sábado, 29 de janeiro de 2011

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Falece antropóloga brasileira - Fundadora da ABOI

Ontem, 24 de janeiro de 2011, faleceu Rita Amaral, antropóloga, pesquisadora e  orientadora do Núcleo de Antropologia Urbana da Universidade de São Paulo, doutora em Antropologia Social pela USP e pós-doutorada em Etnologia Afro-Brasileira pelo Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo. Estudou festas, estilos de vida, religiões de influência africana e fez parte da equipe de pesquisa de Reginaldo Prandi, que estudou pela primeira vez o candomblé de São Paulo.
A obra antropológica de Rita abarcou ainda a organização do grupo de estudos Urbanitas, focado na antropologia urbana. Integrou a Coordenação do Núcleo de Antropologia Urbana da Universidade de São Paulo [www.n-a-u.org], do qual foi membro desde 1988, e onde foi Editora-chefa da revista PontoUrbe - Revista do Núcleo de Antropologia Urbana da USP [www.pontourbe.net]. Foi, também, organizadora e editora independente da revista de Antropologia Urbana "Os Urbanitas" [www.osurbanitas.org], do website Os Urbanitas [www.aguaforte.com/antropologia] e do blog de mesmo nome [www.osurbanitas.blogspot.com].
Portadora de osteogênese imperfeita, foi pioneira no movimento de conscientização sobre a doença no Brasil, traduzindo textos, auxiliando na formação de médicos e lutando pela melhoria da qualidade de vida dos portadores de deficiência física. Nesse sentido, fundou, há 11 anos a Associação Brasileira de Osteogênese Imperfeita – ABOI, na qual exercia mandato de presidente.
Rita era uma pessoa doce; sagaz; acolhedora; ligada em todo tipo de arte; e dona de uma força de vontade ímpar. Seus amigos e demais portadores sabiam que podiam contar com ela para ser apoiados e orientados. A criança que tinha ânsia de saber, a jovem que tocava violão e a grande mestre em antropologia conviviam numa única pessoa, formando uma grande personalidade.
Rita de Cássia de Mello Peixoto Amaral nasceu em18 de fevereiro de 1958 em São Paulo e faleceu em São Paulo24 de janeiro de 2011, de complicações respiratórias.



Rita, ter conhecido vc fez um tudo de bom na minha vida!

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Facebook: meta-Estado ou negócio?


Há muito exagero sobre as coisas ‘web’. Facebook diz que tem mais de 500 milhões de membros registados e um milhar de milhão de unidades de conteúdos transaccionados por dia.
Sabe-se que grandes números têm o poder de impressionar. Facebook é um dos maiores países do mundo, com regras próprias, disse Marcelo Rebelo de Sousa na TVI, repetindo um truísmo que fora dito numa conferência em Lisboa dias antes. Na minha modesta opinião, é uma observação ultrapassada. Há mais de uma década falava-se de "meta-estados" e de "ciber-cidadãos". Eram suposições que não foram validadas pelo tempo e por estudos que, por revelarem factos menos bombásticos, são ignorados.
Claro, Facebook tem regras de prestação do serviço. Os utilizadores prometem cumprir um determinado número de condições ('terms of service'). Isto não faz de Facebook um Estado ou país. Esta promessa é vigiada. Facebook tem um menos conhecido ‘hate and harassment team', uma equipa que censura diariamente milhares mensagens que violam as condições do serviço. Estas proíbem incitamento ao ódio, à perseguição, à violência ou a actos ilegais. Ou seja, Facebook conforma a utilização do serviço com as leis dos verdadeiros estados. A página utilizada por Wikileaks para organizar os ataques a PayPal e MasterCard foi retirada. Mas Facebook permite páginas de negação do Holocausto ou de ódio ao Islão. Por isso há quem exagere, como Jeffrey Rosen, professor de Direito em Georgetown citado pelo "New York Times", que Facebook tem mais poder em todo o mundo que qualquer rei ou presidente quanto a quem tem direito à livre expressão. Na realidade, trata-se do poder do conformismo com a lei e a ordem. Não há lugar a subversão. O imperativo comercial comanda.
Quando há 30 anos, na era pré-Internet, falhou o serviço videotex Viewtron, ficou a saber-se que os consumidores não querem mais informação, nem interacção com uma máquina, mas sim comunicar uns com os outros. Nos EUA, Facebook já ultrapassou Google em utilizadores. Facebook e outros negócios de comunicação em rede foram fundados no conhecimento desta necessidade social. Disponibilizam a tecnologia que permite realizar essa interacção facilmente, de modo barato e em larga escala. Depois, pensou-se que as redes sociais ‘online' ampliam o círculo de "amigos" porque as pessoas aceitam colocar na ‘web' um conjunto de informação pessoal antes mantida em pequeno círculo. Agora sabe-se que o círculo de verdadeiros "amigos" ‘online' é o mesmo que ‘offline', mas esta noção esbateu-se porque o digital encerra a possibilidade de ampliar infinitamente o círculo. Depois, descobriu-se que as pessoas gostam das redes sociais porque são o meio ideal para exibicionismo e para ver fotos de miúdas em ‘bikini'. E agora, Facebook acaba de modificar o serviço para permitir ainda maior entretenimento. Mark Zuckerberg, co-fundador e CEO, diz que o objectivo de Facebook é fazer do mundo um lugar melhor. Mas, de facto, as redes sociais não são mais que um negócio de venda de espaço publicitário num ‘medium' de entretenimento ‘online', que actua em múltiplos mercados, cujos conteúdos audiovisuais são (gratuitamente) fornecidos pelos próprios utilizadores, em círculos mais ou menos fechados, de acordo com termos de utilização que respeitam a lei e os costumes. Ponto final.
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Nuno Cintra Torres
nuno@cintra-torres.eu

