terça-feira, 21 de setembro de 2010

Neonazistas acusados de explosão em Parada Gay são condenados por formar quadrilha

JULIANNA GRANJEIA


A Justiça condenou na última sexta-feira (17) dois dos sete indiciados pela explosão de uma bomba caseira lançada no centro de São Paulo durante a Parada Gay, realizada em junho do ano passado. Rodrigo Alcântara de Leonardo, 24, conhecido como Tumba, e Guilherme Witiuk Ferreira de Carvalho, 20, o Chuck, foram condenados a dois anos de prisão em regime fechado por associação criminosa. Eles são integrantes do grupo neonazista "Impacto Hooligan".

O explosivo foi jogado no meio da multidão na avenida Vieira de Carvalho (centro da capital) e feriu ao menos 22 pessoas no dia 14 de junho. Os acusados foram presos preventivamente em dezembro de 2009 e soltos, após revogação da prisão, em maio deste ano.

O juiz Luiz Raphael Nardy Lencioni Valdez, da 29ª Vara Criminal do Fórum da Barra Funda (zona oeste de SP), considerou que não há provas de que a explosão tenha sido causada por integrantes do "Impacto Hooligan" e nem se os outros cinco indiciados no processo são integrantes do grupo neonazista.

No entanto, para o juiz, ficou provado que o "Impacto Hooligan" é uma quadrilha criminosa, "estável e organizada" formada desde, pelo menos, o início de 2008. "O grupo não se limitava a exercer o direito constitucional de reunião e de expressão do pensamento, ainda que absurdo, preconceituoso, intolerante e desarrazoado, mas extrapolava para a execução de atos de violência contra os alvos escolhidos, preferencialmente grupos 'punks' rivais igualmente criminosos e indivíduos com orientação homossexual", afirmou Valdez em sua sentença.

O magistrado também diz que os membros do bando são jovens de classe média, que cursavam boas escolas e faculdades, e que seguiam orientação neonazista e xenófoba para disseminar o preconceito, o ódio, a intolerância e a violência. "São inúmeros os boletins de ocorrência acostados aos autos sobre crimes contra a integridade física, a vida e o patrimônio, em sua maioria envolvendo vítimas homossexuais, sempre com o envolvimento de membros da quadrilha desde a adolescência", escreveu o magistrado em outro trecho da sentença.

Durante a investigação, a polícia apreendeu na casa de Guilherme --líder do grupo-- e Rodrigo roupas, acessórios e obras com temáticas nazistas e anotações sobre os rituais de batismo, reuniões periódicas e códigos de comunicação e conduta do "Impacto Hooligan". "Vale ressaltar que Guilherme, como confirmado em audiência, ostenta o numeral 98 tatuado em seu corpo. (...) Os números se referem a localização da primeira letra das palavras no alfabeto. Especificamente, 88 refere-se a HH, que por sua vez indica a saudação nazista 'Heil Hitler', enquanto 98 se refere a IH, que tem o significado óbvio de Impacto Hooligan", afirmou Valdez.

O líder da quadrilha, além dos "inúmero boletins de ocorrência" como citado pelo juiz, já foi condenado em 2009 por injúria real, após ser preso em flagrante. De dentro da cadeia, Guilherme escreveu uma carta para Rodrigo que foi considerada mais uma prova da formação de quadrilha. "No segundo parágrafo, Guilherme escreve: 'O os rolês muleque? Ta fiel ao IMPACTO né? Porque aqui é 98 até a morte, não é porque eu fui preso que tudo ou eu irei parar ou largar a banca. Eu to montando a banca até aqui na cadeia, juro pra você, HAHAHA! [sic]'. No parágrafo seguinte, acrescenta 'seja leal a banca e ao nosso ideal 88'. Por fim, termina assinando: CHUCK 98, IMPACTO H88LIGAN e uma suástica nazista", diz a sentença.

Omagistrado também ressaltou que Guilherme e Thiago Batista Miranda, conhecido como Crânio, --um dos cinco absolvidos nesta decisão-- respondem juntos a processo criminal por homicídio doloso contra vítima homossexual. Valdez não especificou na sentença se a vítima seria o cozinheiro Marcelo Campos Barros, 35, morto após ser espacando durante a Parada Gay do ano passado.

A reportagem tentou entrar em contato com os advogados dos dois acusados, mas eles não foram localizados.

DANOS MORAIS

O consultor de negócios, Felipe Pereira de Freitas, 19, vítima da explosão que ocorreu na Parada Gay no ano passado, afirmou que ele e mais outras cinco pessoas que ficaram feridas irão entrar com um pedido de indenização por danos morais contra os sete indiciados.
"Nós não gostamos da sentença, a pena foi curta. É um grupo que está crescendo demais e por isso temos que tomar atitudes. Até sexta-feira vamos entrar com uma ação de danos morais no valor de R$ 700 mil", disse Freitas à Folha.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

IBGE: diminui desigualdade racial no acesso à educação


No Rio de Janeiro

As desigualdades raciais no acesso à educação e no rendimento diminuíram entre 1999 e 2009, apesar de continuarem elevadas, segundo mostra a Síntese de Indicadores Sociais divulgada na manhã de hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Enquanto 62,6% dos estudantes brancos de 18 a 24 anos cursavam o nível superior em 2009, o porcentual era de 28,2% para os pretos e 31,8% para os pardos, de acordo com a terminologia usada pelo instituto. Os dados apontam, entretanto, que houve forte expansão nesse indicador para todos os grupos. Em 1999, esses porcentuais eram de 33,4% para brancos, de 7,5% para pretos e de 8% entre os pardos.

