quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Milhares de pessoas impedem passeata neonazista em Dresden

[Alemanha] 

Date Wed, 23 Feb 2011 05:30:45 +0100



Milhares de manifestantes impediram anteontem (19 de fevereiro), em
Dresden, uma passeata de neonazistas, erguendo barricadas e envolvendo-se
em confrontos com a polícia, que não conseguiu impor o direito de
manifestação à extrema-direita, reconhecido pelos tribunais.

Centenas de neonazistas que planejavam manifestar-se na capital da Saxônia
em memória das 25 mil vítimas dos ataques aéreos dos aliados de 13 e 14 de
fevereiro de 1945, no final da Segunda Guerra Mundial, acabaram por
desistir da manifestação, e após conversações com a polícia decidiram
transferi-la para Leipzig. A mais de 110 quilômetros de distância.

Antes da chegada a Leipzig do trem que transportava os neonazistas, a
polícia teve de dispersar várias concentrações de manifestantes
antifascistas que gritavam "fora com os nazis", ?confrontaremos os jovens
e velhos nazistas?, ?no pasaran?.

No ano passado, milhares de neonazistas já tinham sido impedidos de
desfilar em Dresden em 13 de fevereiro devido aos protestos de numerosos
antifascistas.

Este ano, a manifestação convocada pelo partido de extrema-direita NPD em
Dresden atraiu apenas centenas de neonazistas, apesar de os tribunais
terem autorizado o ato e determinado proteção policial contra as
tentativas de bloqueio dos manifestantes antifascistas, igualmente
anunciadas para Dresden.

Milhares de antifascistas bloquearam durante várias horas as ruas em torno
da estação ferroviária central de Dresden, para impedir o acesso dos
neonazistas ao local da concentração.

A polícia tentou dispersar os antifascistas, utilizando cassetetes,
canhões de água e gás lacrimogêneo, mas estes romperam o cordão policial,
ergueram barricadas, danificaram automóveis, incendiaram contentores de
lixo, apedrejaram o corpo de intervenção e lançaram foguetes contra os
policiais.

Cerca de 200 manifestantes antifascistas foram detidos, sob a acusação de
ataques corporais e desobediência à autoridade.

Antes dos confrontos, mais de 20 mil pessoas participaram em vigílias e
protestos pacíficos contra a presença de neonazistas na capital da
Saxônia. As Igrejas católicas e protestantes associaram-se aos protestos
antinazistas, apelando ao combate ao ódio racial, à xenofobia, à violência
e ao racismo.

INICIADO JÚRI POR MORTE DE LÍDER INDÍGENA



A juíza federal Paula Mantovani Avelino, da 1ª Vara Federal Criminal, deu início hoje (21/2), às 12 horas, ao julgamento dos acusados pelo assassinato do cacique guarani-kaiowá Marcos Veron, no interior de Mato Grosso do Sul.

Após indeferir um pedido da defesa para anular a realização do Júri sob a alegação de que a Justiça Federal não teria competência para julgar o caso, Paula Mantovani deu início aos trabalhos de sorteio dos sete jurados que passaram a compor o Conselho de Sentença: seis homens e uma mulher.

Em seguida, após o intervalo de uma hora para almoço, foi realizada a leitura das peças processuais, que terminou às 16h50 e encerrou o primeiro dia dos trabalhos. Amanhã (22/2), às 9 horas, o Júri será retomado para a instrução e início da oitiva de sete indígenas vítimas dos acusados.

O Júri deverá ocorrer na seguinte ordem (isso poderá ser alterado): oitiva das 7 vítimas (indígenas); oitiva de 5 testemunhas de acusação (3 são indígenas); oitiva de 2 testemunhas de defesa; oitiva de 1 testemunha do juízo; interrogatório dos 3 réus; debates (+/- 10 horas); em sala secreta serão julgados os quesitos e proferida a sentença. Previsão de duração: 8 a 15 dias.

O crime aconteceu entre os dias 12 e 13 de janeiro de 2003 no município de Juti, na região de Dourados, Mato Grosso do Sul. Na ocasião, quatro homens armados ameaçaram, espancaram e atiraram nos líderes indígenas, incluindo o cacique Veron, que na época tinha 72 anos.

Estevão Romero, Carlos Roberto dos Santos e Jorge Cristaldo Insabralde respondem por tentativa de homicídio qualificado, por seis vezes, e Carlos Roberto dos Santos, por homicídio consumado (motivo torpe e meio cruel). Eles respondem também por crime de tortura, sequestro e formação de quadrilha. Foragido, o acusado Nivaldo Alves Oliveira, teve seu processo desmembrado e suspenso.

O caso foi transferido de Mato Grosso do Sul para São Paulo a pedido do MPF por dúvida quanto à isenção dos jurados locais. Os crimes tiveram repercussão internacional, pois se tratou do assassinato de uma reconhecida liderança indígena Guarani-Kaiowa, que lutava pelo direito de seu povo à terra ancestralmente ocupada.
O Júri acontece no piso esplanada do Fórum Federal Criminal Ministro Jarbas Nobre, na alameda Ministro Rocha Azevedo, nº 25, Cerqueira César, São Paulo. (RAN)

Fonte: http://www.jfsp.jus.br/20110221-juri/

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Cashmore, Kevin Rose, Tom, Amber MacArthur, Crystal Gibson and Ariana Huffington are fighting for social media dominance.

Race around the board picking up smartphones and computers but make sure you don’t get sent to MySpace or you’ll risk losing everything, including your reputation.

http://www.cyberjournalist.net/social-media-monopoly/

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

What the Internet Is Doing to Our Brains

Serious thought gives way to skimming and multitasking.

