quinta-feira, 2 de junho de 2011

Geórgia bane símbolos do comunismo e do nazismo em meio a ambiente tenso no país


Geórgia bane símbolos do comunismo e do nazismo em meio a ambiente tenso no país

1/6/2011 14:22,  Por Redação, com agências internacionais - de Tbilisi
Geórgia
Manifestante na Geórgia é preso durante revolta popular abafada pelas forças de segurança
O parlamento daGeórgia baniu o uso de símbolos nazistas e comunistas no país e aprovou, nesta quarta-feira, um pacote de restrições legais para as pessoas ligadas à ex-União Soviética, tanto às agências do serviços secretos quanto às organizações do Partido Comunista da antiga URSS. As alterações fazem parte da Carta da Liberdade, votada no Parlamento após três rodadas de votações, em meio a um ambiente de tensão no país.
Autor do documento, o deputado e chefe da facção Geórgia Forte, Giya Tortladze, comemorou:
– O público tem esperado a adoção desta lei há duas décadas, e eu estou orgulhoso de aprovação do documento. O objetivo da Carta é tomar medidas preventivas para combater a ideologia comunista ou nazista, invasões sobre os princípios da segurança do país, contra o terrorismo e os crimes contra o Estado. Ele tem de contribuir para o funcionamento eficaz das normas legais para garantir a segurança nacional e ao desenvolvimento democrático do país.
Confusão nas ruas
A Geórgia vive um momento de efervecência política, em meio a uma série de manifestações contra o presidente georgiano Mikheil Saakashvili. Os manifestantes foram dispersados, na semana passada, após uma sangrenta batalha campal que resultou em dois mortos e, no mínimo, 37 feridos. As duas vítimas fatais, segundo o diário espanhol El Mundo, são um policial e um ex-oficial do exército. Eles teriam sido atropelados por ativistas, que fugiram após o incidente. As autoridades usaram balas de borracha, gás lacrimogéneo e canhões de água para dispersar os manifestantes.
Os cerca de 5 mil manifestantes estavam reunidos há cinco dias na capital, Tbilissi, em frente ao parlamento, para pedir a demissão de Saakshvili, que acusam de ter sido reeleito através de fraude eleitoral e de ter responsabilidades na derrota georgiana na guerra pela soberania na Ossétia do Sul, que durou cinco dias, em 2008, e resultou na ocupação russa dos territórios caucasianos da Ossétia do Sul e da Abecásia.
O líder georgiano disse na véspera, que se tratou de “uma tentativa de realizar protestos de acordo com um cenário escrito fora da Geórgia, para contrariar e sabotar as celebrações do Dia da Independência e perturbar a ordem pública no país”. Saakshvili acrescentou:
– Este dia foi escolhido a dedo pelos nossos ocupantes (…) estaremos vigilantes e vamos responder adequadamente a qualquer provocação pelo nosso inimigo e ocupante.
São claras as alusões à Rússia, que continua a manter contingentes militares destacados nas regiões do Cáucaso. Moscou ainda não se pronunciou sobre as acusações.
Saakashvili tinha também culpado a Rússia pelos protestos de Novembro de 2007 em Tbilissi, que duraram também cinco dias e foram igualmente reprimidos violentamente pelas autoridades. Em pouco menos de uma semana, é a segunda vez que a Geórgia aponta armas diplomáticas ao Kremlin: no dia 20 deste mês o parlamento georgiano aprovou por unanimidade o reconhecimento do genocídio dos circassianos, levado a cabo pela Rússia dos czares em 1864. A Geórgia tornou assim a reconhecer o massacre, na véspera no Dia da Memória Circassiano e sublinhou o afastamento da Rússia por parte dos países do Cáucaso.
Bruxelas condena
A repressão aos oposicionistas desagradou à Comissão Europeia, que classificou a ação policial de “lamentável”. A porta-voz da Comissão Europeia, Natasha Butler, disse à agência francesa de notícias AFP:
– Entendemos a necessidade de manter a lei e a ordem, mas já tínhamos dito ao governo georgiano que consideramos que isso terá de ser feito de forma racional. A liberdade de reunião é um direito democrático e a Geórgia deverá assegurar esse direito.
O embaixador norte-americano na Geórgia, John Bass, foi mais brando na reação e mostrou-se de acordo com a posição de Saakashvili em relação aos protestos:
– Preocupam-me as indicações da existência de elementos dentro destes grupos de opositores que parecem estar mais interessados em forçar confrontos violentos que em protestar pacificamente – disse Bass, logo após os incidentes.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

