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sábado, 7 de janeiro de 2012

SEGUINDO O CONSELHO DO POETA: «REPETIR, REPETIR, ATÉ FICAR DIFERENTE»

Texto da Professora Suely Kofes. Impecável
.
http://www.scielo.oces.mctes.pt/pdf/aeq/n22/n22a09.pdf

sábado, 15 de maio de 2010

mais ainda!

Supunhetamos, leitor (a), que você é jornalista e recebe pelo Correio um dossiê com comprovantes indicando que o ex-governador Paulo Maluf (ou o prefeito de uma capital do norte do país) roubou US$ 50 milhões e depositou tudo num paraíso fiscal. Os documentos -você percebe logo- foram grosseiramente falsificados. O que você faz? Joga tudo no lixo ou, ignorando a fraude, publica seu conteúdo como se fosse informação correta?

Essa pergunta feita no primeiro dia de aula sempre gerava polêmica no Curso de Jornalismo entre alunos da disciplina Ética e Legislação na Mídia que ministrei durante anos seguidos na Universidade Federal do Amazonas e, depois, na UERJ.

De um lado, estudantes mais afoitos justificavam: “O dossiê é falso, mas nos faz chegar a uma conclusão verdadeira: a de que Maluf é ladrão. Portanto, devemos publicá-lo, porque assim estaremos escrevendo certo por linhas tortas. No frigir dos ovos, o uso dessa mentira acaba deixando o leitor com a informação certa”.

Embora igualmente antimalufistas, outros alunos mais escrupulosos discordavam. Diziam: “se existe desconfiança de que Maluf é um ladrão de casaca -e as evidências são muitas- o repórter deve procurar provas do delito. Esse é o trabalho do jornalismo investigativo, que deve apresentar fato por fato e não vender fato por lebre. Inventar ou aceitar provas forjadas mesmo contra o pior crápula não é jornalismo. Quem renuncia à apuração dos fatos, engana os leitores, é um profissional incompetente e imoral.”

Esse parece ser o caso dos jornalistas da revista Veja Leonardo Coutinho, Igor Paulin e Júlia de Medeiros, que na semana passada assinaram uma reportagem encomendada intitulada “A Farra da antropologia oportunista”. Com uma diferença: como o dossiê falso não lhes foi remetido pelo Correio, eles saíram à caça não dos fatos, mas da lebre. O que nos faz pensar que aí tem dente de coelho.

Eles juram -mas não querem ver suas respectivas mães mortinhas no inferno se estiverem mentindo- que durante um mês visitaram onze municípios em sete estados, percorreram mais de 3 mil quilômetros de carro e barco e entrevistaram 70 pessoas em busca de fatos. Encontraram lebres. Não viram nem conversaram, por exemplo, com o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, mas registraram declarações que ele nunca deu e que são exatamente o contrário de tudo aquilo que escreveu.

Mentiram pra cacete. Nem sequer uma vírgula ou um ponto de exclamação da matéria são verdadeiros. É tudo lorota! Entrevistas inventadas, números manipulados, informações fantasiosas, dados falsos, provas forjadas, fabricação de fatos. Tudo isso a troco de quê? Só a questão da luta pela terra pode ajudar a explicar tamanha agressão aos fatos e tanta falta de pudor.

veja o restante no autor, http://altino.blogspot.com/

Maravilhoso este post do Catatau!

May 14, 2010


Ver de olhos vendados

Algum tempo atrás surpreendeu quando a "blogosfera" brasileira conferiu um nome a Reinaldo Azevedo baseado em anglicismos: "reservoir dog" da Veja. O anglicismo faz parte do velho hábito de eufemizar, ou mesmo adornar, muitas coisas de gosto duvidoso (e nesse sentido o Dr. Ray e o Casseta e Planeta, cada qual a seu modo, mostram as inúmeras paródias).

O tal RA várias vezes se declarou "adepto ao debate de idéias" (sic). Mas quem já tentou comentar em seu blog sabe que não é assim: os comentários são selecionados, deleta-se os comentários contrários, e os moderadores se resumem a escolher comentários contrários imprecisos e estereotipados para o debate.

Ou então RA inicia cruzadas sazonais contra intelectuais de esquerda. Alguns respondem na moeda, apontando imprecisões. Outros devolvem o despeito, sabendo se tratar de alguém que "escolhe os debatedores" (RA já disse isso).