If, while perusing the articles of this month’s Prism, you’ve paused to check your e-mail, read online news, blog, tweet, connect on Facebook, catch a YouTube video, buy on Amazon, or perform one of any number of other Web activities that now permeate our lives, then author Nicholas Carr has a message for you: It’s time to consider how our constant, often disjointed engagement with the World Wide Web is changing us – both individually and as a society.

In a widely discussed 2008 Atlantic Monthly article, Carr asked, “Is Google Making Us Stupid?” His answer has sometimes been interpreted as an antitech creed, yet many recognized themselves in Carr’s descriptions of faltering ability to concentrate and the suspicion that the Internet is a key contributor. “My mind now expects to take in information the way the Net distributes it,” he wrote, “in a swiftly moving stream of particles. Once I was a scuba diver in a sea of words. Now I zip along the surface like a guy on a Jet Ski.”

The Shallows: What the Internet Is Doing to Our Brains elaborates upon the original thesis, placing this newest technology within the context of a long history of systems that have not only influenced but also shaped the way we think. “In large measure, civilization has assumed its current form as a result of the technologies people have come to use,” the author writes. “Sometimes our tools do what we tell them to. Other times we adapt ourselves to our tools’ requirements.” Consider how maps and clocks have altered our relation to space and time, he says, developing in us a more abstract sense of the measurement and order of both. In even more dramatic ways have “intellectual technologies” – writing systems, movable type, books, typewriters, telegraphs, and computers – affected our thinking processes. Today the Internet is producing another huge shift, in large part because of its emphasis on speed and connectivity, and its onslaught of advertisements, hyperlinks, pop-ups, sidebars, and e-mail notifications. “Whenever we turn on our computers,” he writes, quoting blogger Cory Doctorow, “we are plunging into an ‘ecosystem of interruption technologies.’”

The book’s subtitle should be interpreted literally. Several chapters are devoted to recent studies of brain functions. Not surprisingly, they tend to reveal the deleterious effects of sustained online activity – decreased comprehension and concentration and less ability to analyze or think creatively. Web use does strengthen rapid decision making, problem solving, and mental coordination, Carr admits. But he questions whether these positives outweigh the negatives. While the Internet offers far greater access to information, it also encourages superficial connection to that knowledge. A 2006 study tracking how people read online found, for example, that the majority skimmed a Web article in a manner that resembles the letter F. The first few lines of text were read fully, but readers then dropped down to read a few more lines, then skimmed the rest, concentrating primarily on the left-hand side of a page. Most spent no more than 4.4 seconds on each page.

As we become more agile at multitasking online, Carr charges, “we train our brains to process information quickly and efficiently but without sustained attention.” The implications of that loss could be significant. Even if you are one of those increasingly rare specimens who maintain steady, measured control over your online consumption, what about your students and colleagues, who are being swept into a 24/7 Internet existence? Though the wealth of material made available by the Internet would seem to make more extensive research possible, for example, a 2008 study has revealed just the opposite. The findings, published in Science magazine, revealed that the number of citations in academic articles has plummeted, with much greater reliance being placed on more recently published articles.

This is a book you will want to read carefully, for the number of provocative issues it raises and the compelling manner in which they are presented. So, when you take up The Shallows, do it with a hard copy and sustained attention – then see how long it takes before the digital urge comes calling.
The posting below looks at the impact of internet multitasking on our brains and our way of thinking. It is a review by Robin Tatu, senior editor of Prism, of the book, The Shallows: What the Internet Is Doing to Our Brains by Nicholas Carr. W.W. Norton & Co., 276 pages
. The review is from Prism, December, 2010. Copyright 2010
 American Society for Engineering Education
1818 N Street, N.W., Suite 600
Washington, DC 20036-2479
 Web: www.asee.org

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Notas para etnografias da deficiência

Notas para etnografias da deficiência
Como relembrou Carol Poore, embora a questão da deficiência esteja sempre presente na história humana, é apenas nas últimas décadas que as pessoas com deficiência (física, sensorial, mental ,cognitiva ou múltipla) passam a se entenderem e a se narrarem como um grupo de minoria. 
Este foi, segundo a autora, um passo essencial para rejeitar a exclusão, a discriminação e a “piedade”, e para garantir a luta de seus direitos civis em todos os aspectos da vida. 
Poore aponta o surgimento, nas áreas de humanidades e as ciências sociais de muitos países de um movimento político, permitindo o desenvolvimento de um novo campo de estudos: os Estudos a respeito da Deficiência (Disability Studies). É importante salientar que os Disability Studies originaram a fundamental mudança de foco no trato do tema da Deficiência; distanciando-se de uma definição estritamente médica para ela. 
A nova proposta é apreender os sentidos da categoria deficiência em sua relações históricas e sociais. Para a autora, a categoria deficiência permite, ainda, novos insights sobre a história e função dos conceitos de normalidade. Esta forma de problematizar a questão permite que a deficiência torne-se uma categoria para ser estudada de forma semelhanteàs outras categorias tais como raça/etnia, classe, gênero e orientação sexual, dentre outras[1].. 