SaferNet: Bolsonaro agravou violência de ataques no Twitter

SaferNet: Bolsonaro agravou violência de ataques no Twitter

Ana Cláudia Barros

Evolução das denúncias de manifestações de ódio no Twitter em 2010(Fonte:SaferNet)
A máxima "a internet é um espelho fiel da sociedade" parece ainda mais cabível quando observadas as ondas de discriminação e ódio que têm emergido nos últimos meses no Twitter. Análise da evolução diária das denúncias no microblog, elaborada pela SaferNet e obtida com exclusividade por Terra Magazine, confirma o que já se suspeitava: eventos do "mundo real" impactam diretamente o ambiente virtual.
Nas cinco principais ondas de ataques e nas manifestações de menor proporção deflagradas no Twitter, no período que vai de novembro de 2010 a 16 maio deste ano, essa correlação fica evidente, conforme enfatiza o presidente da SaferNet Brasil - organização não-governamental que combate crimes contra direitos humanos na rede -, Thiago Tavares.
Ele chama a atenção para o "aumento significativo" da frequência e da violência dos ataques após a entrada em cena do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ).
- Com suas declarações polêmicas, o Bolsonaro acendeu o pavio e encorajou algumas ondas sucessivas de homofobia no Twitter e nas outras redes sociais no Brasil; Orkut principalmente - afirma, destacando a conexão entre realidade "online" e "offline".
- Se forem cruzados os dados da planilha com as notícias veiculadas na imprensa, é possível perceber ligação com fatos, como disputas no Congresso, violência a homossexuais na Avenida Paulista, chuvas no Nordeste, metrô em Higienópolis.
Sobre as ondas menores, acrescenta:
- Elas têm se apresentado constantes ao longo de 2011. Em sua maioria, foram detonadas pela polarização do debate em torno dos direitos dos homossexuais.
De acordo com Tavares, a incidência das manifestações de discriminação começou a se acirrar a partir do final do segundo semestre de 2010. Sobre os motivos deste crescimento, argumenta:
- Dois fatores são importantes e, em conjunto, ajudam a entender esses números. O Twitter se expandiu muito no Brasil do segundo semestre pra cá. Hoje, tem em torno de 15 milhões de usuários (no mundo, são cerca de 180 milhões). O aumento expressivo na base de usuários também influenciou no número de casos - diz, prosseguindo com a explicação:
- Outro fator importante foi a violência no debate eleitoral. Essa agressividade que permeou a campanha dos candidatos foi transposta para os eleitores. O clima de animosidade criou um ambiente propício para essas manifestações exacerbadas de ódio.

