quarta-feira, 22 de abril de 2009

Pois é...

Ministro Joaquim Barbosa:

Vossa Excelência não está na rua não, Vossa Excelência está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro. É isso.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Post Off-topic

Gente, eu adoro o blog NPTO! Política analisada pelo cara, sem dúvida, mais inteligente que já andou pelo IFCH (ou será pelo mundo?) Eu adoro, leio e fico me acabando na frente do monitor... Repitam com ele:
Senhor, não deixe que sejamos o América de Natal. Senhor, não deixe que sejamos
o América de Natal. Senhor, não deixe que sejamos o América de Natal. Senhor,
não deixe que sejamos o América de Natal. Senhor, não deixe que sejamos o
América de Natal.

Off-topic nonsense






















Duas imagens que eu quero por aqui.
Motivos?
Ora, eu quero. Simples, é meu blog!
A primeira, versão etnografia virtual da sopa de letrinhas.


A segunda, porque achei ma-ra-vi-lho-sa!



Benjamin, nas tuas mãos...


Quer ter Walter benjamin nas mãos?




nesta loja, você encontra a Arendt, o Hegel, uma turma!

Anotações sobre a notícia abaixo

Não é de hoje que eu falo que este movimento cresce. Está em evolução exponencial...
Num anti-semitismo absurdo, culpam os judeus pela crise, por todos os males do mundo...
Montam um discruso em que os negros teriam "tomado" os empregos dos brancos.
Deliram conspirações... a tal "conspiração deliberada conduzida pelas elites financeiras judaicas", como uma tentativa de recrutar novos membros.
O relatório diz ainda que "lobos solitários e pequenas células terroristas" são os que representam a maior ameaça terrorista para o país - um perfil discreto faz com que seja mais difícil de intervir.

Lobo solitário é o neonazista que age sozinho. Escrevi páginas e páginas a respeito dos lobos e das células...
Espero que medidas educativas se apresentem para barrar o movimento.
Paz...

Movimento de extrema-direita pode estar crescendo nos EUA

Movimento de extrema-direita pode estar crescendo nos EUA
Publicada em 15/04/2009 às 15h02mO Globo


RIO - Ativistas da extrema-direita americana podem estar se aproveitando do momento de recessão econômica e da eleição do primeiro presidente afro-americano nos Estados Unidos para recrutar novos membros, aponta um relatório elaborado pelo Departamento de Segurança Interna americano em coordenação com o FBI, a polícia federal americana. O estudo, publicado no último dia 7, compara a fase atual aos anos 90, quando a extrema-direita ressurgiu "alimentada por uma recessão econômica, críticas à perda de postos de trabalho para outros países e a notável ameaça ao poder e soberania americanos por forças estrangeiras", segundo a CNN.


Apesar de o documento afirmar não ter informação sobre possíveis atos de violência planejados por terroristas da extrema-direita, ele alerta para a possibilidade de problemas como o desemprego e a oferta limitada de crédito "criarem um ambiente favorável ao recrutamento de ativistas de extrema-direita e até resultarem em confrontos entre os grupos e autoridades governamentais". Eleição de Obama pode se refletir em crescimento de grupos extremistas
A eleição de Barack Obama para a presidência dos EUA é tratada no relatório como uma ferramenta-chave para o recrutamento de novos membros de grupos de extrema-direita. "Muitos extremistas de direita são antagônicos em relação à nova administração do país e sua posição em relação a diversas questões como imigração e cidadania, a expansão de programas sociais para alcançar as minorias e restrições à compra e uso de armas de fogo".


O relatório acrescenta que por duas vezes durante a corrida presidencial de 2008 "extremistas pareciam estar nas etapas iniciais de planos contra o candidato democrata", mas foram interrompidos.


A proposta de restrições a armas é citada como outro fator que pode fazer com que os grupos de extrema-direita conquistem novos adeptos e que até mesmo consigam recrutar veteranos.
O anti-semitismo também é abordado no relatório, que diz que alguns grupos atribuem a culpa da perda de empregos nos Estados Unidos e a crise das hipotecas à uma "conspiração deliberada conduzida pelas elites financeiras judaicas", como uma tentativa de recrutar novos membros.
O relatório diz ainda que "lobos solitários e pequenas células terroristas" são os que representam a maior ameaça terrorista para o país - um perfil discreto faz com que seja mais difícil de intervir.


Um funcionário do Departamento de Segurança Interna explicou que a publicação não representa uma tentativa de reprimir a liberdade de expressão. "Não há ligação entre extremistas serem citados no relatório e analistas políticos conservadores, ativistas, eleitores", disse.


Mas a explicação não convenceu o apresentador de rádio Roger Hedgecock, que disse que se o relatório tivesse sido elaborado pela administração Bush, a repercussão seria diferente.
- Se o governo Bush tivesse feito isso (um relatório) sobre os extremistas da esquerda, a imprensa trataria diferente.


Em janeiro, a administração Obama lançou um primeiro alerta, sobre os extremistas da esquerda. Ambos os relatórios começaram a ser elaborados durante a gestão do ex-presidente George W. Bush.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Grande Irmão...