[1] Cf. Sharon Snyder et al., eds., Disability Studies: Enabling the Humanities (New  York: Modem Language Association, 2002);  Rosemarie Garland Thomson, Extraordinary Bodies: Figuring Physical Disability in American Culture and Literature (New York: Columbia, 1997); David Mitchell & Sharon Snyder, Narrative Prosthesis: Disability and the Dependencies of Discourse (Ann Arbor: U of Michigan P, 2000); Gary L. Albrecht et al., eds., Handbook ofDisability Studies (London: Sage, 2001)

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

The T-4 Euthanasia Program

The T-4 Euthanasia Program


In the fall of 1939 the German government established, under the Reich Chancellery, the Euthanasie Programme under the direction of Philip Bouhler and Dr. Karl Brandt. The headquarters of the operation were at Tiergartenstrasse 4, Berlin and the code name for the program was derived from that address -- T-4.The choice of terminology for the program is consistent with the Nazis' penchant for euphemism. Euthanasia typically means "mercy killing" and in the 1990's in the United States and other western nations, it is synonymous with "physician-assisted suicide." The kind of killing carried out through the T-4 program bears little resemblance to contemporary concepts of euthanasia.
Hitler's rise to power produced a completely new set of definitions. Guided by the over-riding principles of racial hygiene, racial purity, and national health, the Nazi regime seems fairly consitently commited to the removal of those unfit to live and produce inferior offspring. In 1935, the Nuremberg Laws provided for the forced sterilization of the unfit. Not only did Hitler have in mind such "inferior races" as Jews and Gypsies, he also included unfit Aryans -- the mentally defective, severely handicapped, the incurably insane and the incurably sick.
To implement the euthanasia program, special carbon-monoxide chambers were constructed. According to Milton Meltzer:

Between December 1939 and August 1941, about 50,000 to 60,000 Germans--children and adults--were secretly killed by lethal injections or in gassing installations designed to look like shower stalls. It was a foretast of Auschwitz. The victims were taken from the medical institution and put to death...Never to Forget, New York:HarperCollins, 1976:131.
Robert J. Lifton makes the following assessment:

Of the number of people killed in the T4 and the 14f13 projects, the following statistics are usually given: adult mental patients from institutions, 80,000 to 100,000; children in institutions, 5,000; special action against Jews in institutions, 1,000; concentration camp inmates transported to killing centers (14f13), 20,000 (Klee estimated that at the end of 1941, some 93,521 `beds' had been emptied for other uses [70,000 patients gassed, plus over 20,000 dead through starvation and medication] - in other words approximately one-third of the places for the mentally ill.) But these figures may well be too low; twice these numbers of people may have perished. The fact is that we do not know and shall probably never know. Elements of deception, imposed chaos, and the destruction of many records make anything like an accurate estimate impossible.The same is true concerning the total number of people murdered at specific killing centers. Hartheim victims of both ordinary `euthanasia' and 14f13 are variously estimated from 20,000 (by Dr. Georg Renno, Lonauer's successor as director), to 400,000 (by Franz Ziereis, the former commandant of Mauthausen, on his deathbed); 30,000 is believed to be the best estimate. While these figures may seem unimpressive when placed next to the millions killed in the Final Solution, they represent the murder of shockingly large numbers of people -- all in places characterized as hospitals." (The Nazi Doctors" Medical Killing and the Psychology of Genocide. London: Papermac, 1986 (Reprinted 1990) p. 142).
Hans-Heinrich Wilhelm, "The Euthanasia Program," The Encyclopedia of the Holocaust, Vol II, pp.452-454, informs us:

The first large-scale euthanasia action seems to have taken place in Pomerania and estern Prussia shortly after the Polish campaign. During 1940, four euthanasia institutions went into operation: Grafeneck, in January, Brandenburg, in February, Hartheim, in May and Sonnenstein, in June. In the first half of the year, 8,765 persons were gassed in these four institutions, three-quarters of them in May and June, a time when world attention was focused on the Battle of France. By the end of 1940, a total of 26,459 patients had been put to death, and in the first eight months of 1941, an additional 35,049 were "disinfected." These were the figures given by the accounting section of T4's head office.
Robert E. Conot makes the important connection between the euthanasia program and the Final Solution:

"Concurrent with the start-up of the euthanasia exterminations, Hitler authorized Himmler to establish a Race and Resettlement Office under the aegis of the SS. It was the Race and Resettlement Office that was to be responsible for the `racial' purification of the Reich and the establishment of a Nordic empire. On October 17, 1939, Keitel summoned the victorious Wehrmacht generals for a lecture from the Fu"hrer, who ranted: `The increased severity of the racial struggle permits of no legal restrictions. Jews, Poles, and similar trash are to be cleared from the old and new Reich territories.' Eight million Poles and 800,000 Jews were to be transported from the annexed portion of Poland into the government-general, and replaced by ethnic Germans repatriated from the Baltic lands, the Balkans, Russia, and the Italian Tyrol -- even though, in large part, these Germans had emigrated generations before.To `render harmless' the Polish intelligensia, political and religious leaders, Jews, and anyone else who might, theoretically, rally an opposition, Heydrich established SS Einsatzgruppen (action groups). The Einsatzgruppen rampaged over the land, terrorizing and killing. Selections for execution were haphazard. Sometimes the commandos erred and included ethnic Germans whom they mistook for Jews. Shootings were carried out publicly to heighten the climate of fear. A Werhmacht intelligence officer reported: `Arrests were almost always accompanied by looting. Evacuations were carried out and blocks of houses were cleared at random, the inhabitants loaded into lorries at night, then taken to concentration camps. Actions against the Jews were carried out with the most serious excesses. A number of Jews were driven into a synagogue, where they had to crawl, singing, between the benches. Forced to take down their trousers, they were continously whipped by the SS men on their bare behinds. A Jew who out of fright dirtied himself was forced to smear the excrement onto the faces of the other Jews.
`After about fifty Jews, who had been used during the day to repair a bridge, finished their work in the evening, two SS men drove them into a synagogue and shot them all without any reason.' (Judgement At Nuremberg, New York: Harper & Row, 1983, pp 211-212.
The euthanasia program proved to be a valuable precursor to the atrocities which were to come in connection with the "Final Solution." SS Major Christian Wirth was transferred from his duties at a euthanasia center to take over the supervision of Chelmo, the first of six extermination camps in Poland to become operational. His expertise in mass extermination seems to have been a major consideration. Wirth later served at Belzek, Treblinka and Sobibor. In 1942, Franz Stangl was transferred from one of the euthanasia centers to Sobibor extermination camp where he served as camp commander. He performed so well there that he was transferred in the summer of 1942 to Treblinka [Many years later, in 1970, Stangl was extradited from Brazil to West Germany to stand trial. He was found guilty of joint responsibility for the murder of 900,000 Jews]. After the Wannsee Conference in 1942, the staff of Euthanasie Program was transferred to Operation Reinhard.

