueiro, o explorador, o estranho, de hábitos religiosos, alimentares questionáveis... Acusado, inclusive por seus membros, como por Karl Marx, o povo judeu se detinha na fronteira da sociedade, enquanto aos olhos dos Góis (gentios), o dinheiro era o Deus zeloso de Israel[5]. Este painel histórico revela a íntima relação entre judeus e governos, facilitada pela indiferença da burguesia, no final do século XIX, mas permite também perceber que na medida em que a comunidade judaica, já não financeiramente organizada, ainda permanecia aos olhos do mundo como o “judeu conceitual”, como afirmou Hannah Arendt[6]. Como grupo o povo judeu da Europa Ocidental se desintegrou junto com a idéia de Estado-Nação, no processo pós Primeira Guerra Mundial. Estava pronto o palco para a propagação do anti-semitismo, havia o ódio público contra o judeu, esclarecido por Sartre, havia a mentira dos nazistas, de que o judeu era o responsável pelas perdas econômicas da cristandade, havia o mito deicida, havia a resignação do judeu em aceitar o gueto, simbólico ou real, numa atitude milenar do povo acusado de roubar a primogenitura de seu irmão, desde Jacó.

Por que o judeu? Esta é a pergunta que não cala na minha alma, enquanto leio o texto de Primo Levi. Seria sua orgulhosa autodefinição de “povo escolhido”, “o povo de Israel”, para usar as palavras de Levi, suficiente para evocar o ódio, ou pelo menos a conivência com ele, de quase toda uma Europa? Não pretendo encontrar respostas fáceis, como a sugerida por Goldhagen[7], em Os carrascos voluntários de Hitler, que na tentativa de explicar o Holocausto, faz com o alemão, o que o nazismo fez do judeu, cria um “alemão conceitual.” Pretendo, antes, questionar porque nossos olhos o enxergam com tanto medo. Ou com tanta inveja, como aponta Hannah Arendt na descrição da ralé, parceira e cúmplice européia na tentativa de extermínio.

Weber, no início do século, que agora chamamos passado, no qual nascemos no entanto, relatou o homem disperso em esferas, que partem, amputam, segmentam. É cientista na academia, pai na família, animal no prostíbulo. Weber denuncia nossa jaula de ferro, crítica nossa divisão, fruto da nossa escolha eterna de construir dilemas, e escolher entre o objetivo e o subjetivo, o racional e o irracional, a arte e a ciência. Estamos todos partidos. Num certo sentido todas as buscas humanas, de nós, os gentios, se tornaram idólatras, politeístas, pagãs. A sacralidade da vida foi exilada na esfera privada, e nem nela a cultivamos de fato. Weber denuncia nosso “desencantamento”. E desencantados olhamos o caché como hábito alimentar inexplicável, o torá como um conjunto de leis obsoletas, o talmude como um contorno cultural grotesco, o rabino como um caso de esclerose, a resignação do judeu do campo como uma inexplicável e incômoda submissão, enfim, vamos tingindo o que nos é desconhecido com as cores que usamos para construir o nosso universo, desejosos que isto nos retire nossa frustração e nossas dúvidas.

Num certo sentido, o que mais nos incomodou no judeu foi sempre seu monoteísmo, afirma Lawrence Jaffe[8], um analista junguiano. Para ele o judaísmo é símbolo máximo da individuação, e sua recusa em aceitar os ícones da nossa civilização, fazendo de Maria, simplesmente mulher, como exemplifica Primo Levi, nos incomoda porque nos denuncia. É possível que odiemos tudo que denuncia o nosso fracasso, nós que construímos a modernidade para resolver o fracasso da religião em responder as nossas necessidade e a pós-modernidade para elucidar o fracasso da ciência na nossa capacidade em nos destruir, tão patente na Segunda guerra Mundial, e no Holocausto. A questão judaica nos interpela, a pelo menos, vermos, com lucidez, até aonde fomos capazes de ir, quanto espécie. Nossas vítimas, com o Shema[9] nos lábios, morrem na câmara de gás. Jorge Semprum em A escrita ou a vida, revela seu temor de que a fumaça do crematório, foz onde desembocou o rio da intolerância, da inveja, da incompreensão, da ausência total do que conceituamos como alteridade, se torne inodora.