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Segredos




Todas as famílias possuem segredos, mas algumas famílias guardam seus segredos à sua maneira. O filme de Francis Ford Coppola , Tetro revela a busca de dois irmãos por si mesmos. O mais velho, Ângelo (Vincent Gallo), que se autodenomina Tetro (retirado do sobrenome Tetroccini), deseja fugir destes tão bem guardados segredos de família, o mais novo, Bennie (Alden Ehrenreich), foge para os revelar. Um filme que mexe com luz e sombra, com intensidade, e que traz a quem assisti a possibilidade de se deparar com emoções tão densas quanto significativas: a busca de todos nós, por fim, é sempre pelo afeto de quem amamos.

Tetro é um escritor frustado, que  guarda de todos os moradores de La Boca a identidade de seu pai. Quando é visitado por seu irmão (!!!) , é posto diante da necessidade de enfrentar seu passado. Aos poucos, a dor dos personagens e a densidade da narrativa vai tecendo uma trama maravilhosa, e como se passa em Buenos Aires, há drama em cada pedaço de paralelepípedo das ruas da Boca. 

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Tweets de ódio

Água materna

Talvez poucos saibam, mas minha mãe nasceu em Paramirim, Bahia. Tomo qualquer ofensa ao nordeste como dano de honra contra minha família. Eu poderia citar aqui uma centena de intelectuais nordestinos que fizeram deste país um lugar muito melhor que a estudante de direito Mayara Petruso, mas escolho lembrar a centena de milhares de anônimos que com seu trabalho edificaram o Brasil. Preconceito não é opinião, é ódio racionalizado. A seção Pernambuco da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PE) ingressa hoje, na Justiça de São Paulo, com representação criminal contra a onda de agressões aos nordestinos divulgada por meio do Twitter após a eleição de Dilma Rousseff.

A estudante de Direito Mayara Petruso escreve em português débil, talvez por não ter lido José de Alencar, Jorge Amado e Castro Alves suficiente para aprender a nossa linda flor do Lácio.

Lembrando: a internet é um espaço público.
Lembrando 2: ódio a grupos sociais é demonstratação de falência como humano. Falência mental, inclusive.
A humanidade precisa, sempre, recordar que a grande civilização, que considera o outro uma anomalia, é sempre, ela mesma uma anomia. Não existe pior momento mora, como esceveu Todorov, do que aquele que considera entre eu e outro a sobreposição de bem e mal.
Não é simples, Mayara, não basta pedir desculpas. Não se resolve uma avalanche de pedras desta forma.
Espero, sinceramente, que você seja condenada. A paz é fruto da justiça.
Acompanhe notícias a respeito do caso em http://www.google.com/search?q=mayara+petruso&hl=pt-BR&client=gmail&rls=gm&prmd=nlo&source=univ&tbs=nws:1&tbo=u&ei=lI3RTLr5C4L_8Aa3g4CODA&sa=X&oi=news_group&ct=title&resnum=1&ved=0CCEQqAIwAA

domingo, 31 de outubro de 2010

Minha presidenta!


Que fique nas melhores lembranças:
neste dia escolhemos uma mulher.
Não ao patriarcado, ao machismo, à manipulação.
Eu quero mais! Eu quero Dilma.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Guerra na rede?

Guerra eletrônica. 
E não estou falando em jogar um chip (PEDRO!!!!!) na cabeça de ninguém!



Bem, como todos os milhares quatro ou cinco leitores deste blog tão cansados de saber, eu pesquiso o mundo digital, em especial no que diz respeito aos aspectos de sociabilidade e comunicação, desde 2002. Como eu ando pela rede desde 99 e blogo desde 00 (noespelhodealice, que primeiro, apareceu no blig), posso afirmar com um certo tom de legitimidade que eu sou foda neste campo que eu conheço bem o meio. Meu objeto foi o uso da WEB e das redes nela posta, por grupos subversivos, os neonazistas. Pesquisando-os, desenvolvi uma análise do uso político da Internet, que tenho explorado em alguns artigos e algumas palestras por aí...
Vivi na rede, nestes anos algumas experiências: a eleição de 2006, por exemplo, na qual eu me assombrei pensando que não dá para ficar pior que aquilo... Mas, como afirma o poliglota filósofo Capitão Nascimento (em inglês, strategy... em alemão, strategie... em italiano, strategia... em espanhol, estrategia...), sempre dá prá ficar pior. basta ver o que tem acontecido nesta eleição.

Esta semana, quando começaram a noticiar os ataques em massa aos blogs e sites pró-Dilma, como o VI O MUNDO, o ESCRIVINHADOR, e o SEJA DITA A VERDADE, eu lembrei de um episódio grotesco, que ocorreu durante a ocupação da USP. Apenas para contextualizar, a ocupação aconteceu dentro do maior processo de manifestação do movimento estudantil, pós-década de 60. O motivo? Os decretos do Senhor Candidato Serra, que miravam a educação. Neste processo teve reunião de DA e DCE da Poli, gente, foi inacreditável. Seis mil estudantes da USP em assembléia. No meio disto, a imprensa serrista, comandada pela Folha e pela Veja, oh que surpresa, proíbia o termo ocupação em seus editoriais e reportagens, e descia a lenha, como o faz sempre.