Evolução das denúncias de manifestações de ódio no Twitter em 2011 (Fonte:SaferNet)
De janeiro a dezembro de 2010, 2.372 tweets(mensagens postadas no microblog) com teor discriminatório foram encaminhados à Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos, criada pela SaferNet e operada em parceria com os ministérios públicos federal e estaduais e a Polícia Federal.
Ao todo, foram contabilizados 23.589 denunciantes. Só de janeiro a 16 de maio de 2011, 1.181 tweets com as mesmas características foram reportados à SaferNet, quase a metade do acumulado no ano passado inteiro. Até a mencionada data, 8.942 pessoas se dispuseram a delatar os casos de discriminação. Todas as denúncias são anônimas.
"Detonadores"
O presidente da SaferNet explica que as ondas de preconceito no Twitter Brasil são desencadeadas pelo que chama de "perfis detonadores", usuários que "assumem a dianteira e inauguram uma sequência de ódio, uma gritaria generalizada".
A primeira grande onda aconteceu entre 1º e 4 de novembro do ano passado, logo após o anúncio do resultado das eleições presidenciais. Conforme a SaferNet, o perfil da estudante de Direito Mayara Petruso, apontada na época como pivô da polêmica em razão do comentário de que queria afogar os nordestinos, foi, de fato, o estopim das manifestações de preconceito. Neste período de quatro dias, 4.002 pessoas acionaram a ONG para denunciar.
Tavares comenta que foi necessário um "tratamento de choque" para estancar o tumulto na rede.
- Preparamos um relatório com 1.037 contas do Twitter, mandamos a lista para o Ministério Público e comunicamos à imprensa. Foi imediato. Cessou rapidamente.
- Se você comparar essa onda com as demais, vai perceber que as outras ondas duram, no máximo, 48, 72 horas estourando. A onda contra os nordestinos após as eleições, por sua vez, iria perdurar por mais de uma semana. Ela já durava cinco dias. Era uma atividade enorme. As mensagens estavam cada vez mais agressivas. Isso nos surpreendeu. Era uma onda absolutamente sem controle. Por isso decidimos adotar uma ação enérgica.
O segundo "tsunami" virtual foi registrado entre 17 e 19 do mesmo mês, após o lançamento, às vésperas do Dia Nacional da Consciência Negra, da campanha no Twitter "#HomofobiaNão". Em contraposição ao movimento, grupos conservadores criaram o perfil e a hashtag "#HomofobiaSim", o que impulsionou uma sequência de manifestações de repúdio aos homossexuais. Ao todo, 8.574 denunciaram.
Já a terceira onda, observada entre 29 e 30 também de novembro, teve como mote o neonazismo. Os alvos? Negros e gays. Os dois perfis apontados como os responsáveis pela propagação do ódio (@anjooslava e @anjonazistaheil) já não estão mais ativos, mas os comentários racistas e homofóbicos podem ser vistos via buscador Topsy, que mostra quem foram os autores da divulgação de determinado tweet e exibe as mensagens mais repassadas pelos usuários.
Entre os recados deixados pelos perfis, ataques frontais como: "Eu odeio homossexuais, desejo que todos eles tenham uma morte sofrida e dolorosa, meu sonho é um dia ver a humanidade livre dessa raça!"; "Meu avô foi brutalmente assassinado por um negro. Como eu vou defender esses lixos?"; "Rejeite o lixo multicultural! Despreze a escória homossexual!!! Não irei me acovardar, e sim massacrar"; "Esse país é um lixo, eles querem te obrigar a amar negros, homossexuais. Se for pra viver nesse lixo a minha vida toda, prefiro a morte".
A quarta grande onda, ocorrida em 28 e 29 de dezembro, também foi alavancada pela aversão aos gays, lésbicas, transexuais e bissexuais. Segundo a SaferNet, os perfis detonadores foram @contraGays e @estuproSim, este último cancelado.
A série de ataques mais recente aconteceu em 12 deste mês, após a eliminação do Flamengo na Copa do Brasil pelo Ceará. Em um único dia, 5.150 internautas, indignados com o teor das mensagens de preconceito contra nordestinos, recorreram à SaferNet.

terça-feira, 3 de maio de 2011

FINALMENTE!!!!!!!!!!!!

Justiça de SP condena homem por racismo no Orkut

Ele teve pena de reclusão transformada em prestação de serviços. 
Réu usou tio negro como testemunha de defesa.


A juíza Maria Isabel Rebello Pinho Dias, da 16ª Vara Criminal de São Paulo, condenou um homem de 27 anos acusado de racismo pela internet a dois anos, quatro meses e 24 dias de prisão.  Ele respondeu a um processo originado em 2008 pelo crime de praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. As agressões foram difundidas por meio do site de relacionamentos Orkut. Como a condenação foi inferior a quatro anos de reclusão e o acusado é réu primário, a pena foi convertida em prestação de serviços à comunidade. A sentença é de 28 de fevereiro  de 2011.


O Ministério Público Estadual acusou o homem de ter adicionado no seu perfil do Orkut as comunidades "coisas que odeio: preto e racista", "Adolf Hitler Lovers", "Sou racista" e "racista não, higiênico!". De acordo com a sentença, o rapaz afirmou que há negros em sua família e não tinha motivos para ser racista. Ele reconheceu que fez comentários infelizes, mas disse que na época não pensava sobre suas consequências.


A juíza não cedeu a esse argumento. "Em que pese o acusado sustentar que apenas fez comentários infelizes, com intenção de brincadeira e discussão, tal alegação deve ser rechaçada, pois não é admissível que a livre manifestação de pensamento seja usada como subterfúgio para condutas abusivas e lesivas a um dos objetivos da República Federativa do Brasil, qual seja, a promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, cor, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação", disse a juíza.

Um homem negro se apresentou como testemunha de defesa e disse ser tio do réu. A juíza entendeu que isso em nada beneficiou o acusado. "Possuindo pessoas do seu círculo familiar da raça negra, o réu deveria dar o exemplo, abstendo-se de colocações racistas, há tanto tempo combatidas em nossa sociedade."