Pesquisadores descobrem spyware em computadores de ministérios, embaixadas e outras instituições de “alto valor político”
Uma investigação de crimes digitais descobriu que 1.295 computadores em 103 países estavam sendo espionados. Segundo o relatório de 53 páginas divulgado no domingo, 30% dos PCs invadidos pertencem a ministérios de relações exteriores, embaixadas, organizações internacionais, empresas de comunicação e organizações não-governamentais. O relatório ainda fornece as evidências mais detalhadas sobre crackers com motivação política ao mesmo tempo em que levanta dúvidas sobre a relação destes criminosos com governos.
A rede de espionagem, chamada GhostNet, utiliza o malware chamado gh0st RAT (Remote Access Tool) para roubar documentos sensíveis, acessar Web cams e assumir completamente o controle de máquinas infectadas.
“A GhostNet é uma rede de computadores infectados residente em localizações de alto valor político, econômico ou de mídia, espalhada por vários países do mundo,” aponta o relatório criado pela Warfare Monitor, projeto de pesquisa do grupo SecDev Group e da Universidade de Toronto, Canadá. “Neste momento, temos quase certeza que as organizações atingidas não têm idéia da situação em que se encontram.”
Ao todo, segundo os pesquisadores, 30% das máquinas infectadas eram “de alto valor” diplomático. Estes computadores estavam em Bangladesh, Barbados, Butão, Brunei, Indonésia, Irã, Letônia e Filipinas. Havia computadores infectados pertencentes as embaixadas de Chipre, Alemanha, Índia, Indonésia, Malta, Paquistão, Portugal, Romênia, Coréia do Sul, Taiwan e Tailândia.
Os pesquisadores ressaltaram, no entanto, que eles não têm confirmação de que as informações obtidas tinham valor e foram vendidas comercialmente ou passadas como inteligência.
A GhostNet começou por volta de 2004, período em que os pesquisadores perceberam que as organizações começaram a receber muitas mensagens falsas de e-mail com arquivos anexados, explica Mikko Hypponen, diretor de pesquisa antivírus da F-Secure. Hypponen, que pesquisa sobre o ataque por anos, afirma que as táticas da GhostNet evoluíram muito desde a primeira tentativa. “Nos últimos três anos, foi bem mais avançada e técnica.”
“É muito interessante ver discussão em torno desse tema, por que é muito antigo e ninguém parecia estar prestando atenção,” acrescentou.
Evidências mostram que servidores na China coletavam alguns dos dados sensíveis, mas os pesquisadores têm cautela e não afirmam que há uma relação direta entre a rede e o governo chinês.
“Atribuir todo malware chinês como um ato deliberado da inteligência do país é errado e causa enganos,” aponta o relatório. Ainda assim, ressalta o relatório, a China fez esforços claros desde a década de 90 para usar o cyberspace para ganhar vantagem militar.
Um segundo relatório, escrito por pesquisadores da Universidade de Cambridge, Inglaterra, e publicado em conjunto com o texto da Universidade de Toronto, foi menos cuidadoso. A análise aponta que os ataques contra o escritório de Dalai Lama (OHHDL, da sigla em inglês) foram lançados por “agentes do governo Chinês.”
Os pesquisadores tiveram acesso aos computadores pertencentes aos dirigentes do governo tibetano que estão exilados, a organizações não governamentais relacionadas com o Tibet e do escritório pessoal de Dalai Lama.
Eles descobriram infecção de malware que permitia o roubo de dados a crackers remotos. As máquinas foram atingidas após usuários abrirem anexos maliciosos ou clicarem em links que levavam para sites nocivos. Neste momento, as pragas procuravam vulnerabilidades em software para assumir o controle da máquina.
Conforme investigavam a rede, os pesquisadores descobriram que os servidores que armazenavam os dados roubados não tinham proteção. Eles assumiram o controle destas máquinas e passaram a monitorar os computadores que foram crackeados. Três dos quatro servidores estavam na China, enquanto um estava nos Estados Unidos. (via idgnow.uol.com.br)

Do marketing etnográfico (???)

Etnografia elimina respostas falsas

São inúmeras as vantagens do marketing etnográfico. Empresas com atuação global utilizam-se da etnografia para saber como seus produtos e/ou campanhas publicitárias serão recebidos nos diversos países. Nos países de cultura islâmica, por exemplo, as roupas masculinas são lavadas separadamente das femininas. Uma informação como essa é fundamental para que as empresas não "arranhem" suas imagens.

A convivência com os consumidores evita desvios dos levantamentos de mercado, entre eles, respostas falsas e inibição diante de questões "melindrosas".
Foi dessa forma que uma antropóloga da Unilever observou uma consumidora tomando banho. Em uma mão ela segurarava a embalagem do xampu; na outra, a tampa. Sua reclamação de que não conseguia passar o produto nos cabelos, fez com que a empresa adotasse no Brasil as embalagens flip-top (aquelas em que a tampa fica embutida na embalagem).

Algumas descobertas creditadas ao comportamento dos consumidores:
• Sorvetes - Nem mesmo o clima quente brasileiro contribui para que o consumo seja maior do que o dos países europeus. Por trás disso, o conceito de que ainda prevalece a mentalidade de que as sobremesas devem ser feitas sempre em casa. Ou seja, servir alimentos industrializados após as refeições indica falta de atenção da dona de casa, segundo os observadores;
• Alimentos matinais - A maioria dos produtos do café da manhã dos brasileiros é consumida em lanches durante o dia, e não apenas no café;
• Inseticidas - As iscas mata-baratas foram desenvolvidas para que os insetos as levem para seus ninhos, contaminando-os. Os descobridores, porém, não contavam que muitas pessoas não resistem ao ver as baratas saindo vivas das armadilhas e as matam com inseticidas.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Pesquisa demonstra que crime de racismo tem poucas condenações

Valor Econômico .
Adriana Aguiar

Apesar do rigor das leis contra o racismo, essas normas não têm sido eficazes para condenar a prática na Justiça. A conclusão é de uma pesquisa feita pelo Núcleo de Direito da Democracia do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e pela Direito GV no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).

O levantamento filtrou 26 processos de um total de 226 ações judiciais sobre racismo em tramitação de 1988 a 2005 no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). Dessas, apenas dez tiveram decisões de mérito que trataram da questão do racismo - sendo que em seis delas os acusados foram absolvidos e em outras quatro foram condenados. Ainda assim, as condenações foram dadas por crime de injúria racial e não por crime de racismo. Segundo Marta Machado, professora da Direito GV e uma das coordenadoras do projeto, essa alteração na tipificação do crime se dá porque a maioria das condutas de discriminação analisadas envolviam insultos como xingamentos.

Embora tanto a pena por injúria quanto a por racismo seja de um a três anos de prisão, a escolha da Justiça por tipificar os casos como injúria acaba trazendo maior dificuldade no andamento da ação. Isso porque, ao alterar a infração de crime de discriminação, previsto na Lei nº 7.716, de 1989, para crime de injúria racial, previsto no parágrafo 3º do artigo 140 do Código Penal, o processo deixa de ser uma ação pública, movida pelo Ministério Público, e passa a ser uma ação individual, que deve ser movida pela própria parte ofendida. Além disso, a ação passa a ter um prazo de seis meses desde o fato ocorrido para ser impetrada na Justiça, sob pena de prescrição. Já no caso de discriminação racial, o crime tem caráter imprescritível.

Por conta do reduzido prazo de prescrição do crime de injúria, das 16 ações restantes selecionadas pelos pesquisadores e que não tiveram decisões de mérito - em que o TJSP analisou apenas se elas deveriam ou não ter seguimento na primeira instância - sete delas foram extintas. Uma por falta de provas e outras seis por conta de terem ultrapassado o prazo de seis meses. Outras três ações tratavam apenas de questões processuais e em seis o TJSP decidiu pelo seguimento na primeira instância.

Para Marta Machado, "a solução seria uma alteração na lei para colocar a tipificação de conduta de injuria racial passível de uma ação civil pública, que não estaria submetida a esse prazo de prescrição". Para ela, ainda não é possível afirmar, diante da pesquisa, que o Poder Judiciário é insensível à questão racial. "Há problemas sistêmicos sérios nas normas que regulamentam o tema, o que não permite avaliar a posição dos juízes", diz. A exceção, porém, se dá com relação aos quatro casos em que houve absolvição, de um total de seis analisados no mérito pelo tribunal paulista. "Apesar das provas, os juízes alegaram que não houve intenção do acusado em ofender a vítima ao usar expressões pejorativas", afirma. Um novo levantamento abrangendo cerca de 90 decisões do TJSP já está sendo desenvolvido.