Qual a arma da moçada para contar a verdade e responder aos ataques da mídia paulistana? A rede. Internet, claro, of corse. Um blog da ocupação registrava dia a dia o universo daquela situação e berrava aos quatros links da rede (versão digital de quatro cantos do mundo) a voz do movimento estudantil. Qual foi a tática do governo? negociar, jamais! Foi derrubar o blog. Isso mesmo, clicavam no servidor, o terra na época, e denunciaram em massa que era um blog com conteúdo impróprio, tipo pornografia e etcs, com ênfase nos etcs...

 Em doze horas, uma turma de gente que prefere o mundo dos bits que o sabadão de sol, botou o site num provedor de fora o NOBLOGS. Um servidor fantástico este por sinal, ficou a dica.

Sempre se falou que a mídia controla o governo e a Internet controla a mídia. No Brasil, como quase tudo, isto é diferente: a mídia é golpista, PIGUENTA mesmo, e é na rede que desarmamos os golpes e suas mórbidas e purulentas tentativas. 

Por exemplo, a mal falada fita crepe, vulgo bolinha de papel. Sem entrar no mérito do que houve (e do que foi inventado), este blog não apóia violência. Nem, e principalmente, a violência de manipular. O rapaz foi no médico, deixa ele, tem direito. O que não se tem direito é de inventar fita. O que não se tem direito é ficar enchendo a caixa de e-mails de pessoas de bem com spam (mal feito por sinal, nem designer gráfico que presta este povo arranja...) dizendo que a Dilma é isto ou aquilo. Quem vive de amedrontar a população meu amigo, estudou política na cartilha do Goebbels. E para de tentar forçar a mentira virar verdade, de tanto a repetir, que não cola. Nem com fita crepe. Muito menos em tempos de WEB. Ah, é que esse povo que apóia o senhor é medieval, e prefere se arrastar com um  cilício entre as coxas, do que entender que o mundo mudou e que as novas tecnologias tem muito haver com isto...

A respeito do que apóiam o senhor, eu teria muito mais a dizer, do que já disse, mas cansei. Cansei de tentar argumentar com gente que vive amordaçada ao medo, chamando de fé o que parece muito mais aquartelamento ao papa... e sem direito aos sapatos de Prada que ele usa...

Quando estourou o #bolinhadepapelfacts no TT, no Twitter o que se via eram frases interessantíssimas, feitas por milhares de pessoas e em RT por outras milhares. Fita crepe, o caralho, meu nome é bolinha de papel, dizia uma delas, e Serra é hospitalizado após chuva de confetes, afirmava uma outra. Em seguida, foi a vez do #globomente, e do #veja mente. Aí, entrou em cena, a gloriosa criatividade tucana que nada cria e tudo mal copia... e Criaram o #ptmente. O fato engraçado: eram cerca de uns 40 perfis, que se RT entre si, numa endogamia de fazer inveja a qualquer TFP, em surto de defesa à hoste da família patriarcal. E o que escreviam tinha tanta graça quanto missa rezada em latim pode ter para os católicos campesinos... um horror, parecia que eles estava todos azedos... credo!

Bem, terminando, eu tenho medo. medo deste ataque em massa aos blogs que espalham a verdade ou nos defendem das manipulações da direita organizada pela CNBBSUL, medo porque parece que vem mais chumbo por aí, e desejam amordaçar os que podem fazer frente a ele. Sobre isto, não deixem de ler, eu peço, http://www.viomundo.com.br/politica/alerta-de-quem-e-do-ramo-a-armacao-que-pode-vir-nos-dias-finais-de-campanha.html.


post digitado pelo santo marido.



domingo, 24 de outubro de 2010

Reta final

Eu adoraria se o Twitter virasse um clube de leitura. Mas, prefiro que seja de Bourdieu. Realmente, Celso, vc é foda. Que Tweet foi esse meu irmão.
Neste momento eu tenho medo. Tenho medo do que tentam forjar agora. 
Militância, de olho nas urnas. 

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Base de dados online com obras de arte roubadas a judeus no Holocausto

Fonte; http://www.publico.pt/Cultura/base-de-dados-online-com-obras-de-arte-roubadas-a-judeus-no-holocausto_1461683

Cerca de 20 mil obras de arte roubadas pelo III Reich durante a Segunda Guerra Mundial podem desde ontem ser pesquisadas numa base de dados online. O projecto, iniciado em 2005, é uma iniciativa da organização de apoio aos judeus vítimas da perseguição nazi Claims Conference em conjunto com o United States Holocaust Memorial Museum, um museu americano em memória das vítimas.