De acordo com o promotor de Justiça Christiano Jorge dos Santos, o agressor é integrante de uma famíl ia de classe média baixa, tinha cursado apenas o ensino médio e vivia às custas da avó. O promotor realizou investigações de crimes de racismo na internet que chegaram à pagina do acusado. Um estagiário do Ministério Público entrou em contato com o rapaz, que admitiu as mensagens racistas.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

David Lane - Como se faz um ariano

Na autobiografia do líder neonazista David lane, ele se vale da construção narrativa para organizar um discurso a respeito do "arianismo" tecido por comentários a fragmentados elementos de sua história de vida. Pensando a autobiografia dele, ficam cada vez mais compreensíveis as relações exploradas por Suely Kofes entre memória, experiência, produção do esquecimento, narrativa e etnografia:
Primeiramente, porque seria impossível me debruçar na sua narrativa biográfica sem a realização do trabalho de campo que desenvolvi anteriormente. Foi na etnografia e a partir dela que o que se pretende um "sujeito nazi" se delineou compreensível para mim.
Em segundo lugar, porque no texto de Lane, a memória, a elaboração desta particular e decisiva narrativa da experiência do se tornar "ariano", o jogo entre o que é lembrado e estrategicamente esquecido, revelam muito de como na esfera política esse mosaico é possível.
Finalmente, entendo esta auto-biografia como um verdadeiro roteiro de sua ideologia e uma agenda política.


Bem, para quem não sabe, este tema é o centro do meu Doutorado. Discursos, internet, narrativa, usos político, esquecimentos e memória, fazem parte. Voltando a Foucault!

sábado, 9 de abril de 2011

Direita e esquerda

Resumindo: a direita quer, no máximo, eliminar os pobres. A esquerda quer, no mínimo, eliminar a pobreza.
Adriana Dias

Reflexões no twitter a partir de Direita e Esquerda: Razões e Significados de uma Distinção Política, de Norberto Bobbio (Editora da UNESP, São Paulo, 1995).

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Charter of Human Rights and Principles for the Internet

Welcome to the dedicated website for the Charter of Human Rights and Principles for the Internet and related 10 Rights and Principles for Internet governance. Both of these initiatives have been developed by the Internet Rights and Principles Dynamic Coalition (IRP), an open network of individuals and organisations working to uphold human rights in the Internet environment.
You can use this site to download the 10 Internet Rights and Principles - a set of international standards that must be upheld in order to protect and advance human rights online. Use the flyer to raise awareness and push policy makers to make human rights a cornerstone of Internet governance.
You can also participate in the development of the Charter. This goes into more depth than the Principles, applying international human rights standards to the Internet and examining the roles that different stakeholders need to play to uphold them. We've already drafted a beta version of the Charter. We're now actively seeking your comments and contributions to make sure that we've covered all of the issues in the right way. You can use this site to comment on each article, as well as to make more general comments. Please do get involved - we all need to work together to build an Internet that is truly empowering and liberating for all of humankind.

Download translations.

10 INTERNET RIGHTS & PRINCIPLES

This document defines ten key rights and principles that must form the basis of Internet governance. They have been compiled by theInternet Rights and Principles Dynamic Coalition (IRP), an open network of individuals and organisations working to uphold human rights in the Internet environment. The principles are rooted in international human rights standards, and derive from the coalition's emerging Charter of Human Rights and Principles for the Internet.
The Internet offers unprecedented opportunities for the realisation of human rights, and plays an increasingly important role in our everyday lives. It is therefore essential that all actors, both public and private, respect and protect human rights on the Internet. Steps must also be taken to ensure that the Internet operates and evolves in ways that fulfil human rights to the greatest extent possible. To help realise this vision of a rights-based Internet environment, the 10 Rights and Principles are:

1) Universality and Equality

All humans are born free and equal in dignity and rights, which must be respected, protected and fulfilled in the online environment.

2) Rights and Social Justice

The Internet is a space for the promotion, protection and fulfilment of human rights and the advancement of social justice. Everyone has the duty to respect the human rights of all others in the online environment.

3) Accessibility

Everyone has an equal right to access and use a secure and open Internet.

4) Expression and Association

Everyone has the right to seek, receive, and impart information freely on the Internet without censorship or other interference. Everyone also has the right to associate freely through and on the Internet, for social, political, cultural or other purposes.