OBS. Aktion 14f13  foi a terrível campanha do Terceiro Reich para selecionar, banir, e depois exterminar os indesejáveis e as pessoas com deficiência (ditas inválidas), não consideradas aptas para desenvolver "o sonho alemão de Hitler". Estima-se que este programa matou, até 1943, 20 mil pessoas. (Obrigada Michel!)

sábado, 29 de janeiro de 2011

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Falece antropóloga brasileira - Fundadora da ABOI

Ontem, 24 de janeiro de 2011, faleceu Rita Amaral, antropóloga, pesquisadora e  orientadora do Núcleo de Antropologia Urbana da Universidade de São Paulo, doutora em Antropologia Social pela USP e pós-doutorada em Etnologia Afro-Brasileira pelo Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo. Estudou festas, estilos de vida, religiões de influência africana e fez parte da equipe de pesquisa de Reginaldo Prandi, que estudou pela primeira vez o candomblé de São Paulo.
A obra antropológica de Rita abarcou ainda a organização do grupo de estudos Urbanitas, focado na antropologia urbana. Integrou a Coordenação do Núcleo de Antropologia Urbana da Universidade de São Paulo [www.n-a-u.org], do qual foi membro desde 1988, e onde foi Editora-chefa da revista PontoUrbe - Revista do Núcleo de Antropologia Urbana da USP [www.pontourbe.net]. Foi, também, organizadora e editora independente da revista de Antropologia Urbana "Os Urbanitas" [www.osurbanitas.org], do website Os Urbanitas [www.aguaforte.com/antropologia] e do blog de mesmo nome [www.osurbanitas.blogspot.com].
Portadora de osteogênese imperfeita, foi pioneira no movimento de conscientização sobre a doença no Brasil, traduzindo textos, auxiliando na formação de médicos e lutando pela melhoria da qualidade de vida dos portadores de deficiência física. Nesse sentido, fundou, há 11 anos a Associação Brasileira de Osteogênese Imperfeita – ABOI, na qual exercia mandato de presidente.
Rita era uma pessoa doce; sagaz; acolhedora; ligada em todo tipo de arte; e dona de uma força de vontade ímpar. Seus amigos e demais portadores sabiam que podiam contar com ela para ser apoiados e orientados. A criança que tinha ânsia de saber, a jovem que tocava violão e a grande mestre em antropologia conviviam numa única pessoa, formando uma grande personalidade.
Rita de Cássia de Mello Peixoto Amaral nasceu em18 de fevereiro de 1958 em São Paulo e faleceu em São Paulo24 de janeiro de 2011, de complicações respiratórias.



Rita, ter conhecido vc fez um tudo de bom na minha vida!

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Facebook: meta-Estado ou negócio?


Há muito exagero sobre as coisas ‘web’. Facebook diz que tem mais de 500 milhões de membros registados e um milhar de milhão de unidades de conteúdos transaccionados por dia.
Sabe-se que grandes números têm o poder de impressionar. Facebook é um dos maiores países do mundo, com regras próprias, disse Marcelo Rebelo de Sousa na TVI, repetindo um truísmo que fora dito numa conferência em Lisboa dias antes. Na minha modesta opinião, é uma observação ultrapassada. Há mais de uma década falava-se de "meta-estados" e de "ciber-cidadãos". Eram suposições que não foram validadas pelo tempo e por estudos que, por revelarem factos menos bombásticos, são ignorados.
Claro, Facebook tem regras de prestação do serviço. Os utilizadores prometem cumprir um determinado número de condições ('terms of service'). Isto não faz de Facebook um Estado ou país. Esta promessa é vigiada. Facebook tem um menos conhecido ‘hate and harassment team', uma equipa que censura diariamente milhares mensagens que violam as condições do serviço. Estas proíbem incitamento ao ódio, à perseguição, à violência ou a actos ilegais. Ou seja, Facebook conforma a utilização do serviço com as leis dos verdadeiros estados. A página utilizada por Wikileaks para organizar os ataques a PayPal e MasterCard foi retirada. Mas Facebook permite páginas de negação do Holocausto ou de ódio ao Islão. Por isso há quem exagere, como Jeffrey Rosen, professor de Direito em Georgetown citado pelo "New York Times", que Facebook tem mais poder em todo o mundo que qualquer rei ou presidente quanto a quem tem direito à livre expressão. Na realidade, trata-se do poder do conformismo com a lei e a ordem. Não há lugar a subversão. O imperativo comercial comanda.
Quando há 30 anos, na era pré-Internet, falhou o serviço videotex Viewtron, ficou a saber-se que os consumidores não querem mais informação, nem interacção com uma máquina, mas sim comunicar uns com os outros. Nos EUA, Facebook já ultrapassou Google em utilizadores. Facebook e outros negócios de comunicação em rede foram fundados no conhecimento desta necessidade social. Disponibilizam a tecnologia que permite realizar essa interacção facilmente, de modo barato e em larga escala. Depois, pensou-se que as redes sociais ‘online' ampliam o círculo de "amigos" porque as pessoas aceitam colocar na ‘web' um conjunto de informação pessoal antes mantida em pequeno círculo. Agora sabe-se que o círculo de verdadeiros "amigos" ‘online' é o mesmo que ‘offline', mas esta noção esbateu-se porque o digital encerra a possibilidade de ampliar infinitamente o círculo. Depois, descobriu-se que as pessoas gostam das redes sociais porque são o meio ideal para exibicionismo e para ver fotos de miúdas em ‘bikini'. E agora, Facebook acaba de modificar o serviço para permitir ainda maior entretenimento. Mark Zuckerberg, co-fundador e CEO, diz que o objectivo de Facebook é fazer do mundo um lugar melhor. Mas, de facto, as redes sociais não são mais que um negócio de venda de espaço publicitário num ‘medium' de entretenimento ‘online', que actua em múltiplos mercados, cujos conteúdos audiovisuais são (gratuitamente) fornecidos pelos próprios utilizadores, em círculos mais ou menos fechados, de acordo com termos de utilização que respeitam a lei e os costumes. Ponto final.
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Nuno Cintra Torres
nuno@cintra-torres.eu