Primo Levi não suportou esta hipótese. Como Cesare Pavese, também em Turim, encontrou uma “razão para se matar”. Levi escreveu: O objetivo da vida é criar a melhor defesa contra a morte. O povo judeu aceitou o monólogo imposto pela Modernidade, mas nem a emancipação, nem a assimilação, nem a incorporação, fúteis garantias, o protegeram do ódio da ralé, dos nazistas, do outro. Esta falta de tolerância continua atingindo o judeu, o negro, o homossexual, o diferente. Esta incompreensão os aliena da condição humana. Primo Levi comentando sobre a visita, em companhia de seu pai, à casa de sua avó, faz alusão a um bombom estragado, recebido sempre da mesma caixa, que ele ocultava no bolso. Era um ato cheio de vergonha, escreve Levi. É com esta mesma vergonha que eu termino esta resenha.

* LEVI, Primo. A tabela Periódica. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1994

[1] Termo alemão traduzido como Iluminismo.
[2] Cf. Imanuel Kant, “O que é o Iluminismo”.
[3] Karady, Victor. Los Judíos en la modernidad europea: experiencia de la violencia y utopía. S. XXI, Madri, 2000
[4] Cf. Borges,J.L. Labirinto Elogio da Sombra, 1969
[5] Cf. Marx, Karl. A questão judaica.
[6] Cf. As origens do totalitarismo. Cia das Letras, São Paulo, 1990.
[7] Goldhagen, Daniel Jonah: Os carrascos voluntários de Hitler: o povo alemão e o Holocausto. Cia das Letras, São Paulo, 2002.
[8] Cf. Jaffe, Lawrence: Libertando o coração. Pensamento, São Paulo, 1993.
[9] Oração, cujo enunciado diz, “Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Deus”.

sábado, 20 de maio de 2006

Holocausto - fontes (by WIKIPEDIA)

Bibliografia

Estudos históricos
Bauer, Yehuda. Rethinking the Holocaust. Yale University Press; New Ed edition, 2002. ISBN 0-300-09300-4
____________. Jews for Sale? Nazi–Jewish Negotiations 1933–1945. Yale University Press, 1994. ISBN 0-300-06852-2
Berenbaum, Michael, A Mosaic of Victims: Non-Jews Persecuted and Murdered by the Nazis (1990)
Berkhoff, Karel C. Harvest of Despair : Life and Death in Ukraine under Nazi Rule (2004)
Black, Edwin. The Transfer Agreement, (c1984)
Braham, Randolph L., The Politics of Genocide: The Holocaust in Hungary (1994, c1981)
Browning, Christopher R. The Origins of the Final Solution: The Evolution of Nazi Jewish Policy, September 1939-March 1942 (2004)
Burleigh, Michael & Wippermann, Wolfgang The Racial State : Germany 1933-1945, Cambridge : Cambridge University Press, (1991) ISBN 0-521-39114-8.
Davidowicz, Lucy, The War Against the Jews : 1933-1945 (1975).
Davies, Norman and Lukas, Richard C. Forgotten Holocaust: The Poles Under German Occupation 1939-1944, (2001, c1996)
Dwork, Deborah. Robert Jan Van Pelt, Auschwitz: 1270 to the Present (1996)
Dwork, Deborah and Jan Van Pelt, Robert. Holocaust: A History (2002)
Friedländer, Saul. Nazi Germany and the Jews : Volume 1: The Years of Persecution 1933-1939 (1998)
Friedlander, Henry. The Origins of Nazi Genocide: From Euthanasia to the Final Solution (1997, c1995)
Gilbert, Martin. Auschwitz and the Allies (1983, c198l)
Hilberg, Raul. The Destruction of the European Jews, vol. 1-3 (2003, c1961)
Hilberg, Raul. Perpetrators, Victims, Bystanders: The Jewish Catastrophe 1933-1945, (1992)
Lusane, Clarence . Hitler's Black Victims: The Historical Experience of Afro-Germans, European Blacks, Africans and African Americans in the Nazi Era (2002)
Peukert, Detlev “The Genesis of the `Final Solution’ from the Spirit of Science” pages 234-252 from Reevaluating the Third Reich edited by Thomas Childers and Jane Caplan, New York: Holmes & Meier, 1994 ISBN 0-8419-1178-9.
Ioanid, Radu. The Holocaust in Romania: The Destruction of Jews and Gypsies Under the Antonescu Regime, 1940-1944 (2001)
Schleunes, Karl A. The Twisted Road to Auschwitz: Nazi Policy Toward German Jews, 1933-1939 (1990, c1970)
United States Holocaust Memorial Museum, Historical Atlas of the Holocaust, Macmillan Publishing (1996)