Em relação à população de 25 anos ou mais com ensino superior concluído, houve crescimento na proporção de pretos (subiu de 2,3% em 1999 para 4,7% no ano passado) e pardos (passou de 2,3% para 5,3%). No mesmo período, o porcentual de brancos com diploma passou de 9,8% para 15%. Ainda segundo a pesquisa, a população branca de 15 anos ou mais tinha, em média, 8,4 anos de estudo em 2009, enquanto pretos e pardos tinham 6,7 anos.

A Síntese mostra que os rendimentos de pretos ou pardos também continuam inferiores aos de brancos, embora a diferença tenha diminuído nos últimos dez anos. Os rendimentos-hora de pretos e de pardos representavam, respectivamente, 47% e 49,6% do rendimento-hora de brancos em 1999, passando a 57,4% (para pretos e pardos) em 2009.

As desigualdades estão presentes também no analfabetismo. A taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais de idade era de 13,3% para pretos em 2009, de 13,4% para pardos e de 5,9% para brancos.

domingo, 12 de setembro de 2010

Preocupante!

Avança o neonazismo nos Estados Unidos

domingo, 12 de septiembre de 2010



A campanha desatada nos Estados Unidos contra o presidente Barack Obama está muito distante de ser apenas uma briga eleitoral.

A campanha é, na verdade, o reflexo do avanço do neonazismo, que sempre tem estado latente e que adquiriu no país do norte novos rumos a partir do ano 2000, quando George W. Bush chegou à Casa Branca.

A derrota da Alemanha na Segunda Guerra Mundial e o desaparecimento físico de Hitler não significaram o desaparecimento do nazismo, mas sim implicaram na sua expansão através dos servidores públicos de diferentes níveis desse regime que encontraram acolhida em diversos países.

Figuras destacadas conseguiram passaportes com novas identidades, emitidos por respeitáveis instituições e governos. Assim, aqueles que haviam sido reconhecidos por suas investigações científicas ou seus avanços em matéria de armamentos encontraram refúgio nos países mais desenvolvidos do Ocidente e na União Soviética.

Outros, que eram perseguidos como criminosos de guerra, usaram como esconderijo países menos desenvolvidos, comprando sua proteção a um preço caríssimo.

A estes, então, somaram-se grupos que haviam chegado como colonos e que reproduziram seu modelo de organização nos lugares em que se instalaram.

Foram eficientes colaboradores das ditaduras na América Latina e contaram com o respaldo de figuras políticas nacionais e de grupos simpáticos ao nazismo.

Nos Estados Unidos o racismo surgiu junto com a colonização de seu território. Não só os nativos indígenas foram suas vítimas, também os negros, comprados ou sequestrados na África e levados na qualidade de escravos. O grupo mais representativo do que hoje equivaleria ao neonazismo é a Ku Klux Klan.


Obama e a supremacia branca
Transposos estes antecedentes à atualidade, encontramo-nos com um presidente como Barack Obama, que se encontra sitiado por uma oposição que assume as mesmas características do neonazismo.

Com Bush sentiam-se representados, combatiam ao muçulmanos, que haviam sido declarados os novos inimigos e que se somavam à lista de velhos inimigos: negros, latinos, judeus, socialistas e homossexuais.

O movimento neonazi do país do norte deriva do Partido Nazista criado nos anos vinte do século passado, que depois se misturou com a Free Society of Teutonia e formou o German-American Bund, que atingiu notoriedade nos anos 30 do século vinte quando Hitler e Mussolini estavam na cúspide do poder.

A derrota da Alemanha os descolocou e ester vieram a reaparecer em 1959 como Partido Nazista da América do Norte, dirigido por Lincoln Rockwell.

Na atualidade há vários grupos, o mais importante deles sendo o Aryan Nations, ao que o FBI considera uma ameaça terrorista e a Corporação Rand qualifica de "a primeira organização verdadeiramente terrorista". Mas foi a Aliança para a Supremacía Branca que declarou a guerra a Barack Obama desde que ganhou a nominação à presidência da república.

Neste período dois de seus membros foram detidos quando planejavam matar a 102 afroamericanos, dos quais 14 seriam decapitados.

No entanto, seu objetivo principal era matar Obama e, para fazê-lo, tinham planejado vestir-se de smoking branco e usar chapéus de copa.

Não se importavam morrer nesse empenho, mas foram detidos a tempo.

Sara Palin, Fox News e o Tea Party
A ofensiva atual contra o presidente estadounidense tem como figura principal a ex candidata republicana à vicepresidência da república, Sara Palin, e seu financiamento corre por conta da rede televisiva Fox News.
Esta empresa havia contratado Palin como "comentarista" política a um salário exorbitante.

Outro comentarista estrela desse canal televisivo é Glenn Beck, o mestre de cerimônias do recente meeting efetuado no mesmo lugar em que Martín Luther King pronunciara seu discurso "I have a dream" em defesa dos direitos civis dos negros.