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Segredos




Todas as famílias possuem segredos, mas algumas famílias guardam seus segredos à sua maneira. O filme de Francis Ford Coppola , Tetro revela a busca de dois irmãos por si mesmos. O mais velho, Ângelo (Vincent Gallo), que se autodenomina Tetro (retirado do sobrenome Tetroccini), deseja fugir destes tão bem guardados segredos de família, o mais novo, Bennie (Alden Ehrenreich), foge para os revelar. Um filme que mexe com luz e sombra, com intensidade, e que traz a quem assisti a possibilidade de se deparar com emoções tão densas quanto significativas: a busca de todos nós, por fim, é sempre pelo afeto de quem amamos.

Tetro é um escritor frustado, que  guarda de todos os moradores de La Boca a identidade de seu pai. Quando é visitado por seu irmão (!!!) , é posto diante da necessidade de enfrentar seu passado. Aos poucos, a dor dos personagens e a densidade da narrativa vai tecendo uma trama maravilhosa, e como se passa em Buenos Aires, há drama em cada pedaço de paralelepípedo das ruas da Boca. 

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Tweets de ódio

Água materna

Talvez poucos saibam, mas minha mãe nasceu em Paramirim, Bahia. Tomo qualquer ofensa ao nordeste como dano de honra contra minha família. Eu poderia citar aqui uma centena de intelectuais nordestinos que fizeram deste país um lugar muito melhor que a estudante de direito Mayara Petruso, mas escolho lembrar a centena de milhares de anônimos que com seu trabalho edificaram o Brasil. Preconceito não é opinião, é ódio racionalizado. A seção Pernambuco da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PE) ingressa hoje, na Justiça de São Paulo, com representação criminal contra a onda de agressões aos nordestinos divulgada por meio do Twitter após a eleição de Dilma Rousseff.

A estudante de Direito Mayara Petruso escreve em português débil, talvez por não ter lido José de Alencar, Jorge Amado e Castro Alves suficiente para aprender a nossa linda flor do Lácio.

Lembrando: a internet é um espaço público.
Lembrando 2: ódio a grupos sociais é demonstratação de falência como humano. Falência mental, inclusive.
A humanidade precisa, sempre, recordar que a grande civilização, que considera o outro uma anomalia, é sempre, ela mesma uma anomia. Não existe pior momento mora, como esceveu Todorov, do que aquele que considera entre eu e outro a sobreposição de bem e mal.
Não é simples, Mayara, não basta pedir desculpas. Não se resolve uma avalanche de pedras desta forma.
Espero, sinceramente, que você seja condenada. A paz é fruto da justiça.
Acompanhe notícias a respeito do caso em http://www.google.com/search?q=mayara+petruso&hl=pt-BR&client=gmail&rls=gm&prmd=nlo&source=univ&tbs=nws:1&tbo=u&ei=lI3RTLr5C4L_8Aa3g4CODA&sa=X&oi=news_group&ct=title&resnum=1&ved=0CCEQqAIwAA

domingo, 31 de outubro de 2010

Minha presidenta!


Que fique nas melhores lembranças:
neste dia escolhemos uma mulher.
Não ao patriarcado, ao machismo, à manipulação.
Eu quero mais! Eu quero Dilma.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Guerra na rede?

Guerra eletrônica. 
E não estou falando em jogar um chip (PEDRO!!!!!) na cabeça de ninguém!



Bem, como todos os milhares quatro ou cinco leitores deste blog tão cansados de saber, eu pesquiso o mundo digital, em especial no que diz respeito aos aspectos de sociabilidade e comunicação, desde 2002. Como eu ando pela rede desde 99 e blogo desde 00 (noespelhodealice, que primeiro, apareceu no blig), posso afirmar com um certo tom de legitimidade que eu sou foda neste campo que eu conheço bem o meio. Meu objeto foi o uso da WEB e das redes nela posta, por grupos subversivos, os neonazistas. Pesquisando-os, desenvolvi uma análise do uso político da Internet, que tenho explorado em alguns artigos e algumas palestras por aí...
Vivi na rede, nestes anos algumas experiências: a eleição de 2006, por exemplo, na qual eu me assombrei pensando que não dá para ficar pior que aquilo... Mas, como afirma o poliglota filósofo Capitão Nascimento (em inglês, strategy... em alemão, strategie... em italiano, strategia... em espanhol, estrategia...), sempre dá prá ficar pior. basta ver o que tem acontecido nesta eleição.