No Supremo Tribunal Federal (STF), o tema racismo rendeu poucas discussões até hoje, segundo pesquisa feita no site da corte. Foram encontrados apenas três casos julgados - um que resultou em condenação, outro na extinção do processo e o terceiro foi julgado procedente para o recebimento de queixa-crime. A condenação se deu no caso do editor Sigfried Ellwanger, que publicou livros que fazem, segundo a decisão, apologias discriminatórias contra judeus. Em outro caso, a extinção do processo se deu com a alteração na tipificação de crime de racismo por crime de injúria.

Cadernos do IFCH: Histórias de vida. Biografias e Trajetórias

Cadernos do IFCH: Histórias de vida. Biografias e Trajetórias

Excelente texto acerca da relação entre biografia e etnografia! 


CADERNOS DO IFCH
Nº 31
Título: Histórias de vida. Biografias e Trajetórias
Autor: Suely Kofes
R$ 3.00
Ano: 2004
Páginas 301
Tamanho 15,5x21 cm
Disponível


Apresentação - Suely Kofes (orgs)-"Os papéis de Aspern":anotações para um debate

Suely Kofes-


A maçonaria e mestre Seixas:esboçando a etnografia de uma experiência

Patrícia Inês Garcia de Souza


Vidas protestantes

Ramon Santos da Costa


Antropologia, Estado e o exercício profissional do antropólogo:reflexões a partir da trajetória de Darcy Ribeiro


André Luiz Lopes Borges de Mattos


O negócio de ser "Nestor Perlonguer"um fragmento biográfico

Alcides Fernando Gussi


Impasses no estudo de uma trajetória polêmica

Daniela Manica


"Wasted: uma memória de anorexia e bulimia de Marya Honbacher:uma reflexão antropológica"Daniela Araújo


Sobre Carolina Maria de Jesus, o Quarto de Despejo e a Casa de alvenaria

Simone da Silva Aranha


"Soy un blanco nacido en África,y todo lo demás fluye de ahi"

Marcos Toffoli Simoens da Silva


Sobre Martins e Hannah, entre o romance e as precisões

Cristina Machado Maher


Isolamento,solidão e superfluidade: sobre abismos cotidianos

Gabriel de Santis Feltran


Autobiografia, histórias de vida e narrativas: macaenses em São Paulo

Maíra Santos


Experiência e (hiper) corporalidade entre modelos profissionais

Fabiana Jordão Martinez


Abordagem biográfica:reflexões aplicadas a um projeto de pesquisa

Fabiana Mendes


A greve dos caminhoneiros de julho de 1999:-re-apresentando experiências

Maria Luisa Scaramella


Trajetórias e biografas como métodos de pesquisa

Valdeir D.Del Cont


http://www.ifch.unicamp.br/pub/area.php?texto=pesquisa&id_serie=3

Resumos

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Lista de Schindler é encontrada na Austrália

Nick BryantDa BBC News, em Sydney
A lista preparada pelo industrial alemão Oskar Schindler, que ajudou a salvar mais de mil judeus dos campos de concentração na Segunda Guerra, foi encontrada em uma biblioteca de Sydney, na Austrália, que não sabia que estava de posse do documento.


A lista foi encontrada em meio a notas de pesquisa e recortes de jornais alemães usados pelo escritor australiano Thomas Keneally, autor do livro A arca de Schindler, em que se baseou o filme A lista de Schindler, de Steven Spielberg.

A biblioteca obteve a lista quando comprou o material de pesquisa de Keneally em 1996.A lista contém 13 páginas amareladas, onde estão escritos os nomes e nacionalidades de 801 judeus e foi descrita como um dos documentos mais poderosos do século 20.

"Ela salvou 801 vidas das câmaras de gás... é uma peça histórica incrivelmente tocante", disse a co-curadora da biblioteca Olwen Pryke.Segundo Pryke, nem a biblioteca nem o livreiro, de quem comprou o material, se deram conta de que a lista estava entre os documentos.

A lista foi datilografada apressadamente em 18 de abril de 1945, ao fim da Segunda Guerra, e compilada por Oskar Schindler.Durante a Segunda Guerra, Schindler dirigiu uma fábrica na Cracóvia, Polônia, onde usou mão de obra judia.

Horrorizado com a conduta dos nazistas ele conseguiu convencer oficiais de que seus funcionários eram essenciais para os esforços de guerra e não deviam ser enviados a campos de concentração.

A lista foi entregue ao escritor australiano Thomas Keneally em uma loja em Los Angeles, quase 30 anos, atrás por uma das pessoas que Schindler ajudou a escapar, Leopold Pfefferberg.
Pfefferberg queria que o escritor contasse a história da lista.

domingo, 5 de abril de 2009

Veja 10 filmes que tentaram prever quais tecnologias vingariam no futuro.

Framingham - Alguns acertaram em cheio e outros foram futuristas.
Não é fácil fazer um filme que divirta, tenha uma boa história e antecipe as tendências e tecnologias que se tornarão verdade tempos depois. Lembra aqueles incríveis gadgets dos filmes de James Bond (um carro que se transforma num submarino e um relógio que emite laser que corta qualquer coisa)? Eram pura fantasia!Listamos aqui dez filmes, especialmente os feitos entre os anos 1980 e 1990 - que acertaram nas previsões de tecnologia - ou chegaram perto. Alguns deles você vai dizer: "Meu Deus, essas tecnologias já existem hoje!" ou "Isso realmente pode acontecer agora!".
Confira.>

sábado, 4 de abril de 2009

Livro digital é o futuro da academia (?)