E não é que a caixa de comentários de RA emula o padrão editorial da própria revista Veja? Ou será, ironicamente, o contrário? O caso do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro é apenas o mais recente, nesse sentido. A revista foi tão infeliz quanto escolheu mal (mal??) o debatedor: deu uma aula sobre como desconsiderar qualquer figura de alteridade (portanto, qualquer debate, pois utilizou as idéias de Castro de forma irresponsável), e fez isso utilizando como objeto um antropólogo!

Segundo caso recente: a editora Abril demitiu o editor da National Geographic Brasil, Felipe Milanez, por criticar a Veja no twitter:

#veja psicografa entrevista q antropologos ñ deram.revista do #serra ñ faz jornalismo sujo.Nem jornalismo é http://miud.in/4uh

Também sobre o tema, http://www.tijolaco.com/?p=14170

sexta-feira, 14 de maio de 2010

DO NPTO

Idéia genial do Celso, do NPTO, que apóio: nenhum acadêmico brasileiro, de nenhuma área, tem direito de dar entrevista para a Veja, ou colaborar com a revista de que forma seja, enquanto não houver um pedido de desculpas a Eduardo Viveiros de Castro.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

A grande resposta do Eduardo, com destaques, de novo, a pedidos!


Aos Editores da revista Veja:
Em resposta à mensagem que enviei à revista Veja no dia 01/05, denunciando a imputação fraudulenta de declarações que me é feita na matéria “A farra da antropologia oportunista”, o site Veja.com traz ontem uma resposta com o título “No Brasil, todo mundo é índio, exceto quem não é”. Ali, os responsáveis pela revista, ou pela resposta, ou, pelo jeito, por coisa nenhuma, reincidem na manipulação e na mentira; pior, confessam cinicamente que fabricaram a declaração a mim atribuída.
Em minha carta de protesto inicial, sublinhei dois pontos: “(1) que nunca tive qualquer espécie de contato com os responsáveis pela matéria; (2) que não pronunciei em qualquer ocasião, ou publiquei em qualquer veículo, reflexão tão grotesca, no conteúdo como na forma”.
Veja contesta estes pontos com os seguintes argumentos:
(1) “Sua primeira afirmação não condiz com a verdade. No início de março, VEJA fez contato com Viveiros de Castro por intermédio da assessoria de imprensa do Museu Nacional do Rio de Janeiro, onde ele trabalha. Por meio da assessoria, Viveiros de Castro recomendou a leitura de um artigo seu intitulado “No Brasil todo mundo é índio, exceto quem não é”, que expressaria sua opinião de forma sistematizada e autorizou VEJA a usar o texto na reportagem de uma maneira sintética.”
Respondo: é falso. A Assessoria de Imprensa do Museu Nacional telefonou-me, talvez no início de março (não acredito mais em nada do que a Veja afirma), perguntando se receberia repórteres da mal-conceituada revista, a propósito de uma matéria que estariam preparando sobre a situação dos índios no Brasil. Respondi que não pretendia sofrer qualquer espécie de contato com esses profissionais, visto que tenho a revista em baixíssima estima e péssima consideração. Esclareci à Assessoria do Museu que eu tinha diversos textos publicados sobre o assunto, cuja consulta e citação é, portanto, livre, e que assim os repórteres, com o perdão da expressão, que se virassem. Não “recomendei a leitura” de nada em particular; e mesmo que o tivesse feito, não poderia ter “autorizado Veja” a usar o texto, simplesmente porque um autor não tem tal poder sobre trabalhos seus já publicados. Quanto à curiosa noção de que eu autorizei a revista, em particular, a “usar de maneira sintética” esse texto, observo que, além de isso “não condizer com a verdade”, certamente não é o caso que esse poder de síntese de que a Veja se acha imbuída inclua a atribuição de sentenças que não só se encontram no texto em questão, como são, ao contrário e justamente, contraditas cabalmente por ele. A matéria de Veja cita, entre aspas, duas frases que formam um argumento único, o qual jamais foi enunciado por mim. Cito, para memória, a atribuição imaginária: “Não basta dizer que é índio para se transformar em um deles. Só é índio quem nasce, cresce e vive num ambiente cultural original” . Com isso, a revista induz maliciosamente o leitor a pensar que (1) a declaração foi dada de viva voz aos repórteres; (2) ela reproduz literalmente algo que disse. Duas grosseiras inverdades.
Veja contesta o segundo ponto com o argumento:
(2) “Também não condiz com a verdade a afirmação feita por Viveiros de Castro no item (2) de sua carta. A frase publicada por VEJA espelha opinião escrita mais de uma vez em seu texto (“Não é qualquer um; e não basta achar ou dizer; só é índio, como eu disse, quem se garante” e “pode-se dizer que ser índio é como aquilo que Lacan dizia sobre ser louco: não o é quem quer. Nem quem simplesmente o diz. Pois só é índio quem se garante”).” Ato contínuo, a revista dá o texto na íntegra, repetindo que eu a autorizei a usar o texto “da forma que bem entendesse”.
No_Brasil_todo_mundo_%C3%A9_%C3%ADndio.pdf).
Pela ordem. Em primeiro lugar, essa resposta da revista fez desaparecer, como num passe de mágica, a frase propriamente afirmativa de minha suposta declaração, a saber, a segunda (Só é índio quem nasce, cresce e vive em um ambiente cultural original”), visto que a primeira (Não basta dizer que é índio etc.) permanece uma mera obviedade, se não for completada por um raciocínio substantivo. Ora, o raciocínio substantivo exposto em meu texto está nas antípodas daquele que Veja falsamente me atribui. A afirmação de Veja de que eu a autorizara a “usar” o texto da forma que ela “bem entendesse” parece assim significar, para os responsáveis (ou não) pela revista, que ela poderia fabricar declarações absurdas e depois dizer que “sintetizavam” o texto. Esse arrogamente “da forma que bem entendesse” não pode incluir um fazer-se de desentendido da parte da Veja.
Reitero que a revista fabricou descaradamente a declaração “Só é indio quem nasce, cresce e vive em um ambiente cultural original”. Se o leitor tiver o trabalho de ler na íntegra a entrevista reproduzida em Veja.com, verá que eu digo exatamente o contrário, a saber, que é impossível de um ponto de vista antropológico (ou qualquer outro) determinar condições necessárias para alguém (uma pessoa ou uma coletivdade) “ser índio”. A frase falsa de Veja põe em minha boca precisamente uma condição necessária, e, ademais, absurda. Em meu texto sustento, ao contrário e positivamente, que é perfeitamente possível especificar diversas condições suficientes para se assumir uma identidade indígena. Talvez os responsáveis pela matéria não conheçam a diferença entre condições necessárias e condições suficientes. Que voltem aos bancos da escola.
A afirmação “só é índio quem nasce, cresce e vive em um ambiente cultural original” é, repito, grotesca. Nenhum antropólogo que se respeite a pronunciaria. Primeiro, porque ela enuncia uma condição impossível (o contrário de uma condição necessária, portanto!) no mundo humano atual; impossível, na verdade, desde que o mundo é mundo. Não existem “ambientes culturais originais”; as culturas estão constantemente em transformação interna e em comunicação externa, e os dois processos são, via de regra, intimamente correlacionados. Não existe instrumento científico capaz de detectar quando uma cultura deixa de ser “original”, nem quando um povo deixa de ser indígena. (E quando será que uma cultura começa a ser original? E quando é que um povo começa a ser indígena?). Ninguém vive no ambiente cultural onde nasceu. Em segundo lugar, o “ambiente cultural original” dos índios, admitindo-se que tal entidade exista, foi destruido meticulosamente durante cinco séculos, por epidemias, massacres, escravização, catequese e destruição ambiental. A seguirmos essa linha de raciocínio, não haveria mais índios no Brasil. Talvez seja isso que Veja queria dizer. Em terceiro lugar, a revista parte do pressuposto inteiramente injustificado de que “ser índio” é algo que remete ao passado; algo que só se pode ou continuar (a duras penas) a ser, ou deixar de ser. A idéia de que uma coletividade possa voltar a ser índia é propriamente impensável pelos autores da matéria e seus mentores intelectuais. Mas como eu lembro em minha entrevista original deturpada por Veja, os bárbaros europeus da Idade Média voltaram a ser romanos e gregos ali pelo século XIV — só que isso se chamou “Renascimento” e não “farra de antropólogos oportunistas”. Como diz Marshall Sahlins, o antropólogo de onde tirei a analogia, alguns povos têm toda a sorte do mundo.
E o Brasil, será que temos toda a sorte do mundo? Será que o Brasil algum dia vai se tornar mesmo um grande Estados Unidos, como quer a Veja ? Será que teremos de viver em um ambiente cultural que não é aquele onde nascemos e crescemos? (Eu cresci durante a ditadura; Deus me livre desse ambiente cultural). Será que vamos deixar de ser brasileiros? Aliás, qual era mesmo nosso ambiente cultural original?
Grato mais uma vez pela atenção
Eduardo Viveiros de Castro
antropólogo – UFRJ