5) Privacy and Data Protection

Everyone has the right to privacy online. This includes freedom from surveillance, the right to use encryption, and the right to online anonymity. Everyone also has the right to data protection, including control over personal data collection, retention, processing, disposal and disclosure.

6) Life, Liberty and Security

The rights to life, liberty, and security must be respected, protected and fulfilled online. These rights must not be infringed upon, or used to infringe other rights, in the online environment.

7) Diversity

Cultural and linguistic diversity on the Internet must be promoted, and technical and policy innovation should be encouraged to facilitate plurality of expression.

8) Network Equality

Everyone shall have universal and open access to the Internet's content, free from discriminatory prioritisation, filtering or traffic control on commercial, political or other grounds.

9) Standards and Regulation

The Internet's architecture, communication systems, and document and data formats shall be based on open standards that ensure complete interoperability, inclusion and equal opportunity for all.

10) Governance

Human rights and social justice must form the legal and normative foundations upon which the Internet operates and is governed. This shall happen in a transparent and multilateral manner, based on principles of openness, inclusive participation and accountability.
Get involved with developing the IRP Charter at www.irpcharter.org, follow us at @netrightson Twitter or join the Internet Rights and Principles Facebook group.

Direto do Blog do Fórum da Liberdade


*Por Maurício Filippon
Tenho contato com acesso a internet no Brasil desde os tempos da antiga RNP (Rede Nacional de Pesquisa), através da rede da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), quando a internet ainda não era explorada comercialmente no País – isso já faz mais de quinze anos. Com o passar do tempo, a evolução e exploração da internet foi meteórica e absolutamente inacreditável: portais de informações, chats, redes de relacionamentos, mecanismos de busca instantânea, blogs, lojas on-line, cidades virtuais e mais tudo o que a imaginação permitiu foi feito nesse ambiente. E o que explica o porquê de tantas inovações, muitas delas revolucionárias, da qual dependemos hoje em dia para termos uma vida atualizada, facilitada e produtiva – inovações que foram criadas e estão à disposição de todos que possuem uma conexão e um microcomputador ou qualquer outro dispositivo que converse com a rede mundial de computadores? Bom, eu explico o motivo:
A internet é um meio livre, no qual a liberdade pode ser exercida em toda a sua essência: qualquer pessoa, dependendo unicamente de suas capacidades, pode criar o que bem imaginar e colocar, à disposição de todos, seja um blog, seja uma ferramenta de trabalho, utilizando recursos de imagens, áudio e vídeo. Não depende de mais nada. Sua criatividade pode ser exercida e colocada à disposição de todos, como seu criador julgar melhor.
Tal liberdade deixa qualquer governo incomodado, por mais liberal que seja. Acreditam que têm o direito e o dever de controlar o meio, para impedir o mau uso dele, pregando que se trata de uma ferramenta que pode ser nociva se mal utilizada – e é dever dele, governo, regular isso. Mas não é verdade. O fato é que existe receio por parte dos governos de que tal liberdade possa causar movimentos que desagradem aos governantes, principalmente no campo das ideias. É o que acontece com o controle de navegação em países como China e Cuba, por exemplo, onde o acesso ao conteúdo é extremamente restrito e monitorado.
Realmente, o poder de uma ferramenta como a internet é incalculável, tanto para o bem como para o mal. Jamais ela será totalmente voltada para benfeitorias enquanto seus usuários fizerem mau uso dela. Contudo, limitar acessos e controlá-la, ao meu ver, fica totalmente fora de questão. Faço aqui um paralelo com a condução de um veículo: quando mal utilizado, pode causar uma tragédia, seja acidental, seja propositada. Imagine se nossos veículos tivessem trajetória e velocidades pré-estabelecidas, as quais não pudéssemos alterar; veja o quanto estaríamos limitando uma ferramenta cujo maior atrativo e potencial é que cada usuário determine o seu melhor uso, em benefício próprio – e isso implica, obviamente, na responsabilidade em mesma magnitude que a utilidade que tal meio representa.
O que precisamos, na verdade, é de cada vez mais termos bons usuários para a internet, pessoas cada vez mais educadas e instruídas, base para o desenvolvimento de qualquer povo ou nação. Pessoas que produzam, que criem, que contribuam para o aumento do conhecimento global. Conforme a visão de Hayek, o verdadeiro conhecimento está pulverizado no mundo, e esse conhecimento jamais será concentrado em poucos. A internet é um reflexo disso: milhares e milhares de computadores, ligados entre si, de forma descentralizada, formam hoje o maior poder computacional do mundo. E além disso, a internet é o meio que julgo beirar a perfeição para a conexão do conhecimento – antes muito mais fragmentado, com maior dificuldade para se ligarem as peças do quebra-cabeças do conhecimento. Portanto, a internet propicia que inovações cada vez melhores possam surgir em nossas vidas. O caminho realmente não está em controlar e tolher acessos à internet, mas sim em permitir e garantir que ela seja um ambiente completamente livre para o acesso à informação, para a produtividade e para o desenvolvimento.
*Fundador e diretor da Done TI e associado do Instituto de Estudos Empresariais (IEE)