Robert Darton 67 anos, Professor de História Européia na Universidade de PrincetonLivro digital é o futuro da academia - Link Estadão
Professor de história na Universidade de Princeton advoga a combinação de publicações online e em papel
Camila Viegas-Lee ESPECIAL PARA O ESTADO EM NOVA YORK
Apesar de ser historiador – e portanto o que os franceses chamam de passéiste, sempre voltado ao passado –, o professor Robert Darnton, da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, explica que "de vez em quando bate o olho no retrovisor e capta relances do futuro.”
Darnton, que já presidiu a Associação Histórica Americana, é um dos maiores defensores da combinação de publicações digital e impressa. Ele está no Brasil onde participará de uma conferência organizada pelo Projeto Copesul Cultural, em Porto Alegre, no dia 27 de março.
Para o professor, as publicações eletrônicas têm vantagens evidentes como acessibilidade e facilidade de pesquisa. “O preço para desenvolver mecanismos de busca e programar links deverá cair na medida em que bibliotecas e usuários aumentarem a demanda por esses serviços”, diz. Além disso, ele explica, já existem impressoras por demanda que podem produzir livros tradicionais a partir de e-books (livros eletrônicos) e facilitar leituras prolongadas.
“Práticas como essa vão mudar a indústria editorial incluindo impressão, estoque e distribuição”, diz ele.
Darnton defende que, passadas as fases de entusiasmo utópico e desilusão das publicações eletrônicas, estamos entrando numa fase de pragmatismo. “E-books podem incrementar o livro tradicional. Nunca me ocorreu que uma nova forma de comunicação sairia da internet, mas estou feliz que ela esteja aqui.”
Darnton está escrevendo a história do comércio de livros na França durante o século XVIII. O livro deve ser publicado parte em papel pela Oxford University Press e parte na internet. “Não se trata do acúmulo de dados, como uma nota de rodapé elaborada”, diz. “Vou organizar o texto em camadas como uma pirâmide em que o cume é o livro impresso, e as camadas debaixo são monografias aprofundando temas citados no livro, dossiês em francês, transcrições interpretativas de documentos, cópias de cartas originais e assim por diante.”
Para escrever esse livro, Darnton conta que, desde 1965, leu cerca de 50 mil cartas originais de praticamente todos os tipos de pessoas envolvidas no comércio de livros na época, incluindo autores, editores, impressores, distribuidores e vendedores, arquivadas em uma pequena editora em Neuchâtel, na Suíça. O professor explica que a censura francesa no século XVIII era severa e que os livros mais ousados vinham de lugares que hoje são a Bélgica, a Holanda e a Suíça.
Darnton vai descrever como os livros entravam clandestinamente na França, a partir da viagem de cinco meses de um vendedor ambulante em 1778. O personagem é verídico e o professor encontrou as cartas que ele escreveu durante a viagem. “A maioria das cartas é de prestação de contas, mas há momentos em que ele conta que teve de vender o cavalo e que passou cinco dias viajando debaixo de chuva. Divertido.”
Por causa do formato, o leitor poderá ler o material tanto na horizontal quanto na vertical. “A beleza da nova tecnologia está aí. O leitor ganha autoridade e se torna um colaborador ativo capaz de fazer associações diferentes das minhas”, diz entusiasmado.
É impressão minha ou essa função de colaborador ativo é intrínseca ao livro? Quero dizer, nós já não fazemos associações diferentes das do autor de um livro ou texto, uma vez que somos diferentes dele, e uma vez que nosso arcabouço teórico e de valores é diferente do dele?
Contudo o entusiasmo diminui quando o professor comenta que estudantes do outro lado do mundo mandam perguntas sobre o iluminismo por e-mail. “Eles têm que estudar por conta própria. Às vezes recebo e-mails extremamente informais do tipo ‘oi Bob’. Antigamente eu respondia a todos, hoje já não dá mais tempo.”
Apesar do entusiasmo com a tecnologia e de ser autor de projetos online, o professor garante que sempre haverá espaço para o livro tradicional. “O livro tem provado ser uma ferramenta excelente e não vai desaparecer.” Para ele, o livro é fácil de manusear, resistente, confortável, bonito e permite rápido acesso à informação, sem depender de bateria ou de conexão à internet.
Concordo com o rapaz, adoro livros e jamais abriria mão de manuseá-los, sentir seu cheirinho de gráfica, o que seja (chamem de mania, chamem de esquisitice, como queiram). Mas vamos combinar que, apesar de não depender de 'bateria ou conexão à internet', aqui no Brasil ele depende de poder financeiro - o que dá no mesmo, ou pior, em questão de acesso rápido e fácil à informação
Além disso, “quando toma nota de informações contidas em livro, o pesquisador passa por um processo de interpretação, entendimento e síntese”. Darnton mesmo guarda suas anotações, centenas de cartões cuidadosamente catalogados, em cerca de 20 caixas de sapato em seu escritório em Princeton. “Quando escrevo, coloco os cartões na mesa e vou organizando as informações que me interessam.”

terça-feira, 31 de março de 2009

Hakken e a "etnografia do proto-ciberespaço".

David Hakken, 1999, Cyborgs@Cyberspace? An Ethnographer Looks at the Future. HAKKEN, D.avid. New York: Routledge, 1999.
Veja aqui.

Resenha feita por Adriana Dias, Doutoranda em Antropologia - UNICAMP. Publicada no OCS - Observatorio para la CiberSociedad

Um dos primeiros livros que li, a respeito da “etnografia do ciberespaço”, ou “etnografia do proto-ciberespaço”, como a define o autor (p.4) foi Cyborgs@Cyberspace? de David Hakken. O livro, muito instigante, desafia a pensar as novas tecnologias à luz de uma perspectiva antropológica.

O nome do livro problematiza a relação do homem bidimensional, tecnológico e cultural, o cyborg (p. 2-4), com o novo espaço de relações sociais, ou um novo “um tipo de formação social” (p.3), o ciberespaço. O sinal @, símbolo que, nos endereços eletrônicos indica o usuário em um domínio no qual utiliza o servidor de e-mail, o @ tem o sentido de “at”. A idéia é portanto pensar este homem bidimensional neste espaço também bidimensional, pois também é uma construção tecnológica e social.

Escrito em 1999, o livro é uma primeira tentativa de problematizar a relação entre as novas tecnologias e as praticas sociais por elas construídas, discutindo que espécie de questões podem surgir, em termos de possibilidades e perigos para o que ele denomina “arena primária da atividade humana”, ou sejam as relações sociais.

Um dos pontos mais interessantes da introdução do texto de Hakken nasce de sua constatação: os seres humanos, como seres tecnológicos e culturais devem ser analisados por uma teoria antropológica que abarque também os estudos técnicos. Para isso seria necessário pensar as identidades formadas e as relações a elas impostas, neste espaço.

Nos segundo capítulo o autor avalia a participação humana no ciberespaço, preconizando que o crescimento desta participação e sua influência sobre as relações sociais fariam deste “mundo” um grande objeto para a antropologia. Interessa-lhe pensar, como etnógrafo o ciberespaço como um lócus humano, e discutir a “revolução dos computadores” a partir de suas implicações para a vida social. Para tanto, o autor revista três décadas de desenvolvimento tecno-eletrônico para pensar o etnógrafo diante das responsabilidades teóricas, éticas e políticas que vem a tona “neste novo mundo”.

No terceiro capítulo, o mais interessante para a metodologia etnográfica, Hakken discute os pressupostos deste método, sua aplicabilidade ao “tipo de formação social” em questão, e como o conceito de “objeto de estudo” da antropologia se manteve distante dos avanços técnicos. Partindo de uma experiência etnográfica no ciberespaço, desenvolvida por Sheffield, Hakken esboça as primeiras discussões antropológicas a respeito do tema. Sem dúvida, a melhor parte do livro aparece aqui: é esta tentativa de pensar o cyborg, uma tentativa que ele divide com outros autores (Downey, 1998, Bell, 2000 e a importantíssima Harraway, 1999), pensando, de dentro da teoria antropológica, e com grande rigor, como discutir, em etnografia virtual a idéia do ciberespaço, e sua relação com o cyborg. O cyborg, neste livro é pensado como “portador da cultura”, hábil em articular tecnologia e relações sociais, atravessando identidades múltiplas e reinvenções sociais. Absolutamente bidimensional o cyborg é o humano dentro do domínio do ciberespaço, ele está @ciberespaço. E por isto empresta também ao ciberespaço a sua dupla dimensão, demarcando-o como espaço tecnológico e social, entre tecnológico e social.