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Direto do NPTO

Veja falsificou depoimento de Eduardo Viveiros de Castro


May 4th, 2010 by NPTO.

É óbvio que os jornalistas da Veja já estão partindo do princípio de que, já que comparado à coluna do Reinaldo Azevedo ali do lado, tudo vai parecer bom, a gente pode escrever qualquer coisa.



Eis a resposta da Veja:

O antropólogo Eduardo Viveiros de Castro enviou a VEJA uma carta – divulgada amplamente na internet – sobre a reportagem “A farra antropológica oportunista”, publicada nesta edição da revista. Na carta, Viveiros de Castro diz: “(1) nunca tive qualquer espécie de contato com os responsáveis pela matéria; (2) não pronunciei em qualquer ocasião, ou publiquei em qualquer veículo, reflexão tão grotesca, no conteúdo como na forma”.

Sua primeira afirmação não condiz com a verdade. No início de março, VEJA fez contato com Viveiros de Castro por intermédio da assessoria de imprensa do Museu Nacional do Rio de Janeiro, onde ele trabalha. Por meio da assessoria, Viveiros de Castro recomendou a leitura de um artigo seu intitulado “No Brasil todo mundo é índio, exceto quem não é”, que expressaria sua opinião de forma sistematizada e autorizou VEJA a usar o texto na reportagem de uma maneira sintética.


Também não condiz com a verdade a afirmação feita por Viveiros de Castro no item (2) de sua carta. A frase publicada por VEJA espelha opinião escrita mais de uma vez em seu texto (“Não é qualquer um; e não basta achar ou dizer; só é índio, como eu disse, quem se garante” e “pode-se dizer que ser índio é como aquilo que Lacan dizia sobre ser louco: não o é quem quer. Nem quem simplesmente o diz. Pois só é índio quem se garante”).

O antropólogo Viveiros de Castro pode não corroborar integralmente o conteúdo da reportagem, mas concorda, sim, como está demonstrada em sua produção intelectual, que a autodeclaração não é critério suficiente para que uma pessoa seja considerada indígena.[ênfase - NPTO]

Deixemos de lado os que vão dizer que receber um texto da assessoria de imprensa do lugar onde o cara trabalha autoriza a citar o sujeito como se o tivessem entrevistado.

Vejam a real beleza da coisa: em sua resposta, A VEJA NÃO REPRODUZ A FRASE QUE O EVC DIZ QUE NÃO DISSE, para que o leitor não possa compará-la com a frase que ele disse, e ver que (1) ELAS NÃO SÃO IGUAIS, e (2) A FRASE DO EVC SAIU NA VEJA ENTRE ASPAS, COMO DECLARAÇÃO REPRODUZIDA LITERALMENTE. O leitor tinha todo o direito de achar que era uma frase saída da boca do EVC. Não era: A FRASE FOI INVENTADA PELA VEJA.

O texto do qual a Veja diz que tirou a citação (o que, conforme sua própria confissão, e segundo ficará claro para quem ler o artigo, é falso) é muito difícil. Não se pode esperar que leigos entendam as referência a Lacan, os deleuzismos, a distinção entre differénce e identidade, enfim. É um texto escrito para antropólogos. Não acho que o Lacan esteja ali de graça, nem a idéia deleuziana do devir. Ninguém é obrigado a entender disso, mas quem não entender, favor não escrever sobre isso.

Como regra, só escreva sobre o que você conseguir ler.