Este ato, em que se acusou a Obama de socialista e de ser um "muçulmano que odeia os brancos", é considerado um ultraje à memora de Luther King e uma provocação.

Há outros grupos empresariais que contribuem com estas mobilizações e à criação de entidades que se opõem às políticas propostas por Obama e que têm conseguido convencer pelo menos 25 por cento dos estadunidenses de que seu presidente é muçulmano e não cristão. A Casa Branca teve inclusive de desmentir o fato.

Mas, a campanha segue, e em vardade trata-se de que a direita e a ultra direita estadounidenses consigam ganhar as próximas eleições parlamentares e atinjam a maioria na Câmara de Representantes, com a finalidade de impedir que se aprovem leis que afetem os interesses das grandes corporações.
Tudo isto vai gerando, ao mesmo tempo, mobilizações e leis estatais contra as minorias étnicas e os migrantes.

Paralelamente na rádio e na televisão há comentaristas que agridem tanto à população negra como aos latinoamericanos e agora aos muçulmanos nascidos nos Estados Unidos.

Este fustigamento aos muçulmanos tem originado episódios como o do médico que era objeto de discriminação e deboche, o que o levou a protagonizar um tiroteio na base militar onde prestava seus serviços.

Mas dos alcances que está registrando a atitude contra muçulmanos de nacionalidade estadounidense, a única preocupação expressada por alguma entidade de governo é a manifestada pela Agência Central de Inteligência.

A CIA teme que os acusem de exportar terroristas, porque ante esta situação há muçulmanos norte-americanos que se somaram aos de outros lugares na contramão de seu país natal.


O correlato europeu
E não é só nos Estados Unidos onde cresce o racismo, que por sua vez engrossa as filas do neonazismo.

Também na Europa se estão fortalecendo os grupos desse signo, enquanto os governos aplicam políticas xenófobas que afetam às minorias étnicas e religiosas. França e Itália vão à vanguarda.

Tanto os governos francês como o italiano têm endurecido suas leis contra os ciganos. O mesmo fez Hitler, que eliminou a milhares.

Sobre isto, há um vazio na própria União Européia que "reconhece" os ciganos como cidadãos, mas não lhes outorga direito a circular por todo seu território, também não lhes dá direito ao trabalho.

Para não ser menos, os ingleses anunciam que temem atos terroristas dos muçulmanos e tudo sucede justo quando a imprensa estadounidense adverte que se teme uma nova recessão e há dez bancos que poderiam falir nos próximos meses.

Provocar o racismo para ocultar outros problemas faz crescer ao neonazismo.


(*) A autora é jornalista chilena radicada em México e colaboradora da Prensa Latina



FONTE: prensa Chilena http://www.prensa-latina.cu/index.php?option=com_content&task=view&id=219979&Itemid=1

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Shaná Tová!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Cresce a oferta de material neonazista em alemão na internet

Fonte: http://www.dw-world.de/dw/article/0,,5939611,00.html

Facebook é uma das plataformas usadas pelos radicais de direitaRelatório da Jugendschutz.net aponta que extremistas de direita usam cada vez mais a internet para divulgar conteúdo racista e antissemita. Maioria dos sites está armazenada em servidores no exterior.

Os extremistas de direita alemães estão cada vez mais presentes na internet e usam a rede para divulgar suas mensagens racistas e antissemitas, com o objetivo de conquistar novos adeptos.

Essa é a principal conclusão de um relatório anual sobre atividades neonazistas na internet alemã, apresentado nesta terça-feira (24/08) em Berlim pela Jugendschutz.net (literalmente "proteção da juventude"), uma iniciativa dos governos estaduais para a proteção de jovens usuários da internet.

Em 2009, foram registrados 1.872 sites da cena neonazista com conteúdo em alemão, 237 a mais do que no ano anterior e 839 a mais do que em 2005. Também a oferta de sites dedicados ao partido extremista NPD cresceu, passando de 190 para 242 entre 2008 e 2009.

A Jugendschutz observou, também, que os radicais de direita se comunicam cada vez mais por meio de comunidades próprias, que utilizam para combinar ações e debater suas ideias. Em um ano, o número delas quase triplicou, somando agora mais de 90.

Facebook e YouTube

Além disso, há um número muito grande de material nazista em redes sociais como o Facebook e em portais de vídeo, como o YouTube. O responsável pela área que monitora o extremismo de direita na Jugendschutz, Stefan Glaser, disse que há tanto conteúdo disponível que se pode concluir que as atividades extremistas estão cada vez mais migrando para a web 2.0.

Segundo ele, principalmente na web 2.0 os extremistas de direita têm um número elevado de usuários da rede. "A internet é o meio de propaganda por excelência para os extremistas de direita", afirmou Glaser.

A Jugendschutz.net age para eliminar da internet o material localizado. Em 80% dos casos, as ações têm sucesso. O método mais eficiente, segundo Glaser, é entrar em contato com o provedor.

Propaganda reaparece

O maior problema é que ações judiciais são possíveis apenas em uma pequena parcela dos casos, cerca de 20%. Outro problema é que frequentemente a propaganda excluída reaparece na rede, desta vez em provedores localizados no exterior.

Segundo o relatório, cerca de 70% do conteúdo extremista disponível em alemão em 2009 estava armazenado em servidores fora da Alemanha, principalmente nos Estados Unidos.