A seguir, no quarto capítulo, ele recorta como esta capacidade de funcionar como um espaço híbrido, entre o cultural e o tecnológico permite ao ciberespaço servir de espaço a outras mediações, entre a ética e a política, por exemplo. Ele mostra como tecnologia é trazida ao jogo, em defesa da idéia de nação, por exemplo ou defendendo projetos políticos.

No quinto capítulo, o autor aponta como esta ambigüidade, do cyborgue e do ciberespaço apontam para relações revestidas de complexidade. E dsicute, ainda, como se comportam as identidades no ciberespaço, e os atores sociais nelas envolvidos, problematizando temas como classe, gênero, raça, entre outros.

No sexto capítulo do livro, Hakken desenvolve duas grandes aproximações analíticas, a primeira, à luz da Economia Política, que enfatiza, por demais a tecnologia, tratando-a como símbolo de progresso, e lendo todos os avanços tecnológicos diretamente como avanços sociais. A segunda aproximação, central na argumentação de Hakken não vê na tecnologia força inevitável e independente, mas também como sujeita, inclusive na leitura que se faz delas, a focas políticas. A idéia de hakken é que o ciberespaço não é amplo, apenas porque inclui o espaço físico das redes de computadores, mas ele é ampliado, na medida em que se desenvolve, politicamente, inclusive, a idéia de que “toda a sociedade” ou “a totalidade social” se utilize destas tecnologias. (pág. 216).

O texto é tão atual, que quase podemos ver as inúmeras campanhas de políticas públicas que se arvoram em resolver os problemas da “exclusão digital” passarem na frente de nossos olhos, nos interrogando porque “politicamente”, como discute Hakken elas são produzidas. Irreversível, este processo exige questionamentos éticos e políticos mais profundos.

Foi diante deste texto que pensei pela primeira vez na idéia de zoon politikon digitalis...O texto remetia-me, diretamente a questão colocada por Hannah Arendt, quando cita Aristóteles e suas únicas “duas atividades necessárias e presentes nas comunidades humanas” (ARENDT, 1981, p. 34) que poderiam ser concebidas como políticas, a saber, a ação (práxis) e o discurso (lexis). Entendo o discurso como prática, pois as condições sociais de sua produção e utilização, como indicou Bourdieu, exigem que o discurso deva ser pensado ´procurando fora das palavras´, nos processos que produzem tal discurso, e que confere aos agentes ´os princípios de um poder que uma certa maneira de utilizar as palavras permite mobilizar´ (BOURDIEU 1998, p.199-200).


A tecnologia, nem as praticas e discursos (estes também práticas) por meio dela desenvolvidos e nela ambientados, jamais poderiam ser, portanto pensados como autônomos do mundo social. Neste sentido, como afirma Hakken, o ciberespaço funciona como uma arena, sujeita à forças políticas e profundamente reflexivo no mundo social. Um novo agora, digitalizado, necessita de antropólogos que o problematizem. Esta idéia central permeia o sétimo capítulo do livro: é preciso pensar a cibercultura, indagá-la, indo além do exame, nada simples, do papel da tecnologia em sua relação com a cultura, para discutir se é possível, e de que forma, etnografá-la, dando conta de como as práticas envolvidas implicam na construção da metodologia etnográfica, como concluiu o autor.






Referências:
ARENDT, H. 1981. A condição humana. São Paulo: Forense/Edusp.
BOURDIEU, Pierre. A economia das Trocas Lingüísticas. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1998.

segunda-feira, 30 de março de 2009

A importância da diversidade

Texto clássico traz lição enunciada por Lévi-Strauss que está na ordem do dia: a impossibilidade de hierarquizar a diversidade
Por Alexsander Lemos de Almeida Gebara


O texto “Raça e história” de Claude Lévi-Strauss, publicado em 1952, foi escrito sob encomenda da United Nations Educational Scientific and Cultural Organization (Unesco) como parte de uma coleção intitulada La question raciale devant la science moderne. Não é difícil compreender algumas das razões que pautaram a encomenda. A Segunda Guerra Mundial havia recentemente marcado a história como um dos acontecimentos mais trágicos, violentos e devastadores de todos os tempos e, a despeito de suas razões políticas, parte de seu motor ideológico funcionava com um combustível bastante inflamável, o racismo.

Entretanto, a Segunda Grande Guerra não foi o único e nem o último dos processos geopolíticos excludentes e opressores que derivam da idéia de uma suposta hierarquia racial. Basta, como exemplo, apontar o controle colonial que boa parte dos países da Europa Ocidental exercia, ainda na década de 1950, sobre grandes porções do território do globo, mais especialmente sobre o continente africano e o sudeste asiático. Em suas origens, tal colonialismo legitimava sua existência exatamente nas suposições de uma hierarquia “racial” oriunda da “antropologia” do final do século XIX. De fato, as chagas do racismo expostas pela Segunda Guerra Mundial teriam grande efeito no desencadeamento das lutas pela libertação das regiões coloniais nas décadas seguintes.

Desta forma, também não parece muito difícil compreender qual seria o tom mais geral do referido texto de Lévi-Strauss, qual seja, a desconstrução, a crítica e a condenação das perspectivas que continuavam a hierarquizar as diferentes “raças” ou culturas do mundo.
Não é por acaso, portanto, que o texto comece com a afirmação de que não há nada que comprove, cientificamente, a superioridade de uma raça sobre a outra. Mas não é apenas isso, o autor também não se contenta com a possibilidade de “medir” supostas diferentes contribuições das “raças” ao patrimônio comum da humanidade, pela simples razão de que tal atitude seria uma espécie de inversão da doutrina “racista”, uma vez que continuaria creditando à “raça” o motivo das diferenças culturais. Ou seja, basicamente, o ponto inicial da crítica é a confusão freqüente então entre “raça”, no sentido biológico do termo, e “cultura”.

Por outro lado, Lévi-Strauss também não pode deixar de notar a diversidade das formas culturais humanas. Diversidade esta que só faz sentido na relação entre elas, uma vez que se não se relacionassem, não haveria nem mesmo a percepção da diversidade. Neste sentido, as culturas não são em si, mas sim em relação à. Esta constatação faz surgir um tema que permeia todo o texto, qual seja: “existem nas sociedades humanas, simultaneamente em elaboração, forças trabalhando em direções opostas: umas tendem à manutenção, e mesmo à acentuação dos particularismos; as outras agem no sentido da convergência e da afinidade” (Lévi-Strauss, 1993, p.331).