Não tenho idéia se as propostas do EVC são boas, mas, ao contrário do cara que escreveu a matéria, e tal como o antropólogo que eles deveriam ter chamado para explicar o assunto para eles, sei que o texto do EVC não tem porra nenhuma a ver com o que a reportagem defende. Pago pra ver um antropólogo que entenda do assunto e diga que é a mesma coisa. A frase da Veja é:

Não basta dizer que é índio para se transformar em um deles. Só é índio quem nasce, cresce e vive num ambiente de cultura indígena original

É óbvio que o que a Veja está tentando fazer o Viveiros de Castro dizer é que só é índio quem ficou lá pelado comendo mandioca, e, eventualmente, outros índios, no mesmo lugar da mata a vida inteira, até morrer de varíola por volta de 1600.

Nem se vocês enfiarem o Reinaldo Azevedo no cu do cadáver fresco do Lévi-Strauss você vai conseguir fazer essa idéia sair de dentro de um antropólogo. Com muita boa vontade, e, repito, eu não acredito no que vou dizer agora, é só for the sake of argument, esse critério pode corresponder a um dos que o EVC oferece (como suficiente, mas não necessário): o cara estar lá no território ancestral.

Antes de dizer os outros critérios, vale notar o seguinte: o texto é inteiro feito para dizer que quem adota só esse critério está inteiramente errado. Arrumem um antropólogo para ler e vejam o que ele diz.

Além disso, há vários outros critérios: parentesco, parentesco por afinidade (ele diz claramente: quem os índios aceitarem como parentes, é índio), adesão aos valores culturais – que pode ser flutuante, pois, e aqui há um ponto muito importante, parte dos caras querendo virar índio são índios que foram pressionados a virar brancos durante décadas – adesão ao patrimônio cultural (minha expressão, não falo antropologuês bem o suficiente para ainda traduzir). Mesmo no caso dos índios que estão só agora estudando a própria cultura, o EVC oferece uma citação interessante do Sahlins: quando os europeus resolveram reaprender sua própria cultura, que tinham esquecido por séculos, nós chamamos isso de Renascimento.

Repito: não tenho a menor idéia do que seria uma boa política indigenista (e o próprio termo é esquisito). É possível que, se eu conhecesse o assunto a fundo, discordasse do EVC. Agora, eu sei ler, e sei que falsificaram o depoimento do cara. A Veja interpretar errado um texto técnico não é tão grave. O gravíssimo é pegar a interpretação errada, colocar entra aspas, e dizer que é do autor.


Fim de feira completo, falsificação, crime. A Veja deve dinheiro a Eduardo Viveiros de Castro.

Alguém explique para os caras que eles não têm material humano para discutir idéia complicada. Se essa idéia também for complicada demais pra eles, arrumem um macaco que saiba falar por sinais “palavra grande ruuuuuuuim”.

E se me permitem a fixação pós-moderna com a linguagem, o mais interessante na resposta da Veja é o “espelha”. No espelho se vê invertido, direita é esquerda, esquerda é direita, Eduardo Viveiros de Castro é Veja.

PS: o triste é que pode ser que apareça um desses intelectuais de aluguel pra defender a revista. Se aparecer, bring it on.

PSTU: se um ou mais antropólogos quiserem escrever apresentações mais bem feitas do texto do EVC, eu coloco como post, se vocês quiserem. O Igor imagino que vá publicar no Chihuahua.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Nota da Diretoria da ABA sobre matéria publicada pela revista Veja

Nota da Diretoria da ABA sobre matéria publicada pela revista Veja (Veja ano 43 nº 18, de 05/05/2010)

Frente á publicação de matéria intitulada "A farra da antropologia oportunista" (Veja ano 43 nº 18, de 05/05/2010), a diretoria da Associação Brasileira de Antropologia (ABA), em nome de seus associados, clama pelo exercício de jornalismo responsável, exigindo respeito à atuação profissional do quadro de antropólogos disponível no Brasil, formados pelos mais rigorosos cânones científicos e regidos por estritas diretrizes éticas, teóricas, epistemológicas e metodológicas, reconhecidas internacionalmente e avaliadas por pares da mais elevada estatura cientifica, bem como por autoridades de áreas afins. A ABA reserva-se ao direito de exigir dos editores da revista semanal Veja que publique matéria em desagravo pelo desrespeito generalizado aos profissionais e acadêmicos da área.





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