Esta semana, quando começaram a noticiar os ataques em massa aos blogs e sites pró-Dilma, como o VI O MUNDO, o ESCRIVINHADOR, e o SEJA DITA A VERDADE, eu lembrei de um episódio grotesco, que ocorreu durante a ocupação da USP. Apenas para contextualizar, a ocupação aconteceu dentro do maior processo de manifestação do movimento estudantil, pós-década de 60. O motivo? Os decretos do Senhor Candidato Serra, que miravam a educação. Neste processo teve reunião de DA e DCE da Poli, gente, foi inacreditável. Seis mil estudantes da USP em assembléia. No meio disto, a imprensa serrista, comandada pela Folha e pela Veja, oh que surpresa, proíbia o termo ocupação em seus editoriais e reportagens, e descia a lenha, como o faz sempre.

Qual a arma da moçada para contar a verdade e responder aos ataques da mídia paulistana? A rede. Internet, claro, of corse. Um blog da ocupação registrava dia a dia o universo daquela situação e berrava aos quatros links da rede (versão digital de quatro cantos do mundo) a voz do movimento estudantil. Qual foi a tática do governo? negociar, jamais! Foi derrubar o blog. Isso mesmo, clicavam no servidor, o terra na época, e denunciaram em massa que era um blog com conteúdo impróprio, tipo pornografia e etcs, com ênfase nos etcs...

 Em doze horas, uma turma de gente que prefere o mundo dos bits que o sabadão de sol, botou o site num provedor de fora o NOBLOGS. Um servidor fantástico este por sinal, ficou a dica.

Sempre se falou que a mídia controla o governo e a Internet controla a mídia. No Brasil, como quase tudo, isto é diferente: a mídia é golpista, PIGUENTA mesmo, e é na rede que desarmamos os golpes e suas mórbidas e purulentas tentativas. 

Por exemplo, a mal falada fita crepe, vulgo bolinha de papel. Sem entrar no mérito do que houve (e do que foi inventado), este blog não apóia violência. Nem, e principalmente, a violência de manipular. O rapaz foi no médico, deixa ele, tem direito. O que não se tem direito é de inventar fita. O que não se tem direito é ficar enchendo a caixa de e-mails de pessoas de bem com spam (mal feito por sinal, nem designer gráfico que presta este povo arranja...) dizendo que a Dilma é isto ou aquilo. Quem vive de amedrontar a população meu amigo, estudou política na cartilha do Goebbels. E para de tentar forçar a mentira virar verdade, de tanto a repetir, que não cola. Nem com fita crepe. Muito menos em tempos de WEB. Ah, é que esse povo que apóia o senhor é medieval, e prefere se arrastar com um  cilício entre as coxas, do que entender que o mundo mudou e que as novas tecnologias tem muito haver com isto...

A respeito do que apóiam o senhor, eu teria muito mais a dizer, do que já disse, mas cansei. Cansei de tentar argumentar com gente que vive amordaçada ao medo, chamando de fé o que parece muito mais aquartelamento ao papa... e sem direito aos sapatos de Prada que ele usa...

Quando estourou o #bolinhadepapelfacts no TT, no Twitter o que se via eram frases interessantíssimas, feitas por milhares de pessoas e em RT por outras milhares. Fita crepe, o caralho, meu nome é bolinha de papel, dizia uma delas, e Serra é hospitalizado após chuva de confetes, afirmava uma outra. Em seguida, foi a vez do #globomente, e do #veja mente. Aí, entrou em cena, a gloriosa criatividade tucana que nada cria e tudo mal copia... e Criaram o #ptmente. O fato engraçado: eram cerca de uns 40 perfis, que se RT entre si, numa endogamia de fazer inveja a qualquer TFP, em surto de defesa à hoste da família patriarcal. E o que escreviam tinha tanta graça quanto missa rezada em latim pode ter para os católicos campesinos... um horror, parecia que eles estava todos azedos... credo!

Bem, terminando, eu tenho medo. medo deste ataque em massa aos blogs que espalham a verdade ou nos defendem das manipulações da direita organizada pela CNBBSUL, medo porque parece que vem mais chumbo por aí, e desejam amordaçar os que podem fazer frente a ele. Sobre isto, não deixem de ler, eu peço, http://www.viomundo.com.br/politica/alerta-de-quem-e-do-ramo-a-armacao-que-pode-vir-nos-dias-finais-de-campanha.html.


post digitado pelo santo marido.



domingo, 24 de outubro de 2010

Reta final

Eu adoraria se o Twitter virasse um clube de leitura. Mas, prefiro que seja de Bourdieu. Realmente, Celso, vc é foda. Que Tweet foi esse meu irmão.
Neste momento eu tenho medo. Tenho medo do que tentam forjar agora. 
Militância, de olho nas urnas. 

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Base de dados online com obras de arte roubadas a judeus no Holocausto

Fonte; http://www.publico.pt/Cultura/base-de-dados-online-com-obras-de-arte-roubadas-a-judeus-no-holocausto_1461683

Cerca de 20 mil obras de arte roubadas pelo III Reich durante a Segunda Guerra Mundial podem desde ontem ser pesquisadas numa base de dados online. O projecto, iniciado em 2005, é uma iniciativa da organização de apoio aos judeus vítimas da perseguição nazi Claims Conference em conjunto com o United States Holocaust Memorial Museum, um museu americano em memória das vítimas.