Relatos de sobreviventes
Amery, Jean. At the Mind's Limits: Contemplations by a Survivor on Auschwitz and its Realities (1998, c1980)
Dittman, Anita. Trapped in Hitler's Hell. 2005. ISBN 0-9721512-8-3
Frankl, Viktor E. Man's Search For Meaning (1997, c1984)
Gutman, Israel, Resistance : The Warsaw Ghetto Uprising (1998)
Heger, Heinz. Men With the Pink Triangle: The True, Life-And-Death Story of Homosexuals in the Nazi Death Camps (1994, c1980)
Klemperer, Victor. I Shall Bear Witness: A Diary of the Nazi Years, 2 vols., also published as I Will Bear Witness in the U.S. (2001, c1998)
Krinitz, Esther Nisenthal. Memories of Survival, (2005) www.artandremembrance.org
Lengyel, Olga. Five chimneys: the story of Auschwitz. (1985, c1947)
Levi Primo. If This Is A Man and The Truce, published separately in the U.S. as Survival At Auschwitz and The Reawakening (1995)
Levi Primo. The Drowned and The Saved (1985)
Filip Müller. Eyewitness Auschwitz: Three Years in the Gas Chambers at Auschwitz (1999, c1979)
Nomberg-Przuytyk, Sara. Auschwitz: True Tales from a Grotesque Land (1985)
Nyiszli, Miklos. Auschwitz : A Doctor's Eyewitness Account (2001)
Vrba, Rudolf. Primeiro publicado como I Cannot Forgive by Sidgwick and Jackson, Grove Press, 1963, ISBN 0-394-62133-6; as vezes publicado como Escape from Auschwitz: I Cannot Forgive; latest edition I Escaped from Auschwitz, Barricade Books, 2002, ISBN 1-56980-232-7.
Wiesenthal, Simon and James, Harry, et al. The Sunflower: On the Possibilities and Limits of Forgiveness (1998, c1997)
Zuckerman, Yitzhak. A Surplus of Memory: Chronicle of the Warsaw Ghetto Uprising (1993)

Obras de ficção semi-autobiográfica
Borowski, Tadeusz. This Way to the Gas, Ladies and Gentlemen (1992, c1967)
Fink, Ida. A Scrap of Time and Other Stories (1995, c1987)
Kertész, Imre. Fateless (1996, c1992)
Spiegelman, Art. Maus : A Survivor's Tale, volume 1: "My Father Bleeds History," volume 2: "Here My Troubles Began" (2 volumes bound in one, Comic book format; story is of author's father, a survivor, 1997, c1986-1991).
Weil, Jiri. Life With a Star (1998, c1964)
Wiesel, Elie. Night (1982, c1972)
Greenfield, Hana. Fragments of Memory (1998, c1998)

Outras documentações
Arad, Yitzhak, Belzec, Sobibor, Treblinka: The Operation Reinhard Death Camps (1999, c1987)
Browning Christopher R., Ordinary Men: Reserve Police Battalion 101 and the Final Solution in Poland(1998, c1992)
Carr, Firpo W. Germany's Black Holocaust, 1890-1945 (2003)
Czech, Dauntua, Auschwitz Chronicle: 1939-1945 (1999)
Lucjan Dobroszycki (ed.), The Chronicle of the Lodz Ghetto, 1941-1944 (1987, c1984)
Gilbert, Martin, Holocaust: A History of the Jews of Europe During the Second World War (1987, c1985)
Gutman, Israel, Berenbaum, Michael, et al. (ed.), Yehuda Bauer, Raul Hilberg, et al. (ed. bd.) Anatomy of the Auschwitz Death Camp (1998, c1994)
Dean, Martin. Collaboration in the Holocaust: Crimes of the Local Police in Belorussia and Ukraine, 1941-44 (1999)
Oppenheimer, Deborah and Harris, Mark Jonathan (ed.), Into the Arms of Strangers : Stories of the Kindertransport (2001, c1998)
Fings, Karola and Kenrick, Donald (ed.) The Gypsies During the Second World War, 2 vols. (1999)
van Pelt, Robert Jan. The Case for Auschwitz: Evidence from the Irving Trial (2002)
Edgar Ansel Mowrer. Germany Puts the Clock Back (1933)