A Jugendschutz.net foi criada em 1997 para monitorar a internet alemã, em busca de conteúdo que possa apresentar riscos a crianças e adolescentes.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

E agora?

odos sabem que eu defendo cotas. O silêncio do Estatuto da iguadade raciala  respeito delas denuncia uma direita preconceituosa, resistente, e infelizmente, ainda com um poder significativo sobre o legislativo.
Nas próximas eleições não vote em que votou contra as cotas no Estatuto. Escolha quem deseja, de verdade, uma sociedade mais justa, para TODOS.

Cotas não é privilégio. É redistribuição de justiça.

O texto do Estatuto pode ser lido em
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12288.htm

60 años del Consejo Central de los Judíos en Alemania

Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: El Consejo Central de los Judíos en Alemania fue fundado hace exactamente seis décadas. Con motivo del aniversario, DW-WORLD habló con su secretario general, Stephan Kramer.

DW-WORLD.DE: Cuando fue fundado el Consejo Central de los Judíos en Alemania, pocos años después del fin de la Segunda Guerra Mundial y el Holocausto, los pocos judíos que habían sobrevivido en Alemania no pensaban que pudieran tener un futuro en este país. Hoy, sesenta años después, su organización está firmemente arraigada en la sociedad alemana. ¿Una historia de éxito?

Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Stephan J. KramerStephan Kramer: Sí, sin duda. El Consejo Central estuvo pensado en un principio como organización para administrar la disolución de la comunidad judía en el país, nadie imaginaba siquiera que la vida judía pudiera tener una perspectiva en Alemania. La vida judía no estaba orientada hacia el futuro, ni en lo que se refiere a la infraestructura, ni a la formación religiosa ni al desarrollo de comunidades.

No obstante, las comunidades judías florecieron, sobre todo por la inmigración de la ex Unión Soviética y Rusia...

Sin la inmigración de judíos de habla rusa no existiría la comunidad judía alemana en su actual forma. Ello es una gran alegría, pero por otra parte nos planteó grandes problemas. No obstante, creo que teniendo en cuenta los desafíos que asumimos, hasta ahora los resultados han sido muy positivos, si bien queda aún mucho por hacer.

El Consejo Central de los Judíos siempre fue algo así como la “instancia moral” en la sociedad alemana de posguerra, sus representantes advierten del antisemitismo y el neonazismo. ¿Pierden efecto esas advertencias con el tiempo?

No lo creo. No sólo advertimos, sino que también alabamos. Además nunca nos hemos visto como “instancia moral”. Es una definición que viene de afuera. Eso sí, siempre nos definimos como abogados de los derechos de las minorías. También nosotros queremos participar activamente en el desarrollo de esta sociedad y seguiremos dando nuestra opinión cuando sea necesario. Ello comienza en lo que se refiere a las minorías y continúa con la lucha contra el antisemitismo, el racismo y la xenofobia. Como comunidad religiosa también podemos opinar con conocimiento de causa sobre cuestiones sociales. Que ello no siempre es del gusto de todos, es obvio. A veces debemos hablar más claramente de lo que se acostumbra en el país... pienso que en Alemania existen déficits en la cultura del debate. Aún hay que desarrollarla. Y allí puede aportar mucho la comunidad judía.

El Consejo Central de los Judíos apoya sin retaceos a Israel. ¿Una relación acrítica?

Los lazos con Israel son para nosotros más que una amistad. Israel... es la familia, son los hermanos y hermanas. Muchos de nosotros tenemos familiares en Israel, por lo tanto somos afectados por todo lo que suceda allí. La unión es indestructible. No obstante, ello no quiere decir que seamos la quinta columna del Gobierno israelí o una dependencia de la embajada de Israel. No, trabajamos estrechamente, pero también criticamos. Hablamos claramente, por ejemplo, con respecto a la política de asentamientos o en relación con la flotilla que iba rumbo a Gaza. Creo que representamos ideas pluralistas. El Consejo Central no es siervo de nadie.

¿Se registran también discusiones internas?

Diversas opiniones son como la sal en la sopa. No somos ninguna organización que dice sí a todo. No se pasa el rasero, también en el Consejo Central se debate y discute, ello es parte de la cultura judío del diálogo.

A la cabeza de la institución estuvieron hasta ahora personalidades marcadas por la persecución nazi. El periodo en funciones de la presidenta Charlotte Knobloch –una sobreviviente y testigo de época– termina dentro de pocos meses. ¿Se produce un cambio generacional?

Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Dra. h. c. Charlotte KnoblochUn cambio generacional es un proceso natural, que no hay que producir. Hay gente que piensa que si asume la dirección una nueva generación cambiarán algunas posiciones del Consejo Central. Ello no es así. No habrá sorpresas en lo que se refiere al antisemitismo, el Holocausto, la cultura del recuerdo, la política de monumentos de la memoria o la relación con Israel. También nosotros, los más jóvenes, estamos marcados por las experiencias de las generaciones más viejas.

¿Qué desea para el sesenta aniversario del Consejo Central de los Judíos en Alemania?

Mi deseo es una sociedad más pluralista y abierta.
 Una sociedad en la que se pueda debatir constructivamente, sin perder el respeto por el otro. Un debate consecuente, pero mirando al otro a los ojos y respetando su dignidad humana.