É uma oportunidade que surge para as vítimas do Holocausto e as suas famílias reaverem os seus bens roubados entre 1940 e 1944 na França e na Bélgica, na altura ocupados pelos nazis, naquele que foi considerado um dos piores ataques da história cultural. Em comunicado, a Claims Conference afirmou que esta nova lista "deve ser consultada por museus, galerias de arte e casas de leilões, para perceberem se têm em sua posse arte roubada pelos nazis, e por famílias que procuram há muito tempo a herança perdida". O site foi construído com base em registos nazis que foram digitalizados, mostrando o que foi apreendido e a quem, juntamente com os dados sobre a restituição ou repatriação e fotografias tiradas aos objectos apreendidos. A maior parte das peças, incluindo obras de mestres como Picasso, Monet, Chagall e Klimt, nunca foi entregue aos verdadeiros proprietários. Não se sabe exactamente quantos objectos foram roubados pelos nazis e quantos ainda podem estar desaparecidos. A Claims Conference diz que foram apreendidas cerca de 650 mil peças de arte e que milhares continuam perdidos.

domingo, 17 de outubro de 2010

ex-presidente da Juventude Nazista no Brasil apóia o Serra. Minhas declarações - parte I

Bem, agora as coisas estão tomando um caminho preocupante. Quem acompanha as notícias, principalmente na WEB, se dá conta que voltamos todos numa capsula do tempo. Uma parte dos aliados do Serra surge da idade média: são os sisudos e assustadores membros da TFP. Outros desejam a volta do mundo feudal (a turma da pax no campo). Há ainda os defensores de Hitler (o presidente da ex-juventude anzista apóia você, e você fica quieto? credo...)  Serra, eu esperava mais do senhor. Esperava que selecionasse seus amigos, esperava que não invadisse igreja, esperava que respeitasse missasveja o áudio, esperava que conduzisse o debate para algo minimamente parecido com o mundo contemporâneo.

Agora, acabei de voltar do almoço, e no táxi o motorista me afirmou que votaria em você porque ele lê veja. Argumentei a respeito dessas "estranhas alianças" que você ostenta. Ouvi que é melhor o nazismo mesmo.
Santo Deus, o que virou esta eleição?  E porque colocam teu SANTO NOME em vão, ao lado destes aliados?

Ainda bem que há cristãos que se manifestam ao lado da verdade e da justiça. A paz, seu Serra, virá com justiça. Virá com diálogo com professores, não com o uso da polícia. Usar a polícia, invadir igrejas, rejeitar os direitos civis. Nunca vi uma campanha tão totalitária no Brasil. Bem eu não estava viva na época do Estado novo.

Bem, minha declaração de voto eu já fiz. Mas, eu esperava mais desse segundo turno. Extrema-direita e nazismo é o fim!

A PAZ NO CAMPO DO SERRA

Como eu falei no blog, há alguns dias, a paz no campo do Serra é essa:

http://www.paznocampo.org.br/


Fonte da matéria:
http://eleicoes.uol.com.br/2010/ultimas-noticias/2010/10/16/na-tv-serra-promete-paz-no-campo-sem-mst-dilma-lista-privatizacoes-de-fhc.jhtm


E agora, PV?

presidente da ex- Juventude Nazista apóia Serra - a página do registro.br

presidente da ex- Juventude Nazista apóia Serra -a notícia.

Depois de ter nome revelado, dono do site Tribuna Nacional tira página do ar

Fonte: http://brasilmobilizado.blogspot.com/2010/10/depois-de-ter-nome-revelado-dono-do.html



reproduzido do blog Acerto de Contas


Se os diabos fogem das cruzes, os ratos fogem das luzes, dos holofotes. O anonimato é um dos refúgios desses seres sorrateiros e sujos. Se a luz bate em seus focinhos, os danados se danam a correr pra vala obscura onde vivem. As correntes de e-mails apócrifos e caluniosos contra a candidata do PT, Dilma Rousseff, viveram um dia ímpar, ontem. Um dos autores desses e-mails difamatórios teve seus nome e sobrenome postos à luz pelo jornalista Tony Chastinet. Além disso, Chastinet descobriu também que o responsável pelo site Tribuna Nacional (cuja leitura era recomendada no e-mail) é um ex-presidente da Juventude Nazista no Brasil. O site e seu conteúdo calunioso foi retirado do ar.

O e-mail recebido pelo jornalista havia sido enviado por um tal de Ingo Schimidt, e no e-mail, além das calúnias e difamações de sempre, constava um pedido de voto no candidato José Serra e a recomendação de leitura do site Tribuna Nacional. Basta clicar no link http://www.tribunanacional.com.br/ pra ver que o site não está mais no ar.

Na noite passada, busquei o site e li alguns textos. Muitos deles de autoria do próprio Ingo Schimidt. Quase todos com aquela mesma diagramação dos e-mails caluniosos que se tornaram comuns e cotidianos nesta campanha: excesso de caixa alta, textos em azul e vermelho, palavrório sujo e delirante do começo ao fim. Navegando pela página, a impressão que tive é que se tratava de um verdadeiro quartel virtual de mensagens apócrifas de cunho difamatório.

Provavelmente a luz da denúncia ofuscou os olhos e assustou o roedor obscuro responsável pela página, que a retirou do ar de ontem para hoje. Já imaginando que após as denúncias o site seria retirado do ar, fiz o print screen que ilustra este post durante minha visita ao site. Na descrição do que é o Tribuna Nacional, seus autores anônimos diziam:

Quem somos:

Somos cidadãos, homens e mulheres, preocupados com o destino da nação e o futuro dos nossos filhos.

O que pensamos:
Defendemos as liberdades individuais, liberdades contrapostas a responsabilidades, liberdades baseadas não no direito posto, mas sim no direito natural.
O que queremos:
Queremos criar um espaço para outros cidadãos poderem se manifestar, livres da censura, manipulação e propaganda oficial e livres da manipulação e servilismo da imprensa institucionalizada.