A diversidade, apesar de não ser mensurável, vinha sendo comumente retratada como uma diferença derivada de um processo evolutivo, ou seja, enquanto algumas culturas evoluíram, outras permaneceram estáticas. Ora, supor que alguma cultura estaria isenta da influência do tempo seria propor um absurdo. Entretanto, tal absurdo permaneceu por muito tempo como sustentáculo das teorias evolucionistas sociais, que viam nas sociedades “primitivas” um estágio anterior do desenvolvimento da cultura ocidental1.

Duas questões passam a dominar o texto a partir de então, quais sejam: como se explica a diversidade? E como as diferentes culturas interagem? Dado o fato de que todas as culturas dispõem do mesmo “material básico” – ou seja, “todos os homens, sem exceção, possuem uma linguagem, técnicas, uma arte, conhecimentos positivos, crenças religiosas, uma organização social, econômica e política” (Lévi-Strauss, 1993, p.349) – as diferenças estariam baseadas na “dosagem” de cada um desses elementos para cada uma delas.

Assim, para uma compreensão mais ampla do “outro” faz-se necessária uma mudança de perspectiva, ou ao menos na crítica da perspectiva tradicional com a qual a sociedade ocidental enxerga o “outro”. Dominado pela idéia de “progresso” e, logo, pela construção de sua história como uma evolução paulatina e relativamente constante, o Ocidente toma-se como modelo, o que redunda na explicação evolucionista social anteriormente criticada. Ou seja, é preciso rever o próprio conceito de progresso, que o autor classifica então como não linear e ocorrendo aos “saltos”.

Uma vez que a cultura ocidental trilhou um caminho de progressão técnica para sua reprodução e expansão, é com base nesse conceito que observa as demais, tornando-se incapaz de perceber eventuais “desenvolvimentos” de outras culturas que trilharam outros caminhos2. Deste ângulo de visão, quaisquer progressos técnicos de outras sociedades são vistos como obra do “acaso”, diferentemente da sociedade ocidental que “progride” pela reflexão e investimento objetivo e consciente.

A diferença técnica da sociedade ocidental, dessa forma, não pode ser índice de uma superioridade em si, mas deve ser tratada apenas como característica histórica específica. Mas Lévi-Strauss vai ainda mais além. Mesmo a conjunção de fatores que resultaram nesse desenvolvimento específico não pode ser creditada unicamente à história ocidental.
É aqui que entra a segunda das questões esboçadas acima, ou seja, como as diferentes culturas interagem? Segundo o autor, para que qualquer forma de desenvolvimento se torne possível, é necessária uma conjunção de inúmeros fatores, ou seja, em última análise trata-se de uma questão de probabilidade3. A metáfora utilizada no texto remete às probabilidades de uma determinada sequência numérica ocorrer em seguidas rodadas de uma única roleta. Dessa forma, a probabilidade da bolinha cair no número 1, depois no número 2, e assim sequencialmente até o número 9, por exemplo, é muito pequena. No entanto, se utilizássemos um número maior de roletas, e pudéssemos selecionar o resultado de qualquer uma delas a cada rodada, as probabilidades seriam ampliadas.

Transposta à situação de contatos culturais, conclui-se que quanto maior o número de contato entre culturas diferentes, maiores as probabilidades de desenvolvimentos específicos em quaisquer delas. Dessa forma, Lévi-Strauss procura valorizar a coexistência de diferentes estruturas culturais como forma de impulsionar o “desenvolvimento” de todas elas. Entretanto, essas considerações o levam de volta à tensão expressa no início de seu texto, entre as tendências por um lado particularistas, e por outro homogeneizadoras, resultantes do contato cultural. Uma tensão paradoxal, pois se o contato com outras culturas amplia as possibilidades de desenvolvimentos, ao mesmo tempo faz com que tendam a se tornar cada vez mais parecidas. De fato, a distinção entre “história cumulativa” e “estacionária” ganha aqui uma definição mais ampla:

“... pode-se dizer que a história cumulativa é a forma de história
característica desses super-organismos sociais que constituem os grupos de
sociedades i.e., das sociedades que têm contatos com outras, ao passo que a
história estacionária – se é que ela existe verdadeiramente – seria a marca
deste gênero de vida inferior, que é o das sociedades solitárias” (Lévi-Strauss,
p.361).

Enfim, na resposta à questão sobre como as diferentes sociedades e culturas interagem, encontra-se a valorização da diferença como elemento produtivo. É justamente o afastamento diferencial entre as culturas que oferece as maiores probabilidades de configuração de novos elementos de desenvolvimento para todas elas.

Desta forma, o texto termina com uma recomendação às instituições internacionais (não nos esqueçamos que a encomenda do artigo partiu da Unesco), no sentido de preservar a diversidade cultural, não significando com isso mantê-las intactas, mas incitando os desenvolvimentos e potencialidades de cada uma delas.

Certamente, uma série de críticas pode e deve ser feita ao texto de Strauss, mas este não é o espaço adequado para apresentá-las, uma vez que não se trata de uma revisão da teoria antropológica, mas sim de observar a importância desse ensaio no contexto de reflexão sobre os direitos humanos na sociedade contemporânea.

Neste sentido, basta notar alguns exemplos de acontecimentos e processos geopolíticos internacionais deste meio século posterior à publicação original, tais como a resistência dos países europeus às demandas por independência nas colônias asiáticas e africanas até as décadas de 1960 e 1970; a divisão global em blocos políticos durante a Guerra Fria até o final da década de 1980; a contínua exploração econômica sobre o sul global até os dias atuais; as manifestações xenófobas na Europa contra os imigrantes; os incessantes embates entre judeus e palestinos, (para citar apenas alguns) para perceber que a lição enunciada por Strauss, sobre a impossibilidade de hierarquizar a diversidade, e de fato, a extrema importância desta diversidade no desenvolvimento mundial ainda não foi apreendida, de maneira que sua leitura ainda se mantém, até hoje, na ordem do dia.

Alexsander Lemos de Almeida Gebara é professor adjunto de história da África da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Esta resenha foi feita a partir do capítulo do livro Antropologia Estrutural II:
- LÉVI-STRAUSS, C. “Raça e história”. In: Antropologia Estrutural II. Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro, 4ª. ed, p. 328-366, 1993.
A imagem da capa é de um livro publicado posteriormente com o ensaio de Lévi-Strauss:
- LÉVI-STRAUSS, C. Raça e história. 7ª. ed. Portugal: Editorial Presença, 2003. (Universidade).