Autora: Cornelia Rabitz

Editor: Enrique López

Fonte: http://www.dw-world.de/dw/article/0,,5817764,00.html

Suposto agente nazista é acusado por 430 mil homicídios no Holocausto

Fonte: O Globo - ‎29/07/2010‎

BERLIM - Promotores alemães acusaram formalmente um suposto agente nazista de ter colaborado com a morte de 430 mil judeus no Holocausto, além de balear outros dez.


Promotores estaduais na cidade de Dortmund (oeste) disseram nesta quinta-feira que foram formalizadas acusações contra Samuel Kunz, de 88 anos, que teria trabalhado no campo de extermínio de Belzec, perto da cidade polonesa de Lublin, entre janeiro de 1942 e julho de 1943.

Kunz também é acusado de ter baleado dez judeus em outros incidentes, segundo Christoph Goeke, porta-voz da promotoria.

Como Kunz tinha menos de 21 anos no começo do período sob investigação, o julgamento provavelmente será realizado no juizado de menores de um tribunal da vizinha Bonn, segundo os promotores. Não há data marcada para o julgamento.

O caso de Kunz veio à tona durante investigações a respeito de John Demjanjuk, julgado no ano passado em Munique por ter colaborado com a morte de 27,9 mil judeus durante o Holocausto.

Como Demjanjuk, que é de origem ucraniana, Kunz nasceu no que viria se tornar a União Soviética e serviu no Exército Vermelho. Tornou-se guarda do campo de extermínio depois de ser capturado pelos alemães, de acordo com os promotores.

Ele era o número três na lista de criminosos nazistas mais procurados pelo Centro Simon Wiesenthal. Efraim Zuroff, diretor dessa entidade, disse que o indiciamento de Kunz mostra que autores de atrocidades ainda podem ser levados à Justiça.

- Temos uma obrigação para com as vítimas do Holocausto de processar as pessoas que as transformaram em vítimas. E Kunz é uma dessas pessoas - disse Zuroff.

Aparentemente, Kunz permaneceu incógnito até recentemente, porque não era oficial militar - o foco anterior dos investigadores alemães, segundo Zuroff, que acaba de lançar um livro sobre o tema.

- Ele estava totalmente abaixo da tela do radar na Alemanha. A boa notícia é que os promotores se tornaram mais proativos - afirmou Zuroff, que explicou que, depois da guerra, Kunz se tornou servidor público.

Belzeec foi um dos campos criados para a Operação Reinhard, uma das fases mais cruéis do assassinato em massa de judeus.

O julgamento de Kunz pode ajudar a esclarecer o que ocorreu em Belzec. Os fatos permanecem relativamente obscuros porque pouca gente sobreviveu aos campos usados na Operação Reinhard, segundo Zuroff.

- O único propósito dos campos era o extermínio. Para qualquer um que chegasse lá de manhã, era 99,9% de certeza de que estaria morto à noite - disse.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

A "Marcha" de 14 de agosto. Alertas...

Quatro páginas, na rede, se envolveram na divulgação do material nazi para a manifestação do dia 14. Um site é assinado pelo Castan.



Nestas páginas, a "Marcha" recebeu manifestações de apoio e manifestações contrárias. Os ativistas que se manifestavam contra enfatizavam a possibilidade da marcha estar sendo organizada por membros da polícia infiltrados, ou ainda que a "marcha" serviria apenas para tornar as pessoas do movimento “marcadas”, a exemplo do que acontecera na "Marcha" similar em Lisboa. Depois da marcha ser denunciada em cerca de 120 listas pela WEB (e em sites como o CMI http://prod.midiaindependente.org/pt/blue/2010/07/474762.shtml), e ser questionada por uma ilustradora no Twitter(http://twitter.com/deiaf), que conclamou o movimento anti-facista a se manifestar, e, ainda, ser alvo de resposta do movimento anarco-punk(http://atitudelibertariapunk.blogspot.com/), começou a se divulgar que a "Marcha" teria sido cancelada.

No entanto, como o movimento se articula em células, é muito comum iniciativas de outras células serem atribuídas a infiltrados, como aconteceu ao próprio jornal “O Martelo”, coordenado pelo ativista Bernardo, que foi assassinado em abril de 2009.

É possível, ainda, que o foco de atenção no MASP sirva apenas para desviar outras manifestações e ataques.

O que imporá é que esta "Marcha" foi considerada possível por muitos ativistas e células. Isto é suficiente para nos manter em alerta e bastante preocupados.

segunda-feira, 14 de junho de 2010


Nova resenha publicada:

Car@s!

Acabo de publicar mais uma resenha: Oscar De Masi , 2001, Comunicación Gubernamental. Buenos Aires: Paidós

Leia na íntegra em http://www.cibersociedad.net/recursos/ressenya.php?id=89

domingo, 13 de junho de 2010

Ferramentas do Google

Uso há algum tempo ferramentas muito boas do Google:

A Linha de tempo do Google para notícias dá uma organizada na busca de notícias:
http://newstimeline.googlelabs.com/ Desenvolvida pelo Andy Hertzfeld , um dos papas de busca na WEB!