É uma oportunidade que surge para as vítimas do Holocausto e as suas famílias reaverem os seus bens roubados entre 1940 e 1944 na França e na Bélgica, na altura ocupados pelos nazis, naquele que foi considerado um dos piores ataques da história cultural. Em comunicado, a Claims Conference afirmou que esta nova lista "deve ser consultada por museus, galerias de arte e casas de leilões, para perceberem se têm em sua posse arte roubada pelos nazis, e por famílias que procuram há muito tempo a herança perdida". O site foi construído com base em registos nazis que foram digitalizados, mostrando o que foi apreendido e a quem, juntamente com os dados sobre a restituição ou repatriação e fotografias tiradas aos objectos apreendidos. A maior parte das peças, incluindo obras de mestres como Picasso, Monet, Chagall e Klimt, nunca foi entregue aos verdadeiros proprietários. Não se sabe exactamente quantos objectos foram roubados pelos nazis e quantos ainda podem estar desaparecidos. A Claims Conference diz que foram apreendidas cerca de 650 mil peças de arte e que milhares continuam perdidos.

domingo, 17 de outubro de 2010

ex-presidente da Juventude Nazista no Brasil apóia o Serra. Minhas declarações - parte I

Bem, agora as coisas estão tomando um caminho preocupante. Quem acompanha as notícias, principalmente na WEB, se dá conta que voltamos todos numa capsula do tempo. Uma parte dos aliados do Serra surge da idade média: são os sisudos e assustadores membros da TFP. Outros desejam a volta do mundo feudal (a turma da pax no campo). Há ainda os defensores de Hitler (o presidente da ex-juventude anzista apóia você, e você fica quieto? credo...)  Serra, eu esperava mais do senhor. Esperava que selecionasse seus amigos, esperava que não invadisse igreja, esperava que respeitasse missasveja o áudio, esperava que conduzisse o debate para algo minimamente parecido com o mundo contemporâneo.

Agora, acabei de voltar do almoço, e no táxi o motorista me afirmou que votaria em você porque ele lê veja. Argumentei a respeito dessas "estranhas alianças" que você ostenta. Ouvi que é melhor o nazismo mesmo.
Santo Deus, o que virou esta eleição?  E porque colocam teu SANTO NOME em vão, ao lado destes aliados?

Ainda bem que há cristãos que se manifestam ao lado da verdade e da justiça. A paz, seu Serra, virá com justiça. Virá com diálogo com professores, não com o uso da polícia. Usar a polícia, invadir igrejas, rejeitar os direitos civis. Nunca vi uma campanha tão totalitária no Brasil. Bem eu não estava viva na época do Estado novo.

Bem, minha declaração de voto eu já fiz. Mas, eu esperava mais desse segundo turno. Extrema-direita e nazismo é o fim!

A PAZ NO CAMPO DO SERRA

Como eu falei no blog, há alguns dias, a paz no campo do Serra é essa:

http://www.paznocampo.org.br/


Fonte da matéria:
http://eleicoes.uol.com.br/2010/ultimas-noticias/2010/10/16/na-tv-serra-promete-paz-no-campo-sem-mst-dilma-lista-privatizacoes-de-fhc.jhtm


E agora, PV?

presidente da ex- Juventude Nazista apóia Serra - a página do registro.br

presidente da ex- Juventude Nazista apóia Serra -a notícia.

Depois de ter nome revelado, dono do site Tribuna Nacional tira página do ar

Fonte: http://brasilmobilizado.blogspot.com/2010/10/depois-de-ter-nome-revelado-dono-do.html



reproduzido do blog Acerto de Contas


Se os diabos fogem das cruzes, os ratos fogem das luzes, dos holofotes. O anonimato é um dos refúgios desses seres sorrateiros e sujos. Se a luz bate em seus focinhos, os danados se danam a correr pra vala obscura onde vivem. As correntes de e-mails apócrifos e caluniosos contra a candidata do PT, Dilma Rousseff, viveram um dia ímpar, ontem. Um dos autores desses e-mails difamatórios teve seus nome e sobrenome postos à luz pelo jornalista Tony Chastinet. Além disso, Chastinet descobriu também que o responsável pelo site Tribuna Nacional (cuja leitura era recomendada no e-mail) é um ex-presidente da Juventude Nazista no Brasil. O site e seu conteúdo calunioso foi retirado do ar.

O e-mail recebido pelo jornalista havia sido enviado por um tal de Ingo Schimidt, e no e-mail, além das calúnias e difamações de sempre, constava um pedido de voto no candidato José Serra e a recomendação de leitura do site Tribuna Nacional. Basta clicar no link http://www.tribunanacional.com.br/ pra ver que o site não está mais no ar.

Na noite passada, busquei o site e li alguns textos. Muitos deles de autoria do próprio Ingo Schimidt. Quase todos com aquela mesma diagramação dos e-mails caluniosos que se tornaram comuns e cotidianos nesta campanha: excesso de caixa alta, textos em azul e vermelho, palavrório sujo e delirante do começo ao fim. Navegando pela página, a impressão que tive é que se tratava de um verdadeiro quartel virtual de mensagens apócrifas de cunho difamatório.

Provavelmente a luz da denúncia ofuscou os olhos e assustou o roedor obscuro responsável pela página, que a retirou do ar de ontem para hoje. Já imaginando que após as denúncias o site seria retirado do ar, fiz o print screen que ilustra este post durante minha visita ao site. Na descrição do que é o Tribuna Nacional, seus autores anônimos diziam:

Quem somos:

Somos cidadãos, homens e mulheres, preocupados com o destino da nação e o futuro dos nossos filhos.

O que pensamos:
Defendemos as liberdades individuais, liberdades contrapostas a responsabilidades, liberdades baseadas não no direito posto, mas sim no direito natural.
O que queremos:
Queremos criar um espaço para outros cidadãos poderem se manifestar, livres da censura, manipulação e propaganda oficial e livres da manipulação e servilismo da imprensa institucionalizada.