Notas
1 Mesmo uma leitura leviana e equivocada do texto de Strauss poderia concluir que as diferenças esboçadas pelo autor entre “história cumulativa” e “história estacionária” traçam uma diferença entre culturas que se desenvolvem e outras que permanecem paradas. Claro está que esta não é a leitura apropriada. Para uma avaliação desses conceitos ver Goldman, M. “Lévi-Strauss e o sentido da história”. Revista de Antropologia, vol. 42, n 1-2, 1999.
2 A título de exemplo, Strauss sugere, por exemplo, que as culturas orientais acumularam um conhecimento muito maior sobre o corpo humano, esta “máquina suprema”, do que o próprio Ocidente. Conclui-se que, dessa forma, o caminho trilhado pelas culturas orientais foi diferente, mais “atrasado” com relação a conhecimentos técnico-mecânicos e mais “adiantado” no conhecimento do corpo humano.
3 Nunca é demais relembrar que “desenvolvimento” no sentido empregado aqui não tem a conotação de “progresso” em sentido único, mas sim de transformações quaisquer, a despeito de suas importâncias no processo de diferenciação ao longo do tempo.

terça-feira, 24 de março de 2009

Velhos Ditados...

Recebi do Alexandre Atheniense

1. A pressa é inimiga da conexão.
2. Amigos, amigos, senhas à parte.
3. Antes só, do que em chats aborrecidos.
4. A arquivo dado não se olha o formato.
5. Diga-me que chat freqüentas e te direi quem és.
6. Para bom provedor uma senha basta.
7. Não adianta chorar sobre arquivo deletado.
8. Em briga de namorados virtuais não se mete o mouse.
9. Em terra off-line, quem tem 486 é rei.
10. Hacker que ladra, não morde.
11. Mais vale um arquivo no HD do que dois baixando.
12. Mouse sujo se limpa em casa.
13. Melhor prevenir do que formatar.
14. O barato sai caro. E lento.
15. Quando a esmola é demais, o santo desconfia que tem vírus anexado.
16. Quando um não quer, dois não teclam.
17. Quem ama um 486, Pentium 5 lhe parece.
18. Quem clica seus males multiplica.
19. Quem com vírus infecta, com vírus será infectado.
20. Quem envia o que quer, recebe o que não quer.
21. Quem não tem banda larga, caça com modem.
22. Quem nunca errou, que aperte a primeira tecla.
23. Quem semeia e-mails, colhe spams.
24. Quem tem dedo vai a Roma.com
25. Um é pouco, dois é bom, três é chat ou lista virtual.
26. Vão-se os arquivos, ficam os back-ups.
27. Diga-me que computador tens e direi quem és.
28. Há dois tipos de pessoas na informática. Os que perderam o HD e os
que ainda vão perder…
29. Uma impressora disse para outra: Essa folha é sua ou é impressão minha?
30. Aluno de informática não cola, faz backup.
31. O problema do computador é o USB (Usuário Super Burro).
32. Na informática nada se perde, nada se cria. Tudo se CTRL C <-> CTRL V.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Repórteres sem Fronteiras faz lista com '12 inimigos da internet'

O Globo

PARIS - A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) publicou na quinta-feira uma lista com os "12 inimigos da internet" devido ao controle e à censura que esses países exercem sobre a rede e ao acesso a ela.

As nações que fazem parte da relação são Arábia Saudita, Mianmar, China, Coreia do Norte, Cuba, Egito, Irã, Uzbequistão, Síria, Tunísia, Turcomenistão e Vietnã, que, segundo a ONG, "transformaram suas redes em uma intranet, impedindo que os internautas tenham acesso a informações consideradas 'indesejáveis".

"Todos esses países evidenciam não só sua capacidade para censurar a informação, mas também a repressão praticamente sistemática dos internautas", afirma a organização no relatório.

Cuba: Embora os cidadãos da ilha possam utilizar conexões de internet em hotéis e consultar sites estrangeiros, "a rede se encontra vigiada pela Agência Cubana de Supervisão e Controle". Na ilha caribenha só há um provedor de acesso à internet.

Arábia Saudita: A ONG afirma que as autoridades não oficializaram a prática de proibir certas páginas, "mas optaram por reprimir os blogueiros que se manifestam contra sua moral, seja qual for a reivindicação".

China: O governo de Pequim "ocupa a liderança da repressão na internet", e a organização adverte que, "com a maior população de internautas do mundo, o jogo da censura é um dos mais indecentes do mundo".

Coreia do Norte: A internet funciona no país, um dos mais fechados do mundo, desde 2000, mas com sérias limitações: ferramentas de busca censuradas, apenas um navegador funciona e sites informativos são limitados - e somente aqueles autorizados pelo governo comunista.

Egito: O "dinamismo" da "blogosfera" do país no panorama internacional "está muito longe de ser uma vantagem para seus blogueiros, que se encontram entre os mais perseguidos do mundo", ressaltou a organização.

Irã: O regime teocrático lidera a repressão na internet no Oriente Médio, segundo o relatório da RSF. Segundo o documento, "de acordo com o conselheiro do procurador-geral de Teerã, as autoridades bloquearam 5 milhões de sites em 2008".

Outros governos - dez no total, incluindo o da Austrália e a Coréia do Sul - também adotaram medidas "preocupantes", porque, diz a organização, "podem abrir a via para que sejam cometidos abusos".

Atualmente, disse a RSF, há 70 cyber-dissidentes presos por publicar informações "indesejáveis" na internet. China, Irã e Vietná lideram o ranking de prisões.

terça-feira, 10 de março de 2009

Internet sem fio chega a favela no Rio de Janeiro

Agência Brasil


RIO DE JANEIRO - Os quase dez mil moradores do Morro Santa Marta, em Botafogo, zona sul do Rio, terão a partir da próxima segunda-feira (16) acesso a internet sem fio em banda larga. A tecnologia, disponibilizada pelo governo do estado do Rio de Janeiro com a instalação de 16 antenas de tranmissão de rádio no local, foi anunciada nesta segunda-feira (9) pelo governador Sérgio Cabral. De acordo com ele, o Santa Marta será a primeira comunidade do país a contar com o serviço.

Além de permitir o acesso a internet livre em qualquer ponto do morro, o projeto inclui a instalação de um quiosque onde as pessos comunidade poderá derão navegar pela rede e freqüentar oficinas de informática, todos os dias, de 8h às 22h.

Para o presidente da associação de moradores do Santa Marta, José Mário Hilário dos Santos, o projeto é importante para educar digitalmente os jovens da comunidade.

“A importância do serviço é a inclusão digital, em que as crianças vão crescer alfabetizadas pela informatização, o que garante igualdade perante a sociedade, pelo menos no que se refere à informática”.

Durante a inauguração, o governador Sérgio Cabral destacou o papel da inclusão digital para a igualdade no mercado de trabalho e adiantou que o projeto será estendido a outras pontos da capital e do estado.