Hipóteses e historiografia
Agamben, Giorgio . Remnants of Auschwitz: The Witness and the Archive (1999)
Arendt, Hannah. Eichmann in Jerusalem: A Report on the Banality of Evil (1994, c1963)
Cole, Tim. Selling the Holocaust : From Auschwitz to Schindler, How History is Bought, Packaged and Sold (1999)
Goldhagen, Daniel J. , Hitler's Willing Executioners: Ordinary Germans and the Holocaust, (1997)
Dippel, John V. H. Bound Upon a Wheel of Fire: Why so many German Jews made the tragic decision to remain in Nazi Germany (1996)
Finkelstein, Norman G.. Ruth Bettina Birn, A nation on trial: the Goldhagen thesis and historical truth (1998)
Leff, Laurel Buried By The Times: The Holocaust And America's Most Important Newspaper, Cambridge University Press (2005), hardcover, 426 pages, ISBN 0-521-81287-9
Lipstadt, Deborah. Denying the Holocaust: The Growing Assault on Truth and Memory (1994)
Marus, Michael R. The Holocaust in History (1989, c1987)
Niewyk, Donald L. Holocaust: Problems & Perspective of Interpretation (1997, c1992)
Novick, Peter. The Holocaust in American Life (1999)
Rosenbaum, Alan S. (ed.) Is the Holocaust Unique?: Perspectives on Comparative Genocide (2001, c1996)
Troncoso, Sergio. The Nature of Truth (2003)
Weiss, John. Ideology of Death: Why the Holocaust Happened in Germany (1997)

Filmografia
Night and Fog, 1955, dirigido por Alain Resnais, narrado por Michel Bouquet
The Sorrow and the Pity, 1972, dirigido por Marcel Ophüls
Shoah
Paper clips

Ficcionais
A Lista de Schindler dirigido por Steven Spielberg narra a história de Oskar Schindler, empresário alemão que ajudou a salvar centenas de judeus.

Links

Sites gerais
United States Holocaust Memorial Museum. Inclui a Enciclopedia do Holocausto e coleções de mapas e fotos.
Yad Vashem (Israeli Holocaust Memorial). Arquivos com a possibilidade de busca em um banco de dado das vítimas.
The Ghetto Fighters' House (museum and study center in Israel)
Arquivos sobre o Holocausto e a resistência judaica.
Deathcamps.org, informações detalhadas sobre os campos de concentração e a Aktion Reinhard.
The Holocaust, Crimes, Heroes And Villains.
The Holocaust Children
The Holocaust "children's voices from beyond"
The Holocaust Chronicle. The full 800 page book online, with photos and search features.
Holocaust information and Holocaust education centre
The History of the Gay Male and Lesbian Experience during World War II
The Holocaust Chronology (PBS)
Holocaust History, general site with large Q&A section
Nonjewish Holocaust victims
Shoah Education Project Web- Introduction to the Holocaust
Short Stories About the Holocaust
The Journey, by surgeon E. T. Rulison, Jr., M.D., F.A.C.S., first-hand account and photographs of the 51st Evacuation Hospital during World War II
The Case of Archbishop Stepinac: How the Catholic Clergy Helped Run Ustashe (i.e., Nazi) Croatia Published by the Yugoslav Embassy, Washington, DC, 1947
A collection of stories and essays about The Holocaust

Memoriais oficiais
Montreal Holocaust Memorial Center Museum
German Government's Memorial To Jews Murdered During Holocaust
European Holocaust Memorial
Imperial War Museum's Holocaust Exhibition
Holocaust Museum Houston
Florida Holocaust Museum
Virginia Holocaust Museum
Beth Shalom Holocaust Centre in Newark, England
Austrian Holocaust Memorial Service
Holocaust Awareness Museum & Educational Center of Philadelphia; America's First Holocaust Museum

Grupos particulares no Holocausto
Africans in the Nazi Camps.
SS-Brigadeführer Franz Walter Stahlecker's "coffin map" Estônia, Latvia, Lituânia, Belarus.
Deathly Silence: Everyday People in the Holocaust (By Plater Robinson)
The Experiences of Jewish Women in the Holocaust
Histories, Narratives and Documents of the Roma and Sinti (Gypsies)
Esperanto and the Holocaust
Nazi Persecution of Gays 1933-1945
Overlooked Millions: Non-Jewish Victims of the Holocaust
Rescuers during the Holocaust