O In Quotes é excelente para achar citações em notícias, pena que ainda não dá para personalizar a gosto do freguês...
http://labs.google.com/inquotes/

Quer pensar novas formas de visualizar dados? Inspire-se aqui:
http://www.google.com/publicdata/home


Para pesquisar tabelas (de dados) mundo afora...
http://tables.googlelabs.com/Home

E se precisar de ajuda mesmo, peça ao mestre em
http://www.google.com/insights/search/#

Por fim, se bater a hipocondria, veja como vai o fluxo da gripe suína
http://www.google.org/flutrends/

domingo, 16 de maio de 2010

O perigo da história única

Este vídeo foi um presente da Karin, a dica dela me apresentou uma das melhores coisas q vi nos últimos tempos. Lindo.



Para ver com legendas, clique em http://www.ted.com/talks/lang/por_pt/chimamanda_adichie_the_danger_of_a_single_story.html

sábado, 15 de maio de 2010

Pai e filho britânicos simpatizantes do neonazismo são condenados

Mais dois neonazistas condenados.

Muitas vezes eu me pergunto como tenho estômago para essas coisas...
E, ainda que me custe (trocadilho infâme!) eu não desisto nunca.




Dois britânicos, pai e filho, simpatizantes de ideias nazistas, foram condenados à prisão nesta sexta-feira (14) depois que a polícia descobriu um veneno mortal que poderia ser usado como arma química na casa deles.

Condenado a dez anos de prisão, Ian Davison, de 42 anos, fabricou suficiente ricina para matar nove pessoas.

Ele foi condenado após admitir que produziu uma arma química, planejar atos de terrorismo e possuir manuais de terrorismo.

Seu filho Nicky, de 19 anos, foi condenado a dois anos de cadeia por possuir material útil para praticar atos extremistas.

A polícia encontrou o veneno durante uma busca na casa dos dois na cidade de Burnopfield, norte da Inglaterra, em junho do ano passado.

Neonazismo

O promotor Andrew Edis disse que Ian produziu a ricina em casa entre 2006 e 2007. Aparentemente, o veneno seria usado em uma tentativa de derrubar o governo britânico.

Ian explicou como pesquisou a manufatura da substância e comprou com facilidade os ingredientes.

"Um agravante particularmente desagradável deste caso é que você corrompeu seu filho", disse o juiz do caso a Ian.

Pai e filho, que foram julgados separadamente na cidade de Newcastle, mantinham o site de perfil neonazista ASF (Aryan Strike Force, ou "Força de Ataque Ariana", em tradução livre), cujo slogan é Whatever it Takes (ou Custe o que Custar).

Leia a notícia inteira em http://g1.globo.com/mundo/noticia/2010/05/pai-e-filho-neonazistas-sao-condenados-na-gra-bretanha.html

mais ainda!

Supunhetamos, leitor (a), que você é jornalista e recebe pelo Correio um dossiê com comprovantes indicando que o ex-governador Paulo Maluf (ou o prefeito de uma capital do norte do país) roubou US$ 50 milhões e depositou tudo num paraíso fiscal. Os documentos -você percebe logo- foram grosseiramente falsificados. O que você faz? Joga tudo no lixo ou, ignorando a fraude, publica seu conteúdo como se fosse informação correta?

Essa pergunta feita no primeiro dia de aula sempre gerava polêmica no Curso de Jornalismo entre alunos da disciplina Ética e Legislação na Mídia que ministrei durante anos seguidos na Universidade Federal do Amazonas e, depois, na UERJ.

De um lado, estudantes mais afoitos justificavam: “O dossiê é falso, mas nos faz chegar a uma conclusão verdadeira: a de que Maluf é ladrão. Portanto, devemos publicá-lo, porque assim estaremos escrevendo certo por linhas tortas. No frigir dos ovos, o uso dessa mentira acaba deixando o leitor com a informação certa”.

Embora igualmente antimalufistas, outros alunos mais escrupulosos discordavam. Diziam: “se existe desconfiança de que Maluf é um ladrão de casaca -e as evidências são muitas- o repórter deve procurar provas do delito. Esse é o trabalho do jornalismo investigativo, que deve apresentar fato por fato e não vender fato por lebre. Inventar ou aceitar provas forjadas mesmo contra o pior crápula não é jornalismo. Quem renuncia à apuração dos fatos, engana os leitores, é um profissional incompetente e imoral.”

Esse parece ser o caso dos jornalistas da revista Veja Leonardo Coutinho, Igor Paulin e Júlia de Medeiros, que na semana passada assinaram uma reportagem encomendada intitulada “A Farra da antropologia oportunista”. Com uma diferença: como o dossiê falso não lhes foi remetido pelo Correio, eles saíram à caça não dos fatos, mas da lebre. O que nos faz pensar que aí tem dente de coelho.

Eles juram -mas não querem ver suas respectivas mães mortinhas no inferno se estiverem mentindo- que durante um mês visitaram onze municípios em sete estados, percorreram mais de 3 mil quilômetros de carro e barco e entrevistaram 70 pessoas em busca de fatos. Encontraram lebres. Não viram nem conversaram, por exemplo, com o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, mas registraram declarações que ele nunca deu e que são exatamente o contrário de tudo aquilo que escreveu.

Mentiram pra cacete. Nem sequer uma vírgula ou um ponto de exclamação da matéria são verdadeiros. É tudo lorota! Entrevistas inventadas, números manipulados, informações fantasiosas, dados falsos, provas forjadas, fabricação de fatos. Tudo isso a troco de quê? Só a questão da luta pela terra pode ajudar a explicar tamanha agressão aos fatos e tanta falta de pudor.

veja o restante no autor, http://altino.blogspot.com/

Maravilhoso este post do Catatau!