Até arrisquei um teste no grau de “liberdade” desses “cidadãos”, mas não obtive sucesso e desisti de tentar fazer qualquer comentário. Era preciso estar logado no site, e eu preferi não dar meu e-mail e dados para esse site bizarro que saiu do ar depois da denúncia. As seções de “Reserva de Direitos” e “Fale Conosco” já estava fora do ar quando da minha visita. Análises semânticas dos dizeres que o ilustravam, transcritos acima, eu deixo para vocês.



O site Tribuna Nacional, segundo Tony Chastinet, está registrado na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) em nome do “Círculo Memorial Octaviano Pinto Soares” (localizado em Brasília).

O responsável pelo site Tribuna Nacional chama-se Nei Mohn. Figura obscura dos tempos da ditadura militar, filho do general reformado Otto Mohn, Nei foi líder da Juventude Nacionalista Anticomunista (organização mais conhecida como Juventude Nazista).




Também era informante do Centro de Informações da Marinha (Cenimar), suspeito de atos de terrorismo na década de 1980 e acusado de falsificar o jornal O São Paulo, da Arquidiocese Paulistana. Além disso (segundo matéria da Veja de 1980) também era conhecido pela crueldade com que tratava seus filhos (leiam mais sobre essa figura nas matérias da Veja de 1980, e da IstoÉ de 1982, linkadas ao final deste post).



Pelo visto, o tempo passou mas Nei Mohn continua sua missão anacrônica e delirante contra os “comunas”. Desta vez, arvora-se do submundo-roedor do anonimato para difamar e caluniar a candidata Dilma Rousseff. Mas a máscara caiu.



E a campanha de José Serra mostra porque não vale nada: não tem propostas para o país e optou pela estratégia da destilação de ódio da forma mais rastaquera possível: valendo-se da tática das ratazanas anônimas em correntes de internet.


Segue o texto de Tony Chastinet, publicado ontem no blog Escrevinhador.

“O CAMINHO DA CALÚNIA”
por Tony Chastinet



Recebi ontem à noite um daqueles e-mails nojentos e anônimos, que estão circulando na internet, com calúnias contra a candidata Dilma Roussef. Decidi gastar alguns minutos para tentar identificar os autores. Consegui, e repasso abaixo as informações sobre os autores da baixaria – incluindo as fontes da pesquisa.

Há um e-mail circulando na internet com o seguinte título: “Candidatos de esquerda”. Na mensagem há uma série de calúnias contra Dilma, e o pedido para se votar no Serra. Também recomenda a leitura do site http://www.tribunanacional.com.br/.

Entrei na página e de cara me deparei com aquela foto montada da Dilma ao lado de um fuzil. Uma verdadeira central de calúnias ligada à extrema direita. Vejam uma amostra neste link http://www.tribunanacional.com.br/v2/editorial/a-terrorista/.

O e-mail foi enviado para minha caixa postal na noite de domingo. O remetente é um tal de Ingo Schimidt (ingo@tribunanacional.com.br). O site está registrado na Fapesp em nome do “Círculo Memorial Octaviano Pinto Soares”.

Essa associação tem CNPJ (026.990.366/0001-49), está localizada na SCRN, 706-707, Bloco B, Sala 125, na Asa Norte, em Brasília. O responsável pelo site chama-se Nei Mohn. Em uma pesquisa superficial na internet, descobre-se que ele foi presidente da “Juventude Nazista” em 1968. Era informante do Cenimar e suspeito de atos de terrorismo na década de 80 (bombas em bancas de jornais e outros atentados feitos pela tigrada da comunidade de informações). Também foi investigado por falsificar o jornal da Igreja Católica, atacando religiosos que denunciavam torturas, assassinatos e desaparecimentos (vejam abaixo nas fontes).

Nunca foi investigado e sequer punido pelas barbaridades que aprontou. Para isso, contou com a proteção dos militares e da comunidade de informações para abafar os escândalos e investigações.


Prossegui na pesquisa e descobri que o filho de Nei, o advogado Bruno Degrazia Möhn trabalha para um grande escritório de advocacia de Brasília contratado por Daniel Dantas para representar o deputado federal Alberto Fraga (DEM) em ação no TCU movida pelo deputado para tentar impedir a compra de ações da BRT/OI pelos fundos de pensão.

Interessante essa ligação entre a extrema direita, nazistas e Daniel Dantas. Mas tem mais.

No registro do site ainda há outros dois nomes apontados como responsáveis pela página: Antonio Afonso Xavier de Serpa Pinto e Zoltan Nassif Korontai.

Fontes:
– Tribuna Nacional – Dados do Registro.br

domínio: tribunanacional.com.br

entidade: Círculo Memorial Octaviano Pinto Soares

documento: 026.990.366/0001-49

responsável: Nei Möhn


2 – Nei Mohn

Matéria Veja de 1980 –
http://www.arqanalagoa.ufscar.br/pdf/recortes/R06814.pdf

Matéria da Isto É de 1982 –
http://www.arqanalagoa.ufscar.br/pdf/recortes/R03648.pdf


3 – Filho de Nei

Bruno Degrazia Möhn (OAB/DF 18.161)

Trabalha no escritório Menezes e Vieira Advogados Associados – http://www.migalhas.com.br/mostra_noticia_articuladas.aspx?cod=11457
 – artigo defesa ppp
escritório contratado por Dantas no caso BRT – http://www.anapar.com.br/noticias.php?id=6602

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Declaração de voto

Algumas palavras aos meus leitores e visitantes:


Depois do resultado do primeiro turno, acho importante expor algumas questões:

Este blog, como vocês sabem, é fruto de um intenso trabalho acadêmico a respeito do racismo e do antissemitismo no mundo contemporâneo, e de um ativismo familiar contra esses males.