quinta-feira, 31 de março de 2011

#forabolsonaro 2 - A análise.

Bem, a campanha contra o deputado se mantém firme e forte. No meio disso tudo, acabou um BBB (o mais fraco de todos, ainda bem) e morreu o querido companheiro, guerreiro, lutador (valeu, Zé!), exemplo para os que sofrem as dores do corpo, nesta vida.

Apesar de tudo isso, e olha q bastava bem pouco antes para tirar qualquer expectativa política dos alienados TT brasileiros, o #forabolsonaro se mantém. São milhares de pessoas se organizando em dois dias: passam de 20 mil  30 mil 42mil no FACEBOOK; mais de 60 68 70 mil na Avaaz, são centenas de milhares de RT no Twitter. É o clamor popular.

Fenômeno assim, apenas a #bolinhadepapelfacts...
E ela ajudou a decidir uma eleição. E trouxe humor e frases fantásticas de volta ao cenário político. Ao mesmo tempo que a política se tornava fascista como nunca. Paradoxal, né? Estamos agora gritando pelo fim do fascismo, encarnado no Bolsonaro. Que continua achando que vai escapar dessa. Espero que não. Se ele escapar, sairemos às ruas. É preciso desobediência civil para lembrar a todos que a Constituição tem de ser respeitada?

Exigimos direito de resposta ao CQC. O povo brasileiro assim o faz. #forabolsonaro.

Cada vez temo mais o voto distrital. Pessoas como esse fascista teriam chances reais de viver politicamente de seus distritos, e isso me dá medo. E hoje é a data fúnebre. Como da ditadura sabemos tão pouco, juntemos ao #forabolsonaro, um #queremosaverdade. Vamos erradicar de vez o totalitarismo desse país, pelas entranhas?

terça-feira, 29 de março de 2011

Fora Bolsonaro.


Hannah Arendt denunciou o Estado nacional-socialista num formato de monstruosidade irrestrita exteriorizado na forma de um terrorismo legal. O Bolsonaro é isso em forma humana. MPF, racismo é crime. Não aceitaremos "desculpas". Chega de Fascismo. Chega de racismo.


Sim, ele foi eleito. Pela corja que pensa que o mundo é racialmente definido. Pelos nazi-fascistas de plantão que acham que mulheres, negros, gays devem ser eliminados pelo uso irracional, desumano, inconstitucional da força.



O fato dele ser eleito, não o torna intocável. manifestemos nosso poder fora das urnas: Pessoas de bem deste país, vamos começar. Pessoas de bem, uni-vos. Um fantasma ronda o mundo: o fantasma da igualdade, da não-segregação. Vamos assinar o maior movimento contra um eleito que esse país já viu. Não aceitaremos. Não nos calaremos.

Preta Gil, mulher, negra, maravilhosa. Todo nosso apoio.

Protocolemos documentos, vamos encher as caixas dos deputados e senadores. Não, ser eleito não torna ninguém acima das leis, acima da Constituição. Na verdade, o obriga ainda mais a respeitar e honrar nossa lei maior. nossa luta não é apenas contra a homofobia, o racismo, a incitação à violência doméstica e de Estado por este deputado encarnada. Nossa luta é pelo Estado de Direito. Por um mundo sem segregação racial. Pelo poder do povo, que no Brasil, escolheu uma constituição democrática, respeitada por sua voz pelos  Direitos Humanos. 

Ou damos uma resposta agora, ou continuaremos dizendo a esta corja que eles tem direito a voz. Não no meu país. Não no meu Brasil, colorido, diverso, humano.

Chega.