Educação
Millersville University Annual Holocaust Conference
"Remember Our Faces"--Teaching about the Holocaust.
Belief in God After the Holocaust
Rut Matthijsen Excerpt: A Holocaust Rescuer Discusses How the Holocaust Might Best Be Taught

Informação e banco de dados de vítimas
Breakdown of Jewish population by country, before and after WWII
Detailed breakdown of Holocaust victim statistics
Info on victim tracing services
Links to sites listing victims and survivors from specific German communities and concentration camps
Info on archive of 128,000 victim records (currently under construction)
Info on archive of 56,000 victim records from Berlin
Online searchable database of 55,000 victim records from Berlin
Links to several online searchable victim databases
Link to searchable online victim database of 2,700 from Stutthof
Link to searchable online victim database from Augsburg
Link to searchable online victim database from Bingen
Lists of people from Gerau region noted by the Nazis for being insufficiently Aryan; Nazi murder victims listed at the bottom
Lists of Jews sent from Hamburg, organized by concentration camp
Lists of Jews sent from Hanover
Lists of Jews sent from Hattingen
Lists of victims from Hofgeismar, Kassel and Wolfhagen (Hessen)
Hohenschönhausener Victims of the Holocaust
Names of 173 Jewish victims from Kaiserslautern
List of Krefelder Jews who died in institutes, prisons or camps, or suicide during WWII
Death Lists from concentration camps near Muehldorf am Inn
Searchable list of 2300 victims from Nuremberg
List of Jews from Speyer rounded up by Nazis with notation regarding their fate

Documentações e evidências
Detailed answers to Holocaust denial
Documentary Resources on the Nazi Genocide and its Denial
Canadian War Museum World War II Newspaper Archives - The Holocaust

Outros tópicos
OneWorld.net's Perspectives Magazine: Preventing Genocide (April/May 2006)
Oskar Schindler - His List Of Life
The Catholic Church and Nazism in Germany and Croatia
'Hitler's Pope' by John Cornwell
The Secular Word "HOLOCAUST": Scholarly Sacralization, Twentieth Century Meanings
"How the mainstream Jewish leadership failed the Jewish people in World War II" Historical and Investigative Research Francisco Gil-White 2006.
"On the slandering of the mainstream Jewish leadership in World War II through falsified historical research" por Jared Israel
Chaim Yisroel Eiss.
Obtido em "http://pt.wikipedia.org/wiki/Holocausto_%28recursos%29"

quinta-feira, 17 de janeiro de 2002

Museu Histórico de Berlim revive a história do genocídio dos judeus.

Mais de mil objetos ajudam a reconstituir o plano dos nazistas para exterminar seis milhões de pessoas.

Em memória aos 60 anos da Conferência de Wannsee, o Museu Histórico de Berlim está promovendo a mais completa exposição já realizada sobre o Holocausto. A mostra aborda a questão do extermínio dos judeus e sua repercussão na Alemanha do pós-guerra. "Holocausto — O genocídio pelos nazistas e o motivo de sua lembrança" está aberta ao público a partir desta quinta-feira (17).

A Conferência de Wannsee entrou para a História como o registro do exato momento em que os representantes do regime nazista discutiram o modo operacional de implantação do plano de extermínio dos judeus. No dia 20 de janeiro de 1942, os dirigentes nazistas reuniram-se em uma casa no sudoeste de Berlim para selar o destino de milhões de pessoas. Durante o encontro, planejou-se a "solução final do problema dos judeus" na Europa, determinando o seu total extermínio.

Para ilustrar e descrever o ambiente de tramitação da "solução final" estarão expostos 1200 objetos, entre cartazes, fotos, jornais, cartas, filmes, gravações, livros, roupas e utensílios pessoais dos nazistas. Cerca de 120 organizações nacionais e internacionais contribuíram para a exposição, entre elas o Museu de Auschwitz-Birkenau, da Polônia, e o Museu Memorial ao Holocausto, dos Estados Unidos.

A exposição foi dividida cronologicamente, iniciando com os temas: anti-semitismo após a Primeira Guerra Mundial, discriminação e expulsão dos judeus depois que Hitler assumiu o poder (1933) e a investida alemã na Polônia (1939). A segunda parte aborda os assuntos relacionados à discussão acerca do Holocausto na Alemanha do pós-guerra, tanto na parte ocidental do país como na Alemanha comunista.