“No caso da inclusão digital, existem vários projetos, que envolvem a orla de Copacabana e de Ipanema, mas também em áreas que o governo pacificou tirando o tráfico ou os milicianos: Cidade de Deus e Batan. Na Baixada Fluminense, nós estamos avançando e vamos fazer a inclusão digital até o final de maio. O Rio vai se transformar no primeiro estado 100% digital”, disse o governador.

Polícia alemã apreende material neonazista

Stuttgart, Alemanha - A polícia alemã apreendeu material de propaganda e gravações de grupos musicais neonazistas nesta quarta-feira em uma operação coordenada e de alcance nacional por mais de 200 domicílios e escritórios em todo o país.
Segundo a polícia de Stuttgart, que coordenou a acção, os agentes apreenderam abundante material, gravações e CDs. A Procuradoria de Stuttgart preparava a operação há meses, em coordenação com o Departamento Federal de Polícia (BKA), com sede em Wiesbaden.
A produção e venda de música de direita que promove uma agenda extremista ou ódio racial são crimes na Alemanha. O principal objectivo da acção é confiscar itens proibidos, como músicas, para evitar a difusão dos extremistas.
Mais de 60 anos depois da Segunda Guerra Mundial e do Holocausto, estes grupos ainda são um problema na Alemanha, principalmente na parte leste do país, ex-comunista, onde o desemprego é quase o dobro que a taxa do oeste.
De acordo com a imprensa alemã, há pelo menos cem suspeitos de serem neonazistas no alvo das investigações. A polícia informa que as buscas ocorreram em todos os 16 Estados, mas não diz se alguém foi preso.

domingo, 1 de março de 2009

O novo anti-semitismo

Umberto Eco
Do The New York Times

No mês passado, em resposta à guerra em Gaza entre Israel e o Hamas, o pianista Daniel Barenboim pediu que intelectuais ao redor do mundo assinassem um manifesto divulgando uma nova iniciativa para resolver o conflito (publicado recentemente pelo The New York Review of Books). A princípio, a intenção é quase ridiculamente óbvia: O objetivo principal é juntar todos os recursos possíveis para propor uma mediação vigorosa. Mas o mais significativo é que um grande artista israelense é o responsável pela iniciativa.

É um sinal de que as mentes mais lúcidas e os pensadores mais profundos de Israel estão pedindo que as pessoas parem de se perguntar que lado é o certo ou o errado e trabalhem para a coexistência dos dois povos. Sendo assim, os protestos contra o governo israelense são compreensíveis, não fosse pelo fato de que estes protestos possuem normalmente um tom anti-semita.

Se os protestantes não demonstram uma postura anti-semita explícita, a imprensa o está fazendo nos dias de hoje. Já vi artigos que mencionam - como se fosse a coisa mais óbvia do mundo - "protestos anti-semitas em Amsterdam" e coisas do gênero. É algo que já ficou tão banalizado que o anormal agora é pensar que seja algo anormal. Mas vamos refletir se seria correto definir um protesto contra a administração Markel na Alemanha como antiariano, ou um protesto contra Berlusconi na Itália como antilatino.

Neste curto espaço é impossível resumir os problemas centenários do anti-semitismo, suas ressurgências ocasionais, suas várias raízes. Quando uma postura sobrevive por 2.000 anos, já está impregnada de fé religiosa - de crenças fundamentalistas. O anti-semitismo pode ser definido como uma das muitas formas de fanatismo que envenenaram o mundo através dos tempos. Se muitas pessoas acreditam na existência de um diabo que conspira para nos levar à ruína, por que não poderiam acreditar também numa conspiração judaica para dominar o mundo?

O anti-semitismo, como qualquer atitude irracional orientada pela fé cega, é cheio de contradições; seus adeptos não as percebem, mas as repetem sem qualquer constrangimento. Por exemplo, nas ocorrências clássicas do anti-semitismo no século XIX, dois lugares comuns eram utilizados sempre que a ocasião assim pedisse. Um era que os judeus, que viviam em lugares apertados e escuros, eram mais suscetíveis do que os cristãos a infecções e doenças (e, portanto, eram perigosos). Por razões misteriosas, o segundo argumento era justamente que os judeus eram mais resistentes a pragas e epidemias, além de serem sensuais e assustadoramente fecundos, o que fazia deles invasores em potencial do mundo cristão.

Outro lugar comum foi amplamente utilizado tanto pela esquerda quando pela direita, e para exemplificar, eu cito um clássico do anti-semitismo socialista (Alphonse Toussenel, "Les Juifs, Rois de l'Epoque," 1847) e um clássico do anti-semitismo católico legitimista (Henri Gougenot des Mousseaux, "Le Juif, le Judaisme et la Judaisation des Peoples Chretiens," 1869). As duas obras sustentam o argumento de que os judeus não praticavam a agricultura e, portanto, eram distantes da vida produtiva dos países em que residiam. Por outro lado, eles eram também completamente dedicados às finanças, ou seja, a posse do ouro. Portanto, sendo nômades por natureza, e impulsionados por suas esperanças messiânicas, eles poderiam prontamente abandonar os estados que os acolheram e facilmente levar toda a riqueza com eles. Não vou comentar o fato de que outra ocorrência anti-semita daquele período, incluindo o notório "Os Protocolos dos Sábios de Sião", acusava os judeus de tentar se apoderar de propriedades para tomar seus campos. Como já foi dito, o anti-semitismo é cheio de contradições.

Uma característica proeminente dos israelenses é que eles utilizaram métodos ultramodernos para cultivar a terra, criando fazendas modelo e afins. Então, se eles lutassem, seria precisamente para defender o território em que eles se estabeleceram de forma estável. Este, acima de todos os argumentos, é o que os árabes anti-semitas usam contra eles, sendo que na realidade o objetivo principal deste tipo de árabe é destruir o Estado de Israel.

Em suma, os anti-semitas não gostam quando os judeus vivem em um país que não seja Israel. Mas, se um judeu decide morar em Israel, os anti-semitas também não gostam. Claro, eu sei muito bem da objeção de que o território onde hoje é Israel foi um dia palestino. Mesmo assim, ele não foi conquistado com violência aviltante ou com nativos dizimados, como no caso da América do Norte, ou mesmo pela destruição de estados governados por seus monarcas de direito, como na América do Sul, mas através migrações graduais e assentamentos que foram inicialmente aceitos.

De qualquer forma, enquanto algumas pessoas ficam irritadas quando aqueles que criticam as políticas de Israel são chamados de anti-semitas, aqueles que traduzem imediatamente qualquer criticismo às políticas israelenses com termos anti-semitas me deixam ainda mais preocupado.

Umberto Eco é filósofo e escritor.
É autor de "A Misteriosa Chama Da Rainha Loana", "Baudolino", "O Nome da Rosa" e "O Pêndulo de Foucault". Artigo distribuído pelo The New York Times Sybdicate.