Além disso, este blog acredita que a paz é fruto da justiça, como bem escreveu o querido profeta Isaías (Is. 32,17).

Este blog apoiou e vai continuar apoiando Dilma presidente.

Eu voto Dilma, pelo PNDH3.

Tenho amigos no PSDB, que respeito muito. Fiquei triste com a perda de importantes companheiros do Congresso na luta contra o racismo.

Mas, como opção por Direitos Humanos, voto Dilma.

Não apenas porque acredito que os aliados escolhidos pelo outro candidato, ideologicamente se alinham a matéria da (Não)Veja,  (que, diga-se de passagem, ainda não se desculpou com Eduardo Viveiros de Castro), porque defendem a “paz no campo” ( É, VERDADE, ESTES SÃO OS ALIADOS DO SERRA) muito próxima da pax romana...

Voto Dilma porque acredito que quilombolas e indígenas tem direito às suas terras, ainda que isto incomode os proprietários do Agronegócio e seus gases rosas hilariantes.

Não apenas porque não quero o modelo educacional de São Paulo (esse que destruiu a escola pública, na qual eu estudei e que me formou, inclusive, como pessoa política) depredando o ensino do resto do país. Porque não quero um governo que, por decreto, tente destruir a educação de nível superior no Brasil, como tentou em São Paulo, que entre com a PM nas faculdades para “lidar” com os estudantes.

Não quero, ainda, ver as polícias do Brasil se defrontando na frente do Palácio da Alvorada, enquanto a população assiste encolhida de medo.

Não agüento mais a elite paulista (sou paulistana, antes que alguém aí grite) elaborar nos divãs de seus analistas a naturalização da pobreza do Nordeste, ou das favelas urbanas do Sudeste, numa mimética totalitária que me recorda páginas horríveis da história.

Voto Dilma, porque o PT permitiu que milhões de pessoas vivenciassem a MAIOR MOBILIDADE SOCIAL DA HISTÓRIA DESTE PAÍS.

Voto Dilma, porque nestes últimos oito anos eu recuperei a minha esperança de um Brasil mais justo, porque vi Quixadá menos pobre (eu já viajei para Quixada, e lá vi crianças roendo telhas para terem a sensação de estar comendo, e graças ao Governo Lula, isto MUDOU). Porque estive na Argentina no auge da crise e vi as pessoas de lá afirmando que nós tínhamos sorte por ter o Lula como presidente. E eu concordo com elas.

Voto em Dilma pelo projeto. E lutarei para que este projeto, no qual acredito, seja executado de uma maneira cada vez mais ética e transparente.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Neonazistas acusados de explosão em Parada Gay são condenados por formar quadrilha

JULIANNA GRANJEIA


A Justiça condenou na última sexta-feira (17) dois dos sete indiciados pela explosão de uma bomba caseira lançada no centro de São Paulo durante a Parada Gay, realizada em junho do ano passado. Rodrigo Alcântara de Leonardo, 24, conhecido como Tumba, e Guilherme Witiuk Ferreira de Carvalho, 20, o Chuck, foram condenados a dois anos de prisão em regime fechado por associação criminosa. Eles são integrantes do grupo neonazista "Impacto Hooligan".

O explosivo foi jogado no meio da multidão na avenida Vieira de Carvalho (centro da capital) e feriu ao menos 22 pessoas no dia 14 de junho. Os acusados foram presos preventivamente em dezembro de 2009 e soltos, após revogação da prisão, em maio deste ano.

O juiz Luiz Raphael Nardy Lencioni Valdez, da 29ª Vara Criminal do Fórum da Barra Funda (zona oeste de SP), considerou que não há provas de que a explosão tenha sido causada por integrantes do "Impacto Hooligan" e nem se os outros cinco indiciados no processo são integrantes do grupo neonazista.

No entanto, para o juiz, ficou provado que o "Impacto Hooligan" é uma quadrilha criminosa, "estável e organizada" formada desde, pelo menos, o início de 2008. "O grupo não se limitava a exercer o direito constitucional de reunião e de expressão do pensamento, ainda que absurdo, preconceituoso, intolerante e desarrazoado, mas extrapolava para a execução de atos de violência contra os alvos escolhidos, preferencialmente grupos 'punks' rivais igualmente criminosos e indivíduos com orientação homossexual", afirmou Valdez em sua sentença.

O magistrado também diz que os membros do bando são jovens de classe média, que cursavam boas escolas e faculdades, e que seguiam orientação neonazista e xenófoba para disseminar o preconceito, o ódio, a intolerância e a violência. "São inúmeros os boletins de ocorrência acostados aos autos sobre crimes contra a integridade física, a vida e o patrimônio, em sua maioria envolvendo vítimas homossexuais, sempre com o envolvimento de membros da quadrilha desde a adolescência", escreveu o magistrado em outro trecho da sentença.