Até arrisquei um teste no grau de “liberdade” desses “cidadãos”, mas não obtive sucesso e desisti de tentar fazer qualquer comentário. Era preciso estar logado no site, e eu preferi não dar meu e-mail e dados para esse site bizarro que saiu do ar depois da denúncia. As seções de “Reserva de Direitos” e “Fale Conosco” já estava fora do ar quando da minha visita. Análises semânticas dos dizeres que o ilustravam, transcritos acima, eu deixo para vocês.



O site Tribuna Nacional, segundo Tony Chastinet, está registrado na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) em nome do “Círculo Memorial Octaviano Pinto Soares” (localizado em Brasília).

O responsável pelo site Tribuna Nacional chama-se Nei Mohn. Figura obscura dos tempos da ditadura militar, filho do general reformado Otto Mohn, Nei foi líder da Juventude Nacionalista Anticomunista (organização mais conhecida como Juventude Nazista).




Também era informante do Centro de Informações da Marinha (Cenimar), suspeito de atos de terrorismo na década de 1980 e acusado de falsificar o jornal O São Paulo, da Arquidiocese Paulistana. Além disso (segundo matéria da Veja de 1980) também era conhecido pela crueldade com que tratava seus filhos (leiam mais sobre essa figura nas matérias da Veja de 1980, e da IstoÉ de 1982, linkadas ao final deste post).



Pelo visto, o tempo passou mas Nei Mohn continua sua missão anacrônica e delirante contra os “comunas”. Desta vez, arvora-se do submundo-roedor do anonimato para difamar e caluniar a candidata Dilma Rousseff. Mas a máscara caiu.



E a campanha de José Serra mostra porque não vale nada: não tem propostas para o país e optou pela estratégia da destilação de ódio da forma mais rastaquera possível: valendo-se da tática das ratazanas anônimas em correntes de internet.


Segue o texto de Tony Chastinet, publicado ontem no blog Escrevinhador.

“O CAMINHO DA CALÚNIA”
por Tony Chastinet



Recebi ontem à noite um daqueles e-mails nojentos e anônimos, que estão circulando na internet, com calúnias contra a candidata Dilma Roussef. Decidi gastar alguns minutos para tentar identificar os autores. Consegui, e repasso abaixo as informações sobre os autores da baixaria – incluindo as fontes da pesquisa.

Há um e-mail circulando na internet com o seguinte título: “Candidatos de esquerda”. Na mensagem há uma série de calúnias contra Dilma, e o pedido para se votar no Serra. Também recomenda a leitura do site http://www.tribunanacional.com.br/.

Entrei na página e de cara me deparei com aquela foto montada da Dilma ao lado de um fuzil. Uma verdadeira central de calúnias ligada à extrema direita. Vejam uma amostra neste link http://www.tribunanacional.com.br/v2/editorial/a-terrorista/.

O e-mail foi enviado para minha caixa postal na noite de domingo. O remetente é um tal de Ingo Schimidt (ingo@tribunanacional.com.br). O site está registrado na Fapesp em nome do “Círculo Memorial Octaviano Pinto Soares”.

Essa associação tem CNPJ (026.990.366/0001-49), está localizada na SCRN, 706-707, Bloco B, Sala 125, na Asa Norte, em Brasília. O responsável pelo site chama-se Nei Mohn. Em uma pesquisa superficial na internet, descobre-se que ele foi presidente da “Juventude Nazista” em 1968. Era informante do Cenimar e suspeito de atos de terrorismo na década de 80 (bombas em bancas de jornais e outros atentados feitos pela tigrada da comunidade de informações). Também foi investigado por falsificar o jornal da Igreja Católica, atacando religiosos que denunciavam torturas, assassinatos e desaparecimentos (vejam abaixo nas fontes).

Nunca foi investigado e sequer punido pelas barbaridades que aprontou. Para isso, contou com a proteção dos militares e da comunidade de informações para abafar os escândalos e investigações.


Prossegui na pesquisa e descobri que o filho de Nei, o advogado Bruno Degrazia Möhn trabalha para um grande escritório de advocacia de Brasília contratado por Daniel Dantas para representar o deputado federal Alberto Fraga (DEM) em ação no TCU movida pelo deputado para tentar impedir a compra de ações da BRT/OI pelos fundos de pensão.

Interessante essa ligação entre a extrema direita, nazistas e Daniel Dantas. Mas tem mais.

No registro do site ainda há outros dois nomes apontados como responsáveis pela página: Antonio Afonso Xavier de Serpa Pinto e Zoltan Nassif Korontai.

Fontes:
– Tribuna Nacional – Dados do Registro.br

domínio: tribunanacional.com.br

entidade: Círculo Memorial Octaviano Pinto Soares

documento: 026.990.366/0001-49

responsável: Nei Möhn


2 – Nei Mohn

Matéria Veja de 1980 –
http://www.arqanalagoa.ufscar.br/pdf/recortes/R06814.pdf

Matéria da Isto É de 1982 –
http://www.arqanalagoa.ufscar.br/pdf/recortes/R03648.pdf


3 – Filho de Nei

Bruno Degrazia Möhn (OAB/DF 18.161)

Trabalha no escritório Menezes e Vieira Advogados Associados – http://www.migalhas.com.br/mostra_noticia_articuladas.aspx?cod=11457
 – artigo defesa ppp
escritório contratado por Dantas no caso BRT – http://www.anapar.com.br/noticias.php?id=6602

sexta-feira, 8 de outubro de 2010