Leia:
Veja ainda:

Bolsonaro diz na TV que seus filhos não ‘correm risco’ de namorar negras ou virar gays porque foram ‘muito bem educados http://ht.ly/4oP3b


Em A Condição Humana, Arendt  se preocupa com os mecanismos que geram vínculos para ações coletivas: "o que mantém unidas as pessoas depois que passa o momento fugaz da ação (aquilo que hoje chamamos de 'organização') e o que elas, por sua vez, mantêm vivo ao permanecerem unidas é o poder" (Arendt 1981: 213). A filósofa intercomunica duas dimensões do poder nesta concepção: por um lado “há uma ação coletiva que funda o grupo”, o que designa, necessariamente, um vínculo entre o momento e a "esfera pública". A outra dimensão está na capacidade do poder em legitimar esta “ação inicial”, “fugaz”, num vínculo. Nessa tessitura o poder é fruto da ação coletiva do grupo que o sustenta. 


Vamos mostrar, que para além desse momento quase fugaz da eleição, o poder permance conosco: nossa ação pode mudar, sim, o país.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Ai que saudades do Erwin Panofsky!

manifesto pelo direito de dizer Credo.


Gente bonita, Eu ando muito impaciente. 
Ai, gente acorda. O mundo deixou de ser dialético. É polifônico. Ng leu Erwin Panofsky ? Credo.
Começou a V Internacional Comunista, credo. Como assim, alguém tá usando esse nome? Isso acabou. O Leon Trotsky tinha certificado de marcas e patente por acaso? Credo.
marca e patente é coisa de estadunidense imperialista! Credo.
A Líbia é o mal. O bem. O mal e o bem. Credo.
Você conhece a gasolina, a margarina. Credo.
baby, baby... credo.
Credo. Credo Credo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Existem 1Ø tipos de pessoas:as que entendem binário e as que não.
Eu tenho sonhos. Credo.
Valores. Credo.

Credo. Do latim. Quer dizer Creio. Agora releia tudo, por favor. Amém.

terça-feira, 22 de março de 2011

Descoberta vala comum com vítimas do nazismo


Nina Heizer/03.01.2010/EFENina Heizer/03.01.2010/EFE
Local onde foi encontrada vala comum com os restos mortais de cerca de 220 vítimas do Programa de Eutanásia nazist

Atualizando, com a foto do local.


Fonte: http://www.jn.pt/PaginaInicial/Mundo/Interior.aspx?content_id=1747811

Cerca de 220 alegadas vítimas do "programa de eutanásia" nazi foram encontradas numa vala comum, em Hall, na região austríaca de Tirol. Aquando do Holocausto, o programa tinha como objectivo assassinar pessoas consideradas incapacitadas física ou mentalmente.
Segundo a emissora pública austríaca ORF, que cita fontes hospitalares, a vala foi descoberta nos arredores da ala de psiquiatria do hospital geral de Hall, devido a obras que estavam a decorrer no local.
As autoridades começaram a investigação da identidade dos cadáveres. Para já, supõe-se que as vítimas terão sido sepultadas entre 1942 e 1945 e que esta será uma de muitas valas comuns do referido programa integrado no plano de Hitler para alcançar a "raça ariana".
foto ARQUIVO
Descoberta vala comum com vítimas do nazismo
Vítimas terão sido sepultadas entre 1942 e 1945
Segundo explicações do historiador Horst Schreiber à ORF, existe a suspeita de que as vítimas terão morrido à fome.
Estima-se que cerca de 200 mil pessoas terão sido assassinadas neste programa. Eram retiradas às famílias, sob o argumento de que seriam internadas.