Durante a investigação, a polícia apreendeu na casa de Guilherme --líder do grupo-- e Rodrigo roupas, acessórios e obras com temáticas nazistas e anotações sobre os rituais de batismo, reuniões periódicas e códigos de comunicação e conduta do "Impacto Hooligan". "Vale ressaltar que Guilherme, como confirmado em audiência, ostenta o numeral 98 tatuado em seu corpo. (...) Os números se referem a localização da primeira letra das palavras no alfabeto. Especificamente, 88 refere-se a HH, que por sua vez indica a saudação nazista 'Heil Hitler', enquanto 98 se refere a IH, que tem o significado óbvio de Impacto Hooligan", afirmou Valdez.

O líder da quadrilha, além dos "inúmero boletins de ocorrência" como citado pelo juiz, já foi condenado em 2009 por injúria real, após ser preso em flagrante. De dentro da cadeia, Guilherme escreveu uma carta para Rodrigo que foi considerada mais uma prova da formação de quadrilha. "No segundo parágrafo, Guilherme escreve: 'O os rolês muleque? Ta fiel ao IMPACTO né? Porque aqui é 98 até a morte, não é porque eu fui preso que tudo ou eu irei parar ou largar a banca. Eu to montando a banca até aqui na cadeia, juro pra você, HAHAHA! [sic]'. No parágrafo seguinte, acrescenta 'seja leal a banca e ao nosso ideal 88'. Por fim, termina assinando: CHUCK 98, IMPACTO H88LIGAN e uma suástica nazista", diz a sentença.

Omagistrado também ressaltou que Guilherme e Thiago Batista Miranda, conhecido como Crânio, --um dos cinco absolvidos nesta decisão-- respondem juntos a processo criminal por homicídio doloso contra vítima homossexual. Valdez não especificou na sentença se a vítima seria o cozinheiro Marcelo Campos Barros, 35, morto após ser espacando durante a Parada Gay do ano passado.

A reportagem tentou entrar em contato com os advogados dos dois acusados, mas eles não foram localizados.

DANOS MORAIS

O consultor de negócios, Felipe Pereira de Freitas, 19, vítima da explosão que ocorreu na Parada Gay no ano passado, afirmou que ele e mais outras cinco pessoas que ficaram feridas irão entrar com um pedido de indenização por danos morais contra os sete indiciados.
"Nós não gostamos da sentença, a pena foi curta. É um grupo que está crescendo demais e por isso temos que tomar atitudes. Até sexta-feira vamos entrar com uma ação de danos morais no valor de R$ 700 mil", disse Freitas à Folha.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

IBGE: diminui desigualdade racial no acesso à educação


No Rio de Janeiro

As desigualdades raciais no acesso à educação e no rendimento diminuíram entre 1999 e 2009, apesar de continuarem elevadas, segundo mostra a Síntese de Indicadores Sociais divulgada na manhã de hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Enquanto 62,6% dos estudantes brancos de 18 a 24 anos cursavam o nível superior em 2009, o porcentual era de 28,2% para os pretos e 31,8% para os pardos, de acordo com a terminologia usada pelo instituto. Os dados apontam, entretanto, que houve forte expansão nesse indicador para todos os grupos. Em 1999, esses porcentuais eram de 33,4% para brancos, de 7,5% para pretos e de 8% entre os pardos.

Em relação à população de 25 anos ou mais com ensino superior concluído, houve crescimento na proporção de pretos (subiu de 2,3% em 1999 para 4,7% no ano passado) e pardos (passou de 2,3% para 5,3%). No mesmo período, o porcentual de brancos com diploma passou de 9,8% para 15%. Ainda segundo a pesquisa, a população branca de 15 anos ou mais tinha, em média, 8,4 anos de estudo em 2009, enquanto pretos e pardos tinham 6,7 anos.

A Síntese mostra que os rendimentos de pretos ou pardos também continuam inferiores aos de brancos, embora a diferença tenha diminuído nos últimos dez anos. Os rendimentos-hora de pretos e de pardos representavam, respectivamente, 47% e 49,6% do rendimento-hora de brancos em 1999, passando a 57,4% (para pretos e pardos) em 2009.

As desigualdades estão presentes também no analfabetismo. A taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais de idade era de 13,3% para pretos em 2009, de 13,4% para pardos e de 5,9% para brancos.

domingo, 12 de setembro de 2010

Preocupante!

Avança o neonazismo nos Estados Unidos

domingo, 12 de septiembre de 2010



A campanha desatada nos Estados Unidos contra o presidente Barack Obama está muito distante de ser apenas uma briga eleitoral.

A campanha é, na verdade, o reflexo do avanço do neonazismo, que sempre tem estado latente e que adquiriu no país do norte novos rumos a partir do ano 2000, quando George W. Bush chegou à Casa Branca.

A derrota da Alemanha na Segunda Guerra Mundial e o desaparecimento físico de Hitler não significaram o desaparecimento do nazismo, mas sim implicaram na sua expansão através dos servidores públicos de diferentes níveis desse regime que encontraram acolhida em diversos países.

Figuras destacadas conseguiram passaportes com novas identidades, emitidos por respeitáveis instituições e governos. Assim, aqueles que haviam sido reconhecidos por suas investigações científicas ou seus avanços em matéria de armamentos encontraram refúgio nos países mais desenvolvidos do Ocidente e na União Soviética.

Outros, que eram perseguidos como criminosos de guerra, usaram como esconderijo países menos desenvolvidos, comprando sua proteção a um preço caríssimo.

A estes, então, somaram-se grupos que haviam chegado como colonos e que reproduziram seu modelo de organização nos lugares em que se instalaram.