May 14, 2010


Ver de olhos vendados

Algum tempo atrás surpreendeu quando a "blogosfera" brasileira conferiu um nome a Reinaldo Azevedo baseado em anglicismos: "reservoir dog" da Veja. O anglicismo faz parte do velho hábito de eufemizar, ou mesmo adornar, muitas coisas de gosto duvidoso (e nesse sentido o Dr. Ray e o Casseta e Planeta, cada qual a seu modo, mostram as inúmeras paródias).

O tal RA várias vezes se declarou "adepto ao debate de idéias" (sic). Mas quem já tentou comentar em seu blog sabe que não é assim: os comentários são selecionados, deleta-se os comentários contrários, e os moderadores se resumem a escolher comentários contrários imprecisos e estereotipados para o debate.

Ou então RA inicia cruzadas sazonais contra intelectuais de esquerda. Alguns respondem na moeda, apontando imprecisões. Outros devolvem o despeito, sabendo se tratar de alguém que "escolhe os debatedores" (RA já disse isso).

E não é que a caixa de comentários de RA emula o padrão editorial da própria revista Veja? Ou será, ironicamente, o contrário? O caso do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro é apenas o mais recente, nesse sentido. A revista foi tão infeliz quanto escolheu mal (mal??) o debatedor: deu uma aula sobre como desconsiderar qualquer figura de alteridade (portanto, qualquer debate, pois utilizou as idéias de Castro de forma irresponsável), e fez isso utilizando como objeto um antropólogo!

Segundo caso recente: a editora Abril demitiu o editor da National Geographic Brasil, Felipe Milanez, por criticar a Veja no twitter:

#veja psicografa entrevista q antropologos ñ deram.revista do #serra ñ faz jornalismo sujo.Nem jornalismo é http://miud.in/4uh

Também sobre o tema, http://www.tijolaco.com/?p=14170

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Dos comentários

Aos que me perguntaram por e-mail: sim, eu modero comentários. Autorizo pouquíssimos. Antes qdo não fazia isso tinha muito troll e nazi me ameaçando de morte. Agora diminuiu.

DO NPTO

Idéia genial do Celso, do NPTO, que apóio: nenhum acadêmico brasileiro, de nenhuma área, tem direito de dar entrevista para a Veja, ou colaborar com a revista de que forma seja, enquanto não houver um pedido de desculpas a Eduardo Viveiros de Castro.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

A grande resposta do Eduardo, com destaques, de novo, a pedidos!