sábado, 12 de março de 2011

Primum non nocere


di Giampietro Baresi
PAROLE DEL SUD - marzo 2011


Scusate il latino. Ma una ragione c’è: riflettere su un principio.
Mi permetto di tradurre il facile latino di questo principio della dottrina tradizionale della medicina, risalente a Ippocrate e accolto nella dottrina morale della chiesa: «Per prima cosa, non nuocere, non pregiudicare, non fare del male».
Perché ricorro al latino? Per proteggere questa mia chiacchierata a ruota libera da chi fosse tentato di giudicarla come una delle tante interpretazioni rivoluzionarie di moderni cristiani inquieti.
Anche questa volta, è bene cominciare con il linguaggio dei fatti. Rimando all’episodio ricordato nella rubrica del mese scorso: mons Luís Flávio Cappio, vescovo di Barra (Bahia, Brasile), ha rifiutato l’offerta di 100mila dollari fattagli da imprenditori tedeschi, spiegando: «Sono soldi rubati agli operai e ai consumatori». Ritengo che abbia praticato, con lucidità e coraggio, proprio il principio “primum non nocere”. E cioé: non si può fare il bene con ciò che è stato tolto agli altri. Forse non tutti saranno d’accordo con il vescovo, vista anche la complessità dei rapporti personali e istituzionali del mondo economico. Ecco, allora, un episodio più casalingo, in cui l’applicazione del principio citato è piú facile da capire.
Il fatto ha avuto luogo in una delle 90 comunità della mia parrocchia. Era vicina la tradizionale festa del Patrono e i preparativi erano a buon punto, con l’allegra partecipazione di tutti. O meglio, di quasi tutti. Il fazendeiro della zona osservava l’andare delle cose con preoccupazione. C’era qualcosa di strano nell’aria: la gente non aveva mai tardato così tanto a chiedere il tradizionale vitellino, che lui ben volentieri e puntualmente donava.
Arrivata la vigilia, nessuno si è fatto vivo. Il ricco signore, allora, è andato di persona alla cappella e ha affrontato il responsabile della comunità: «Cosa aspettate a venire a prendere il vitellino che ho già separato dal resto della mandria?». La risposta è stata da infarto: «Non possiamo accettare il tuo vitellino. Perché non è tuo, ma del tuo vaquero che, alle prime ore del giorno, munge le vacche immerso nell’acqua fino alle ginocchia. Ecco perché è pieno di artrite. Il salario che riceve, poi, è una miseria. Il vitellino che hai preparato per la festa – cui dovresti aggiungerne molti altri – lo devi dare a lui».
Dopo aver vomitato tutta la sua bile sul malcapitato, il fazendeiro se n’è andato urlando: «Se continuate a dar retta a quei preti comunisti, finirete male!».
Non ha parlato a vanvera. Era bene informato. Ne aveva discusso a lungo con gli amici. A scandalizzarlo era la decisione presa dalla comunità cristiana di fare una radicale revisione, alla luce del Vangelo, di tutte le sue attività caritative. L’avevano denominata “Operazione Zaccheo”, in memoria del noto personaggio che incontriamo nel capitolo 19° del Vangelo di Luca. Ricordate? «Zaccheo, alzatosi, disse al Signore: “Ecco, Signore, io dò la metà di ciò che possiedo ai poveri e, se ho rubato a qualcuno, restituisco quattro volte tanto”» (v. 8).
Non so se qualche studioso abbia mai fatto una ricerca sulla pratica del principio “primum non nocere” nella storia della chiesa. In tempi recenti, non mi pare ci siano stati esempi di rilievo. Prova ne sono gli elogi rivolti a Benedetto XVI per la “grande novità” rappresentata dalla sua Lettera apostolica, in forma di motu proprio, per la prevenzione e il contrasto delle attività illegali in campo finanziario e monetario, datata 30 dicembre 2010, con la quale ha approvato l’emanazione per lo stato della Città del Vaticano di una legge che regolamenta la materia, stabilendo che le norme si applichino anche ai dicasteri della Curia romana e a tutti gli organismi ed enti dipendenti dalla Santa Sede. Chiara la precisazione del Papa: le nuove norme non rispondono solo a finalità di carattere tecnico e giuridico, ma anche e soprattutto a quel «dovere morale di trasparenza, onestà e responsabilità» ribadito dall’enciclica Caritas in veritate in riferimento all’economia, il cui «uso improprio costituisce oggi una minaccia alla pace giusta e duratura in ogni parte del mondo». Insomma: il Papa ha chiuso le porte a certi “benefattori della chiesa” inclini a fare il bene in cambio di agevolazioni finanziarie.
C’è da augurarsi che la commissione di altissimo livello che il Papa ha nominato per contrastare il dilagante secolarismo non si limiti a discorsi teorici, ma suggerisca iniziative concrete. Potrebbe iniziare proprio dal principio “primum non nocere”. Praticato su larga scala e a tutti i livelli, fornirebbe maggiore credibilità all’azione della chiesa, spesso vista come alleata di “benefattori” in debito con centinaia di milioni di poveri. Nel delineare questa coraggiosa iniziativa pastorale, la chiesa dell’America Latina potrebbe dare il suo prezioso contributo, con coraggiose testimonianze, nate soprattutto a partire dalla Conferenza di Medellín (1968), cioè da quella grande Pentecoste che ha inaugurato la “nuova evangelizzazione” nel subcontinente.



Nigrizia - 7/3/2011