Foram eficientes colaboradores das ditaduras na América Latina e contaram com o respaldo de figuras políticas nacionais e de grupos simpáticos ao nazismo.

Nos Estados Unidos o racismo surgiu junto com a colonização de seu território. Não só os nativos indígenas foram suas vítimas, também os negros, comprados ou sequestrados na África e levados na qualidade de escravos. O grupo mais representativo do que hoje equivaleria ao neonazismo é a Ku Klux Klan.


Obama e a supremacia branca
Transposos estes antecedentes à atualidade, encontramo-nos com um presidente como Barack Obama, que se encontra sitiado por uma oposição que assume as mesmas características do neonazismo.

Com Bush sentiam-se representados, combatiam ao muçulmanos, que haviam sido declarados os novos inimigos e que se somavam à lista de velhos inimigos: negros, latinos, judeus, socialistas e homossexuais.

O movimento neonazi do país do norte deriva do Partido Nazista criado nos anos vinte do século passado, que depois se misturou com a Free Society of Teutonia e formou o German-American Bund, que atingiu notoriedade nos anos 30 do século vinte quando Hitler e Mussolini estavam na cúspide do poder.

A derrota da Alemanha os descolocou e ester vieram a reaparecer em 1959 como Partido Nazista da América do Norte, dirigido por Lincoln Rockwell.

Na atualidade há vários grupos, o mais importante deles sendo o Aryan Nations, ao que o FBI considera uma ameaça terrorista e a Corporação Rand qualifica de "a primeira organização verdadeiramente terrorista". Mas foi a Aliança para a Supremacía Branca que declarou a guerra a Barack Obama desde que ganhou a nominação à presidência da república.

Neste período dois de seus membros foram detidos quando planejavam matar a 102 afroamericanos, dos quais 14 seriam decapitados.

No entanto, seu objetivo principal era matar Obama e, para fazê-lo, tinham planejado vestir-se de smoking branco e usar chapéus de copa.

Não se importavam morrer nesse empenho, mas foram detidos a tempo.

Sara Palin, Fox News e o Tea Party
A ofensiva atual contra o presidente estadounidense tem como figura principal a ex candidata republicana à vicepresidência da república, Sara Palin, e seu financiamento corre por conta da rede televisiva Fox News.
Esta empresa havia contratado Palin como "comentarista" política a um salário exorbitante.

Outro comentarista estrela desse canal televisivo é Glenn Beck, o mestre de cerimônias do recente meeting efetuado no mesmo lugar em que Martín Luther King pronunciara seu discurso "I have a dream" em defesa dos direitos civis dos negros.

Este ato, em que se acusou a Obama de socialista e de ser um "muçulmano que odeia os brancos", é considerado um ultraje à memora de Luther King e uma provocação.

Há outros grupos empresariais que contribuem com estas mobilizações e à criação de entidades que se opõem às políticas propostas por Obama e que têm conseguido convencer pelo menos 25 por cento dos estadunidenses de que seu presidente é muçulmano e não cristão. A Casa Branca teve inclusive de desmentir o fato.

Mas, a campanha segue, e em vardade trata-se de que a direita e a ultra direita estadounidenses consigam ganhar as próximas eleições parlamentares e atinjam a maioria na Câmara de Representantes, com a finalidade de impedir que se aprovem leis que afetem os interesses das grandes corporações.
Tudo isto vai gerando, ao mesmo tempo, mobilizações e leis estatais contra as minorias étnicas e os migrantes.

Paralelamente na rádio e na televisão há comentaristas que agridem tanto à população negra como aos latinoamericanos e agora aos muçulmanos nascidos nos Estados Unidos.

Este fustigamento aos muçulmanos tem originado episódios como o do médico que era objeto de discriminação e deboche, o que o levou a protagonizar um tiroteio na base militar onde prestava seus serviços.

Mas dos alcances que está registrando a atitude contra muçulmanos de nacionalidade estadounidense, a única preocupação expressada por alguma entidade de governo é a manifestada pela Agência Central de Inteligência.

A CIA teme que os acusem de exportar terroristas, porque ante esta situação há muçulmanos norte-americanos que se somaram aos de outros lugares na contramão de seu país natal.


O correlato europeu
E não é só nos Estados Unidos onde cresce o racismo, que por sua vez engrossa as filas do neonazismo.

Também na Europa se estão fortalecendo os grupos desse signo, enquanto os governos aplicam políticas xenófobas que afetam às minorias étnicas e religiosas. França e Itália vão à vanguarda.

Tanto os governos francês como o italiano têm endurecido suas leis contra os ciganos. O mesmo fez Hitler, que eliminou a milhares.

Sobre isto, há um vazio na própria União Européia que "reconhece" os ciganos como cidadãos, mas não lhes outorga direito a circular por todo seu território, também não lhes dá direito ao trabalho.

Para não ser menos, os ingleses anunciam que temem atos terroristas dos muçulmanos e tudo sucede justo quando a imprensa estadounidense adverte que se teme uma nova recessão e há dez bancos que poderiam falir nos próximos meses.

Provocar o racismo para ocultar outros problemas faz crescer ao neonazismo.


(*) A autora é jornalista chilena radicada em México e colaboradora da Prensa Latina



FONTE: prensa Chilena http://www.prensa-latina.cu/index.php?option=com_content&task=view&id=219979&Itemid=1