Aos Editores da revista Veja:
Em resposta à mensagem que enviei à revista Veja no dia 01/05, denunciando a imputação fraudulenta de declarações que me é feita na matéria “A farra da antropologia oportunista”, o site Veja.com traz ontem uma resposta com o título “No Brasil, todo mundo é índio, exceto quem não é”. Ali, os responsáveis pela revista, ou pela resposta, ou, pelo jeito, por coisa nenhuma, reincidem na manipulação e na mentira; pior, confessam cinicamente que fabricaram a declaração a mim atribuída.
Em minha carta de protesto inicial, sublinhei dois pontos: “(1) que nunca tive qualquer espécie de contato com os responsáveis pela matéria; (2) que não pronunciei em qualquer ocasião, ou publiquei em qualquer veículo, reflexão tão grotesca, no conteúdo como na forma”.
Veja contesta estes pontos com os seguintes argumentos:
(1) “Sua primeira afirmação não condiz com a verdade. No início de março, VEJA fez contato com Viveiros de Castro por intermédio da assessoria de imprensa do Museu Nacional do Rio de Janeiro, onde ele trabalha. Por meio da assessoria, Viveiros de Castro recomendou a leitura de um artigo seu intitulado “No Brasil todo mundo é índio, exceto quem não é”, que expressaria sua opinião de forma sistematizada e autorizou VEJA a usar o texto na reportagem de uma maneira sintética.”
Respondo: é falso. A Assessoria de Imprensa do Museu Nacional telefonou-me, talvez no início de março (não acredito mais em nada do que a Veja afirma), perguntando se receberia repórteres da mal-conceituada revista, a propósito de uma matéria que estariam preparando sobre a situação dos índios no Brasil. Respondi que não pretendia sofrer qualquer espécie de contato com esses profissionais, visto que tenho a revista em baixíssima estima e péssima consideração. Esclareci à Assessoria do Museu que eu tinha diversos textos publicados sobre o assunto, cuja consulta e citação é, portanto, livre, e que assim os repórteres, com o perdão da expressão, que se virassem. Não “recomendei a leitura” de nada em particular; e mesmo que o tivesse feito, não poderia ter “autorizado Veja” a usar o texto, simplesmente porque um autor não tem tal poder sobre trabalhos seus já publicados. Quanto à curiosa noção de que eu autorizei a revista, em particular, a “usar de maneira sintética” esse texto, observo que, além de isso “não condizer com a verdade”, certamente não é o caso que esse poder de síntese de que a Veja se acha imbuída inclua a atribuição de sentenças que não só se encontram no texto em questão, como são, ao contrário e justamente, contraditas cabalmente por ele. A matéria de Veja cita, entre aspas, duas frases que formam um argumento único, o qual jamais foi enunciado por mim. Cito, para memória, a atribuição imaginária: “Não basta dizer que é índio para se transformar em um deles. Só é índio quem nasce, cresce e vive num ambiente cultural original” . Com isso, a revista induz maliciosamente o leitor a pensar que (1) a declaração foi dada de viva voz aos repórteres; (2) ela reproduz literalmente algo que disse. Duas grosseiras inverdades.
Veja contesta o segundo ponto com o argumento:
(2) “Também não condiz com a verdade a afirmação feita por Viveiros de Castro no item (2) de sua carta. A frase publicada por VEJA espelha opinião escrita mais de uma vez em seu texto (“Não é qualquer um; e não basta achar ou dizer; só é índio, como eu disse, quem se garante” e “pode-se dizer que ser índio é como aquilo que Lacan dizia sobre ser louco: não o é quem quer. Nem quem simplesmente o diz. Pois só é índio quem se garante”).” Ato contínuo, a revista dá o texto na íntegra, repetindo que eu a autorizei a usar o texto “da forma que bem entendesse”.
No_Brasil_todo_mundo_%C3%A9_%C3%ADndio.pdf).
Pela ordem. Em primeiro lugar, essa resposta da revista fez desaparecer, como num passe de mágica, a frase propriamente afirmativa de minha suposta declaração, a saber, a segunda (Só é índio quem nasce, cresce e vive em um ambiente cultural original”), visto que a primeira (Não basta dizer que é índio etc.) permanece uma mera obviedade, se não for completada por um raciocínio substantivo. Ora, o raciocínio substantivo exposto em meu texto está nas antípodas daquele que Veja falsamente me atribui. A afirmação de Veja de que eu a autorizara a “usar” o texto da forma que ela “bem entendesse” parece assim significar, para os responsáveis (ou não) pela revista, que ela poderia fabricar declarações absurdas e depois dizer que “sintetizavam” o texto. Esse arrogamente “da forma que bem entendesse” não pode incluir um fazer-se de desentendido da parte da Veja.
Reitero que a revista fabricou descaradamente a declaração “Só é indio quem nasce, cresce e vive em um ambiente cultural original”. Se o leitor tiver o trabalho de ler na íntegra a entrevista reproduzida em Veja.com, verá que eu digo exatamente o contrário, a saber, que é impossível de um ponto de vista antropológico (ou qualquer outro) determinar condições necessárias para alguém (uma pessoa ou uma coletivdade) “ser índio”. A frase falsa de Veja põe em minha boca precisamente uma condição necessária, e, ademais, absurda. Em meu texto sustento, ao contrário e positivamente, que é perfeitamente possível especificar diversas condições suficientes para se assumir uma identidade indígena. Talvez os responsáveis pela matéria não conheçam a diferença entre condições necessárias e condições suficientes. Que voltem aos bancos da escola.
A afirmação “só é índio quem nasce, cresce e vive em um ambiente cultural original” é, repito, grotesca. Nenhum antropólogo que se respeite a pronunciaria. Primeiro, porque ela enuncia uma condição impossível (o contrário de uma condição necessária, portanto!) no mundo humano atual; impossível, na verdade, desde que o mundo é mundo. Não existem “ambientes culturais originais”; as culturas estão constantemente em transformação interna e em comunicação externa, e os dois processos são, via de regra, intimamente correlacionados. Não existe instrumento científico capaz de detectar quando uma cultura deixa de ser “original”, nem quando um povo deixa de ser indígena. (E quando será que uma cultura começa a ser original? E quando é que um povo começa a ser indígena?). Ninguém vive no ambiente cultural onde nasceu. Em segundo lugar, o “ambiente cultural original” dos índios, admitindo-se que tal entidade exista, foi destruido meticulosamente durante cinco séculos, por epidemias, massacres, escravização, catequese e destruição ambiental. A seguirmos essa linha de raciocínio, não haveria mais índios no Brasil. Talvez seja isso que Veja queria dizer. Em terceiro lugar, a revista parte do pressuposto inteiramente injustificado de que “ser índio” é algo que remete ao passado; algo que só se pode ou continuar (a duras penas) a ser, ou deixar de ser. A idéia de que uma coletividade possa voltar a ser índia é propriamente impensável pelos autores da matéria e seus mentores intelectuais. Mas como eu lembro em minha entrevista original deturpada por Veja, os bárbaros europeus da Idade Média voltaram a ser romanos e gregos ali pelo século XIV — só que isso se chamou “Renascimento” e não “farra de antropólogos oportunistas”. Como diz Marshall Sahlins, o antropólogo de onde tirei a analogia, alguns povos têm toda a sorte do mundo.
E o Brasil, será que temos toda a sorte do mundo? Será que o Brasil algum dia vai se tornar mesmo um grande Estados Unidos, como quer a Veja ? Será que teremos de viver em um ambiente cultural que não é aquele onde nascemos e crescemos? (Eu cresci durante a ditadura; Deus me livre desse ambiente cultural). Será que vamos deixar de ser brasileiros? Aliás, qual era mesmo nosso ambiente cultural original?
Grato mais uma vez pela atenção
Eduardo Viveiros de Castro
antropólogo – UFRJ

Sou antropóloga, logo não assino, nem leio VEJA

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